LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda o aperto
Mais uma vez ficou desnivelado o tratamento para o funcionalismo com o reajuste de 4,08% concedido ao Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e à Defensoria Pública e negado ao Executivo. Isso já havia ocorrido lá atrás no primeiro bloqueio ao reajuste automático. Trata-se, portanto, o problema do ajuste fiscal com linha nada isonômica e o corpo funcional do Executivo detém o ônus maior da crise.
E essa forma de atuar se repete em outras medidas como a de bloquear verbas para as universidades estaduais (nada menos de R$ 6 milhões de recursos próprios só na de Londrina) e que reitores atribuem a retaliação por não adesão à Meta 4. Como se vê, o alarido da manhã de anteontem no Legislativo estadual tem maior profundidade do que aparenta, ainda que a pasta fazendária tenha indicado que as universidades que tiveram recursos contingenciados podem recorrer à pasta a que estão subordinados e depois à Fazenda. Isso é uma rede burocrática para deter demandas, um embargo de gaveta.
Percebe-se que o tratamento a pão e água é seletivo e não apenas na questão salarial: a prensa maior é no Executivo como se nele estivesse a causa de tudo. De qualquer forma, é um desafio ao setor funcional que detém a maior capacidade de articulação, especialmente o de professores e policiais que nessa quadra tiveram a suposta compensação do pagamento das progressões e promoções. O bloqueio da sessão em que Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda, fazia a prestação de contas é uma consequência do aperto desigual e a despeito da seriedade do tema a maioria dócil do Parlamento não parece ter a mínima curiosidade em torno da situação das contas como se a versão oficial fosse a verdade revelada.
A tunga prossegue depois da apropriação dos recursos da ParanaPrevidência em R$ 2 bi anuais em módicas prestações mensais de R$ 150 milhões e tentando, como essa magia de parque de diversões, simular ajuste de contas reduzindo severamente o horizonte atuarial do fundo de pensão que teria caído para pouco mais de dez anos. São claras as razões pelas quais também o governo não presta contas como deveria e impedindo também que a nossa nanica oposição ao menos fizesse alguns questionamentos.
Irmãos Neves x Rossoni
Gravações de um choque entre o senador Aécio Neves, sua irmã Andrea e a figura política mais importante do governo Richa, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossini, virou destaque nas redes sociais. Mera desinteligência, sem alusão a qualquer fato criminoso (o que não deixa de ser um ganho) teve momentos curiosos como quando a irmã do senador, hoje encarcerada, chama Rossoni de babaca e isso porque esse teria prometido que visitaria Aécio na cadeia. Por sinal, Andrea tinha tantos atritos com jornalistas mineiros que muitos deles comemoraram a sua prisão.
Novo alerta
Com a queda acentuada de temperatura, a Secretaria de Saúde volta alertar para os riscos de gripe que até agora já matou seis pessoas. Hoje a temperatura deve cair mais ainda, segundo a previsão. Aliás, a unidade Medianeira, da Boa Vista, fechada por causa de seis casos de infecção na campanha de vacinação continua fechada. Não apuraram a causa do acidente a despeito de tantas pesquisas no local e o problema persiste sem resposta.
Ofensiva
A nomeação do ministro da Justiça, a disposição de mudar o comando da Polícia Federal e o trâmite das reformas no Congresso e mais o ativismo presidencial mostram vitalidade do governo acuado que não pode completar o oba oba com redução maior na taxa de juros, com o que o Copom sinaliza a quadra de incertezas na economia. Mas a postura é claramente de ofensiva ao passo que de outro lado se aposta no impacto da delação de Antonio Palocci para reequilibrar o conflito intrapoderes e, é claro, com a sequência do depoimento do presidente Michel Temer à Polícia Federal. Outro fator importante é o que poderá dizer o ex-deputado Rocha Loures na história da mala.
Anedotário
Foz do Iguaçu é forte candidata ao anedotário nacional depois da cassação do prefeito e da prisão de vereadores: há uma representação do Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar contra a vereadora Nanci Rafaim Andreola por vestir-se de forma afrontosa aos padrões vitorianos. Bem humorada, ela disse que nada tinha a ver com as poucas roupas da Cicciolina.
Folclore
Quando das obras do Centro Cívico, importaram trabalhadores do Nordeste que tiveram algumas dificuldades que iam muito além do frio e eram comuns as arregimentações de operários nas galerias da Assembleia que funcionava no Palácio Rio Branco, hoje Câmara Municipal. O mestre Antonio Anibelli presidia, com a sobriedade habitual a sessão, e como havia ruído fez soar o alarme e advertiu que se aquilo continuasse mandaria evacuar as galerias. No meio do comitê de jornalistas estava Gamaliel Bueno Galvão, trabalhista como o presidente que, como se fosse deputado, pediu um aparte a Anibelli e emendou, gaguejando: "Vos-ssa Excelência é um tra-traidor fi-filho da mãe!". Lembro que o editorial do "Estadinho" do dia seguinte tinha o título: "Ostras e Gamaliéis".





