LUIZ GERALDO MAZZA
Um corte epistemológico
Ninguém esperava pela resistência do Osmar Serraglio à sedução ministerial da Transparência. Aliás, o Tusca, jornalista Airton Batista Júnior, sacou uma genial, definitiva, com um drible no non sense: "As transparências enganam". Não há nada mais sem sentido no exercício da política do que esse papo careta de transparência que, aliás, raramente está no governo.
Como Michel Temer é um símbolo da resistência por amor às reformas, Serraglio mostrou que também sabe resistir especialmente às conveniências previamente acertadas. Como é parte do plano oficial manter o desastrado deputado federal Rocha Loures sob proteção do foro, lutava-se ontem em Brasília para que um parlamentar da bancada peemedebista (poderia ser o Sérgio Souza, o Frangão ou o João Arruda) assumisse a pasta da claridade meridiana isso sem qualquer nexo com talento e vocação, mas por desespero.
Talvez, Serraglio tenha sua razões subjetivas para criar esse tipo de constrangimento pela forma como foi descartado e desfigurado, logo ele que lá nos primórdios da fase higiênica que acometeu o Brasil apareceu com destaque surpreendente como relator do mensalão.
Um corte epistemológico, esse do Serraglio que impõe a reflexão num momento em que a ofensiva do governo misturava as reformas com a anistia do caixa dois e ainda um breque forte na Lava Jato, como se o crime se houvesse transformado em virtude. Age-se confiando na amnésia do público, especialmente, em cima de coisas mais imediatas como a corrida de cem metros do Rodrigo com a mala dos R$ 500 mil, que seriam entregues toda semana durante vinte anos num parcelamento fora dos parâmetros das Casas Bahia.
A esperança é uma só: mais ações concretas da Lava Jato para reequilibrar a disputa com o governo afundado na lama, mas cheio de vida, resistindo a surfar nas reformas.
Hora das fusões
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a aquisição da empresa paranaense Belagrícola (nascida em 1985 em Bela Vista do Paraíso) pelo grupo chinês DKBA, braço brasileiro da gigante Shanghai Pengxin. A compra de 53,99% das ações em valores não revelados mostra a permeabilidade do agronegócio local às fusões. A empresa paranaense faturou R$ 2,8 bilhões em 2016 , contava com 38 unidades receptoras de grãos e 55 lojas de insumos e empregava 1.600 trabalhadores no Paraná, São Paulo e Santa Catarina. O grupo chinês já havia adquirido, ano passado, a Fiagril de Lucas do Rio Verde (MT).
Negociação
Apoiada num interdito proibitório que impedia a invasão da Câmara Municipal de Curitiba novamente por funcionários, a Casa estava preparada para votar duas questões essenciais: o aumento da cota de contribuição previdenciária e o leilão das dívidas com fornecedores e prestadores de serviços. Um grupo de funcionários municipais pressionou e obteve a suspensão provisória da matéria em trâmite.
Contrastes
Enquanto em Campo Largo os gêmeos da mãe que teve a vida prolongada artificialmente para poder gerá-los ganhavam alta, lá em Ponta Grossa a vigilância sanitária interditava um lar de idosos que os mantinham em situação extremamente precária, inclusive deitados no chão.
'Pneumania'
A prefeita de Ortigueira, Lourdes Banach, é obrigada a restituir ao erário R$ 62 mil pelo Tribunal de Contas pela compra excessiva de pneus, 2.973 em dois anos. O estafe da prefeita argumenta que o gasto é elevado por causa das más condições de estradas de terra. Ortigueira figurou entre os três municípios do Paraná que mais gastaram nesse item. Pneu carecou, Ortigueira trocou.
Mais craca
O Paraná anda fazendo jus ao seu desempenho em corrupção, em cujo ranking pinta em quinto lugar: só na Educação há muitos mais desvios e irregularidades (obras superfaturadas e paralisadas) do que os enunciados pela Quadro Negro e apurados pelo Gaeco. Há os que traem à medida que respiram como há os que fazem da fraude uma praxe consuetudinária, assentada nos costumes.
PF ouve Temer
O ministro Luiz Edson Fachin autorizou a Polícia Federal a interrogar o presidente Michel Temer por causa das sequelas do papo com a JBS. Isso será feito por escrito, o que não tira o caráter de interrogatório, e mostra que há firmeza das autoridades no dever legal. Fachin atendeu a demanda do senador afastado Aécio Nenes de separar seu procedimento daquele atribuído ao deputado Rocha Loures e o presidente da República. Como se vê, apesar do tumulto e das expectativas pessimistas, as instituições funcionam e o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, criticou o Alvorada pelos tumultos em cima do julgamento da chapa Dilma-Temer, afirmando que a instituição não é joguete do governo.
Folclore
O Paraná, ou melhor a bancada federal do PMDB, é a esperança de salvação do governo Temer, um exagero como todo que ocorre na política: o problema é saber quem será dos deputados o ministro da Transparência. O maior cabo eleitoral do PMDB paranaense é o senador Roberto Requião, mas ele não é um bom emissário porque é linha dissidente e minoritária. Assim mesmo seu sobrinho, João José Arruda (e haja arruda pra dar sorte), que nem sempre o acompanha, é um dos cogitáveis.





