LUIZ GERALDO MAZZA
Tardio como sempre
O governador fez bem em declarar a Valor, aquela do trambique das construções escolares, e que recebia faturas por obras inconclusas, como inidônea na área de negócios públicos e agora revogou a parceria público-privada com a Odebrecht na duplicação da PR-323, Maringá-Francisco Alves, orçada em R$ 1 bi . Em ambos os casos, demorou para agir até pela suspeita levantada de vantagens futuras conquanto a doação tenha sido feita na frente, conforme relatos da empreiteira. Obviamente, aí não se configurava o delito pela ausência de futura reciprocidade tal qual os casos do sítio e do tríplex de Lula nos quais não há a evidência da posse ou domínio das benfeitorias, ainda que seja nítido o tráfico de influência centrado em provas documentais e testemunhais como as ainda arroladas nos últimos dias. O governo estadual promete licitar a obra.
Da mesma forma que se exigiria do presidente da República uma atitude firme naquela conversa blandiciosa com Joesley Batista, também em nome da boa aparência das coisas, o governador paranaense deveria ser mais expedito. Talvez, não desse tempo para exercer um ato de desforço incontinenti, detendo de qualquer forma um manancial de versões negativas. Casos como o da Valor (o andamento das investigações persiste) com a declaração formal de inidoneidade, portanto, vetada a participações enquanto não se reabilita, e agora o da parceria com a Odebrecht, solenemente rompido, fazem parte de um ritual que expressa resistência do poder público a desvios de variada natureza e devem ser rápidos e eficientes até para gerar padrões comportamentais.
Quando se trata de defender companheiros acusados, como se deu com Ezequias na proteção do foro privilegiado, tomou o governo a cautela de obter garantia como fará preventivamente em favor de assessores importantes como Juraci Barbosa e Fernando Gighnone por força da atuação que tiveram no setor financeiro da campanha eleitoral, razão pela qual foram referidos e merecedores, portanto, de um mínimo de blindagem.
O caso de Ezequias Moreira é, claramente, um delito e tanto que será punido, ainda que favorecido pelo decurso de prazo; nos outros dois faz parte de um risco de envolvimento bem comum na área financeira. Há a distância enorme entre um fato criminoso e eventual suspeita por mera referência processual, às vezes frágil indício a qualquer tempo removível
Tardio como sempre. Mas antes tarde do que nunca.
Mais alerta
O Tribunal de Contas voltou a fazer advertência com relação à transparência do fundo de pensão estadual pela 3ª Inspetoria relativa ao exercício de 2014. São tantas as restrições que está na hora de definir claramente a situação da ParanaPrevidência que teria um horizonte atuarial de pouco mais de dez anos. O fundo de pensão tem 30 dias para responder. Essa é uma das áreas mais fortemente críticas que nega a nossa suposta regularidade fiscal tão alardeada e negada por evidências como essa.
Atentado
Mais uma vez a sede do Partido dos Trabalhadores é alvo de atentado a bomba incendiária e o doutor Rosinha, dirigente partidário, foi à Secretaria de Segurança para fazer o boletim de ocorrência e protestar contra as continuadas ocorrências e pela apuração dos crimes.
Drogas
Equipes do Cope estão, há dois dias, em ações contra o esconderijo de traficantes: anteontem foram presos cinco denunciados em hotéis populares no centro da capital e, ontem, houve diligências em mais quatro domicílios.
BR-277, o risco
Nem houve o início da campanha preventiva de acidentes na BR- 277, entre o Parque Bariigui e a praça de pedágio de São Luis do Purunã e tivemos ontem, à tarde, mais uma tragédia com três carretas e quatro automóveis com seis mortos e treze feridos. A densidade do tráfego, a despeito da melhora com o novo traçado em Campo Largo, torna a área de extremo risco. Um motorista de carreta foi preso por estar sem freios.
Frango
Apesar das ocorrências com a JBS e as consequências da "Carne Seca", o Paraná saiu-se bem com um crescimento de 5% nas exportações de frango no quadrimestre.
Fogos
Das novidades da Câmara Municipal de Curitiba, há o destaque de duas vereadoras que se elegeram na defesa de animais abandonados e uma delas tomou a iniciativa de proibir soltura de fogos pelo fato de fazerem muito mal aos cães. E a iniciativa tramita com alguma folga, apesar da ameaça dos produtores e comerciantes de fogos de artifício alegarem inconstitucionalidade.
Folclore
Paula Nei foi apontado como um dos últimos boêmios cariocas e o seu desempenho escolar, como estudante de Medicina, era sempre marcado por sacadas de humor. Num dia, o lente da cadeira de anatomia perguntou-lhe, em sessão no anfiteatro, quantos ossos havia na cabeça. Colocou a mão solenemente na testa e arrematou: "Tenho tudo aqui, mas não me lembro".





