Recuando ao abismo
Prevendo derrota na questão previdenciária, o presidente Michel Temer autorizou novos recuos e com isso, cada vez, se volta mais à beira do abismo. Essa última custou R$ 115,2 bilhões em relação ao que se pretendia poupar em dez anos num total de R$ 678,3 bilhões. Isso não é, portanto, pouca coisa, assunto de lana caprina.
O pior é que se imagina que a tortuosa tramitação induzirá outros recuos, desfigurando o projeto original prevendo uma poupança equivalente a 1,96% do valor do PIB de 2027. Há uma compulsão para mexer naquilo que é tido como intocável, a idade mínima de aposentadoria, valor de benefício e isonomia de homens e mulheres.
Quando se retirou, de cara, o Exército e até policiais militares da regulação percebeu-se a incapacidade de manter a racionalidade mínima. Todos os países do mundo moderno padeceram muito para acertar a questão e na América Latina um dos exemplos fortes é o do Chile que se valeu da força para enfrentá-la. Aqui tivemos a oportunidade perdida sob FHC e, o que é pior, por um voto.

Melhora
Sinais de melhora nas montadoras anima o Paraná, terceiro polo automotivo. A área em que isso se deu foi o comércio exterior, mas houve também algum avanço no mercado interno com o licenciamento de 189.149 veículos em março, 5,5% maior no mesmo mês de 2016. Exportação de 172.693 unidades no trimestre foi o melhor da história para o setor, alta de 69,7% em relação a 2016. É um respiro em meio a tanta notícia negativa.

Terror segue
Quando a polícia comemorava as primeiras prisões de comerciantes que adquiriram celulares e outros aparelhos eletroeletrônicos roubados tivemos na mesma tarde, de ontem, assaltos no Condor do Bom Retiro e no Big da Boa Vista, neste um morto dos assaltantes no comecinho da tarde e mais um detido. Depois dessas, há a maior expectativa em torno do que se falará, na segunda-feira, na reunião do secretário de Segurança e delegados com os empresários da área, dentre os quais, os mais vulneráveis, as vítimas.
Uma ONG mexicana que monitora taxas de criminalidade em escala mundial anunciou que a nossa Curitiba está entre as cinquenta mais violentas do mundo.

Mais cena
O terror se espalha: em Itambé, Noroeste, um assalto à agência do Banco do Brasil teve um dado assustador no fato de os bandidos terem usado pessoas, na condição de reféns, como escudo. Em Alvorada do Sul um registro incomum na circunstância de a Polícia Federal, em confronto, haver matado seis assaltantes.

O impresso
Dá para imaginar a reação no Japão se o "Assai-Chimbum", que chegou a ter 17 milhões de exemplares, deixasse de circular ou mesmo a "Folha de S.Paulo", o "Estadão" e o "Globo" adotassem o mesmo rumo aqui no Brasil. É algo mais ou menos assim que se pode encarar a decisão do nosso maior jornal, escorado na Rede Paranaense de Comunicação, de abdicar da edição impressa para um projeto de valorização máxima da plataforma digital e em cima de suposta adesão cosmopolita e de presença nacional.
Teríamos algum sinal de resistência ao impresso dada a facilidade com que nos superam os jornais especialmente do Rio Grande do Sul, os da capital aparecendo no ranking dos maiores do Brasil, inclusive o NH Jornal, de Novo Hamburgo, saindo à frente dos nossos? Estaríamos marcados por uma espécie de agrafismo, enquanto os gaúchos, que empatam com a gente em economia (estamos em quinto e eles em quarto em renda interna, às vezes revezando na primeira posição), apareceriam, nesse item, omo o maior, comparativamente, do País?
O fato merece estudos, afinal quando o Rio Grande do Sul tinha a editora O Globo, de Érico Veríssimo, o alagoano Plácido e Silva explorava a "Guaíra" por aqui, que produzia livros, e tinha alguma expressão em termos nacionais e tirava uma revista mensal. Dada a expressão da editora de Veríssimo, mais avançada, pode-se colocar aí um ponto referencial da distância no hábito da leitura. Comporta lembrar como metáfora da ficção científica de Ray Bradburi, levada do livro ao cinema da nouvelle vague, "Farenheit 451", em que a faina repressiva era queimar impressos na predominância dos meios visuais como forma totalitária de comunicação. Vejam o paradoxo: anunciam o retorno do histórico JB, Jornal do Brasil, e que circularia só nas bancas, hoje uma das maiores deficiências já que a competição se dá, dominantemente, em assinaturas. Aqui essa FOLHA e a Gazeta praticamente empatam no segmento e aparecem razoavelmente bem no placar nacional.

Folclore
Professor Becker, de Francês, anos quarenta, Ginásio Paranaense, irritado com a zoada dos alunos que detectava, apesar de um pouco surdo, reagia "taberna de italianos bêbados!´´e batia com a bengala no tampo de vidro da mesa.

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