Pega mal
Não há sincronia entre processos judiciais, os da Publicano, com as providências internas da administração correcional na área fazendária. No começo houve até a impressão de que na instância havia clara resistência e pretensão punitiva contra delatores e nenhuma disposição em investigar, o que na sequência mudou um pouco para melhor. Compreensível uma certa hostilidade em razão da massa de auditores envolvidos e da alta hierarquia, mas o fato é que até agora só o delator-chave, Luiz Antonio de Souza, foi demitido, apesar de ter indicado bens para cobrir seus afanos.
O fluxo judicial vai pelo elevador e as ações correcionais e administrativas pela escada, daí a conclusão de que os PADs (processos administrativos disciplinares) devem se prolongar, no mínimo, por mais quatro anos principalmente para ouvir testemunhas. Num momento em que a pasta fazendária condiciona todo o processo governamental em função da busca do ajuste fiscal é, para dizer o mínimo, decepcionante o ritmo das ações correcionais. Se de um lado a lentidão beneficia os acusados, o afastamento de fiscais prejudica a arrecadação, sempre, como se tem visto, inferior à progressão das despesas, imunes à lipoaspiração.

Lobismo
Como organização internacional, tanto Uber como as congêneres farão ações lobísticas no Senado para deter o processo regulatório. Na Câmara Federal os taxistas foram mais eficientes como se viu. Para as prefeituras, na conjuntura de crise, poder tirar alguma vantagem fiscal é uma boa ideia para sair do imobilismo em que se encontram.

Melhorou, não muito
A taxa de atendimento escolar no Paraná melhorou significativamente de 2005 a 2015: saltou de 88,1% para 93,8%, mas ficou abaixo do patamar de 96% fixado pelo Todos pela Educação. Em 2015, havia no Paraná 136,5 mil crianças e jovens fora da sala de aula. Se não houvesse patologias como a dos desvios de construções escolares, a situação melhoraria. Quando havia planejamento como rotina no Paraná conclusões desse tipo eram analisadas com rigor e mapeadas as deficiências em cima de publicações do IBGE como esse da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Decepção
Na Feira de Londrina os grandes temas do agronegócio estão em debate nos vários fóruns lá realizados, dentre eles a questão dos efeitos da decisão do STF que entendeu como legal, constitucional, a cobrança de 2,1% sobre a comercialização bruta de cada propriedade para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Essa decisão pode comprometer entre 20% e 25% da produção anual nos cálculos mais extremos. Essa decisão atende recurso do governo federal ao entendimento do TRF da 4ª Região que a havia rejeitado. Há quem acredite que isso vai inviabilizar produtores e cooperativas do país.

Lento
Brasileiro deixa tudo para a última hora. É o que se verá mais uma vez com as declarações do Imposto de Renda. No Paraná, até agora apenas 24% dos contribuintes atenderam a convocação que tem seu prazo final em 28 de abril.

Safra de sangue
Um condomínio de São José dos Pinhais, área de invasão apodada de Serra do Mar, tem o incrível registro estatístico de 30 homicídios.

Reação
A freqüência de ataques a lojas de shoppigns e supermercados de artigos eletroeletrônicos levam à impaciência dos empresários do setor (alguns dos quais cogitaram até de convocar a Força Nacional para deter o abuso, sabidamente um exagero). Situação desesperadora sem que a polícia dê um mínimo sinal de reação articulada.

Calendário
Segundo prefeitura e Câmara Municipal de Curitiba, já está elaborado o calendário para análise do pacote fiscal de Rafael Greca e tudo pode decolar no dia 15 em cima da prometida greve dos barnabés municipais. O exercício de pressões contra a medida, que já assusta os vereadores no uso das redes sociais, vai ser ampliado e gerar um clima que trará efeitos nos debates.

Não refresca
O movimento comercial da Páscoa não indica surpresas, fora as diferenças de até 400% nos preços das mercadorias. O registro recente de leve recuperação da produção industrial em fevereiro de 0,1%, segundo o IBGE, nada tem de animador e as indicações no setor comercial e de serviços parecem sofríveis.

Folclore
O fiscal paranaense Daniel Gonçalves Filho, indicação da bancada federal, estaria negociando delação premiada no caso da "Carne Fraca" e agora o pânico, outra vez, pega a turma da praça. Não está fácil exercer atividade política em tempo de devassa e retaliações. Se cortar rente aos ossos, haverá choro e ranger de dentes.

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