Procrastinar é preciso
Várias as razões para que o processo ontem iniciado no Tribunal Superior Eleitoral tenha um andamento lento, dentre elas as de fundamentação mais genérica, a de que a crise não pode e nem deve solapar os fundamentos da retomada do desenvolvimento, até porque a alternativa pode ser o caos, como agora acentua o ex-presidente FHC no caso de eleição indireta. Há quase uma fobia do julgamento com a perspectiva de simétricos pedidos de vista em função da complexidade da matéria e dos contorcionismos da defesa com a partilha de responsabilidades nas contas, tese-chave da defesa do presidente de plantão.

Da mesma forma que o impeachment de Dilma teve a delonga dos seus rituais, incidentes processuais comuns como embargos de declaração inundarão o processo, isso sem considerar nulidades que venham a ser suscitadas em torno das delações premiadas e seus vazamentos. Técnicas de delongas se inserem entre as que expressam o amplo direito de defesa, como se dá na via legislativa com o recurso extremo e dramático da obstrução parlamentar, com a desesperada ação de ganhar tempo especialmente quando tudo parece perdido.

Veemente a postura do relator, Herman Benjamin, no seu empenho em bloquear concessão de mais prazo à defesa da ex-presidente , mas o clima do colegiado é visivelmente de maior cautela pela complexidade do tema em debate. Como esses fatos são esperados, perde muito o sentido de espetáculo que marca nossos acontecimentos políticos, mormente os derivados das revelações da Lava Jato, contra a qual a campanha articulada não esmorece quer nos meios acadêmicos, parlamentares e que em pouco tempo voltam às ruas.

Desgaste
Não há entusiasmo nas forças políticas do Paraná na defesa de Michel Temer, apesar do fato de havermos recuperado posições ministeriais. Não há pegada nessa postura em função até dos péssimos índices de credibilidade, mesmo quando olhado como única opção, a ponte para os áulicos, a pinguela para os mais intelectualizados. Mas também não há hostilidade e os mais construtivos procuram manter canais abertos com o centro do poder.

Reação exaltada
Antes eram as pichações no muro (que aliás derrubaram muita gente) e hoje é o fermento das redes sociais que estão sendo amplamente usadas na campanha contra o pacote fiscal de Rafael Greca. E está sendo tão intensa a distribuição de memes que os vereadores fiéis ao governo foram à tribuna protestar, achando que a carga passa dos limites, que aliás é também o ponto de vista dos críticos em relação ao ajuste expropriatório.

É folgada a vantagem numérica dos adeptos das medidas restritivas, razão pela qual o protesto leva jeito de confissão de impotência em que pese a importância do apoio sindical e também das prováveis consequências políticas da greve.

Questão carcerária
Se há algo que vai muito mal no governo Richa é a questão carcerária, embora as melhorias havidas com a transferência do Depen (Departamento Penitenciário) para a Segurança, o que pelo menos reduziu as tensões e os levantes. A questão é que o problema persiste e o TC, Tribunal de Contas, o escalou como prioridade até aqui respondida com a promessa de que em breve teremos sete mil vagas que afinal reduziriam também a carga nos distritos superlotados, pendência que deu origem, mais de uma vez, a mobilizações e greves da polícia civil. O TC fez um levantamento técnico da situação, o que se insere entre suas funções nem sempre levantadas pela instituição. Dramáticos os números não apenas por seus custos numa situação recessiva.

Liberou geral
O ataque a lojas em shoppings e supermercados de artigos eletrônicos em Curitiba virou moleza tão clara quanto o movido a caixas bancários contra as quais a polícia se mostra impotente e sem um gesto de resistência na prevenção ou repressão. Ontem novamente dois ataques e roubo de celulares Extra e em seguida numa loja (segunda vez em quatro dias) do shopping Crystal do Batel. Muito mal, portanto, o desempenho da polícia, que até o momento não empregou ferramenta adequada para cortar esse embalo da ladroagem.

Nos eixos
Depois de alguns recuos, o processo da "Publicano" entra nos eixos com o impacto da delação do Luiz Antonio de Souza e que relata o "modus operandi" dos seus colegas, na renovação do acordo com a justiça, detalhando 103 fatos delituosos e abrangendo 110 réus, dos quais nada menos de 47 auditores. Único demitido do cargo até agora, pois os demais, ainda que processados e com os bens indisponíveis, continuam recebendo salários, inclusive Márcio de Albuquerque Lima, tido como líder da operação, condenado a 96 anos de prisão. É o fiscal que aparece em lazeres automobilísticos com o governador.

Folclore
Os Diários Associados cederam parte do acervo do Museu de Arte a uma exposição na Capital na Biblioteca Pública e entre as peças a mais importantes "A arlesiana", de Van Gogh. Uma aristocrata perguntava ao marido se Van Gogh era nome ou apelido. Fernando Pessoa Ferreira, um gozador compulsivo, que estava nas proximidades, disse: "Apelido, o nome é Kirk Douglas", que afinal fez o papel do pintor atormentado no filme clássico.

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