LUIZ GERALDO MAZZA
O governo e o Gaeco
Como órgãos internos e até mesmo corregedorias não funcionam, quem assume esse papel é o Gaeco, braço destacado do Ministério Público. Todas as denúncias contra o governo contam com o timbre dessa organização e quase todas, ao menos a maioria delas, rendeu inquérito no STJ como se deu com a "Publicano" na denúncia de drenagem de recursos tomados pela gangue fiscal para a campanha da reeleição e no caso do crime ambiental na construção de obra indevida no porto de Paranaguá.
A postura defensiva mudou e ontem na Procuradoria Geral do Estado tanto o Instituto Ambiental do Paraná como a Administração dos portos deram a versão oficial dos fatos, negando qualquer irregularidade. Quando da delação premiada a mais forte de Luis Antonio de Souza , Richa limitou-se a procurar o criminalista Renê Ariel Dotti para provocar, e isso de forma liminar, imediata, o próprio STJ. Nas demandas do Gaeco (Publicano, Quadro Negro) o governo tomou postura ativa e ao lado do fluxo judicial houve o administrativo no sentido de apurar responsabilidades de autores e eventuais comparsas nas pastas da Fazenda e também da Educação, bem como a prisão de culpados e suspeitos e respectivo enquadramento e também afastamento de servidores indiciados
Na entrevista de ontem, foi negada qualquer consistência nas denúncias e desprezado o tom de que a obra, em área de proteção ambiental, favoreceria parentes do governador e mostrou-se também que, a despeito de existir um plano diretor portuário, o que se observa mais em Paranaguá do que em Antonina é a saturação do espaço urbano para serviços portuários, o que se agravará com os novos terminais.
De tudo isso conclui-se a inutilidade operacional das controladorias nos três níveis de governo, posto que a área ética do governo federal ao menos tenha se saído bem no cartão amarelo a Ricardo Barros, ministro da Saúde, por abusos na campanha eleitoral em favor de seus aliados. Ainda que de efeito meramente moral, esse tipo de advertência revela vitalidade interna, o que não se dá com outras instituições. Controladorias pelo jeito se dão mal contraladroeiras e até mesmos singelos pecados veniais.
O trocadilho é de mau gosto, mas didático.
Até maio
A base aliada de Rafael Greca, mesmo não impondo o cunho da urgência ao processo, entende que até maio estará aprovado o pacote de ajuste fiscal. Ciente da impopularidade da maior parte das medidas e dos desgastes delas resultantes, entende que não há alternativa para enfrentar a quadra difícil e precisarão de muita acrobacia para as greves e mobilizações. Nunca se observou tamanha unidade entre os vários sindicatos e a bronca mais genérica, maior do que a supressão do reajuste automático, é o bloqueio aos planos de carreira, que vieram ao longo de exaustivas assembleias. Serão certamente dois meses de muito conflito.
Prensa
O Cadin municipal se insere entre as medidas contra a evasão fiscal e da mesma forma, como se deu com menor ênfase na gestão anterior, enquadrará inadimplentes para fim de execução. Ocorre que a carga da dívida familiar mais recessão e desemprego tornam essa pedagogia de altíssimo risco, mais desgaste político-administrativo do que resultados concretos.
Foi exatamente esse tipo de conjuntura que tem impedido os governos municipais (e isso se deu com Londrina) de reajustarem suas plantas imobiliárias para cobrança do IPTU, que parecia o rumo mais certo. Todavia, a resistência do setor imobiliário parece ser bem mais efetiva do que a de sindicatos de trabalhadores. Essa é a marca dos nossos dias: tudo pelo capital, restrições para o trabalho.
Pânico
Apesar de alguns feitos como os decorrentes da operação "Pane Seca", em que a polícia enfrenta a gangue super-organizada dos postos de combustíveis, que roubam do usuário na qualidade e na quantidade, há verdadeiro pânico em shoppings e supermercados quanto à frequência de roubos de produtos eletrônicos nas lojas, o mais recente no Mueller, que veio se juntar aos quatro da semana passada. A impressão que tudo isso rende é a de impotência, a não ser que os estabelecimentos montem as suas defesas, o que é uma temeridade.
Indefinição
A despeito de ter dado ênfase no ajuste fiscal à questão previdenciária, o governo Richa está em dúvida se sustenta o modelo próprio, no qual Lerner fez grandes investimentos, inclusive a capitalização com os royalties da binacional de Itaipu, ou segue a orientação federal. Assusta o fato de um dos maiores especialistas da área, ex-ministro Reinhold Stephanes, não ter deixado, como secretário da área, um memorial satisfatório no trato da questão.
Folclore
Na aula de latim, João Mazzarotto, normalmente discreto, saiu na gargalhada quando um aluno, traduzindo um trecho das lutas de Cesar na Gália, viu a expressão "aperto loco" como aperto louco e não lugar aberto na versão correta. Com as tropas expostas, raciocinava o mestre, nas faldas da montanha, estavam num aperto brabo, militarmente falando.





