O viés punitivo
É característica marcante do nosso tempo essa avalanche punitiva, sentenciosa, que se torna, por todas as razões, um contraponto histórico à tolerância com a impunidade. Se tem um lado dominantemente bom e até revolucionário para nossos hábitos, exibe riscos nas exacerbações como as havidas na "Carne Fraca" (por sinal que o exame do Laboratório Central na gama de produtos interditados deu negativo) e que geraram problemas econômicos de repercussão mundial e sociais nos frigoríficos que demitiram seus trabalhadores. Aliás, ontem a justiça concedeu mais quinze dias de prazo para a conclusão do processo da "Carne Fraca".
O mau exemplo de gestores, refinadamente corruptos como Sérgio Cabral, de repente lança essa ira punitiva contra outros governadores. Inscreve-se aí possivelmente a mais recente questão levantada contra Beto Richa no caso do delito ambiental sob exame do Superior Tribunal de Justiça, STJ, já que não consta ter havido resistência contra a investigação do Gaeco realizada no Instituto Ambiental do Paraná como de resto também não ocorreu nas operações "Publicano" e "Quadro Negro". Ao revés quando o secretário Cid Vasques, da Segurança, interveio no Gaeco para impor mudanças na rotatividade do pessoal da polícia naquele órgão, o governador deu solução institucional, submetendo a questão à análise da Procuradoria da Justiça, órgão de origem do seu auxiliar, que por todos os seus escalões defendeu a atuação do seu braço voltado ao combate ao crime organizado.
Claro que no balanço do que vem ocorrendo, a população enxerga um traço positivo, o que não significa que apoie exageros que botam em risco a imagem de instituições ora numa ação que em tudo, pelo ineditismo, lembra uma cruzada e para os acusados, conforme repetidas afirmações, uma ação de justiceiros. Há falhas que advêm da cultura: o desrespeito ao sigilo, corrente em crimes eleitorais e que lembram, de forma bizarra, segredo de Polichinelo, daí porque os vazamentos tão discutidos ganharem a dimensão, pelo hábito e freqüência, de praxe.

Hora do pega
O Brasil é assim: na hora de cortar subsídios o chio é livre, como se viu ontem a Fiep (e na mesma onda a Faciap) se revelando contra a desoneração das folhas de pagamento desejadas pela União nos setores atingidos. Não há a menor disposição no nosso corporativismo para qualquer tipo de sacrifício, o menor que seja. Seria preciso uma atmosfera como a da 2ª Guerra Mundial para que houvesse adesão, embora estejamos a lembrar, em múltiplos aspectos, o drama recente da Grécia. Ninguém se dispõe a absorver corte de subsídios especialmente quando se adota a saída das exceções que abre caminho justamente para as generalizações.
Flexibilizar as relações de trabalho e restringir a CLT é normal, uma prioridade nacional, já mexer em qualquer interesse do capital é anomalia. Num país de castas, o avanço da igualdade é inviável e sempre mascarado em que os que mais levam vantagens posam justamente de mais generosos.

Páscoa
Repete-se o refrão de sempre nos artigos de páscoa, do coelhinho humilde de chocolate ao ovo sofisticado: um levantamento no mercado mostrou diferenças de preço de 400%. E assim escorrega a humanidade.

Porta escancarada
Um horror o que ocorre no setor de segurança: na segunda-feira assalto ao Shopping Total no Portão no setor de celulares; na quarta-feira o ataque foi no Angeloni, e ontem no Shopping Crystal do Batel também numa loja de celulares. Nota vermelha no boletim da nossa polícia.

Devastação
Fiscalização cerrada no centro-oeste sobre crimes ambientais : a operação, iniciada no domingo passado, encerra-se hoje com inúmeras autuações. Devastação é rotina.

Cadin municipal
O cadastro de inadimplentes municipal sempre existiu em Curitiba e importa num instrumento de combate à evasão fiscal. Ainda na gestão de Gustavo Fruet, diante dos casos mais radicais, havia execuções. É uma questão delicada ainda mais em tempo recessivo: há quase meio orçamento na Dívida Ativa do governo estadual e se o caminho da execução viesse a ser adotado agravaria a própria economia com a provável quebra de empresas. É o caso também dos que argumentam inexistir o déficit da previdência nacional sob o argumento de que haveria 480 bilhões de dívidas empresariais. Só que a execução geraria mais desemprego.

Folclore
Uma das loucuras da nossa juventude jornalística foi o fato de produzirmos conhaque em plenas instalações da fundição do "Diário do Paraná" e que tomávamos irmão para irmão e não de pai para filho como o "teaser" clássico . Bebida enriquecida com terríveis tóxicos: o chumbo, que produzia os tipos, e o antimônio. Cenário digno da venenoteca dos Bórgias.

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