LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda mal
Parece que o quadro fiscal, ainda difícil, do governo paranaense pode levar Beto Richa a reprisar Alvaro Dias em sua sucessão: permanecer no posto e ganhar a sucessão com o seu candidato e também não perder-se nas alternativas disponíveis. Claro que o caso de Alvaro era mais agudo pela circunstância de que o vice Ari Queiroz operaria, junto com Aníbal Curi e companhia, pela vitória de José Richa, que parecia incontestada nas pesquisas.
Uma certa arrogância dos supostos ganhadores, inclusive dando um chá de banco de duas horas em Osmar Dias, detonou a ruptura. Aí o PMDB, especialista em maldades em cima do óbvio, fez a campanha contra o fato de José Richa receber aposentadoria, massificou-a (famosa a certidão do fato explorada por Luis Claudio Romanelli e a ingênua aceitação por parte do acusado em sessão pública explorada à exaustão na campanha eleitoral) e afastou o favorito da disputa no segundo turno.
Aparentemente não haveria riscos semelhantes para o atual governador desde que pudesse conter a vice governadora em seu projeto de reeleição, o que levaria ao choque com Ricardo Barros, ora abatido com o cartão amarelo que recebeu da Comissão de Ética por seus atos de transbordamento eleitoral que conflitava com sua posição ministerial. O fato é que a despeito de tudo que se tem dito sobre a questão fiscal ela persiste erodindo o governo e exigindo maiores cautelas para não agravar o quadro. A despeito da mídia intensa alegando que pagar as progressões e promoções constituíam a forma de enfrentar a crise sem onerar o caixa, as contas relativas aos atrasados de 2014 e 2015 foram submetidas a parcelamento e surgiu o fato novo do veto na área explosiva do magistério à chamada hora atividade submetida ao garrote do secretário Mauro Ricardo Costa, causa de mobilização e greve que eclodirá, a qualquer momento, e obrigará o governo a cumprir a promessa de Valdir Rossoni, seu Chefe da Casa Civil, na cobrança dos dias parados, algo que os mestres jamais enfrentaram.
A questão dos atrasados tem condenado o governo na primeira instância, mas o recurso ao Tribunal de Justiça no caso especialmente dos policiais civis bloqueia tudo, uma vez que as câmaras recursais não se manifestam. Portanto, essa asfixia poderia ditar a hipótese de Beto Richa permanecer até o fim e com a perspectiva, lá na frente, de posto ministerial, livre de trombadas e podendo deixar, agora sim, bem encaminhada a questão fiscal.
Grana
Maná bíblico em ação: primeiro as contas inativas do FGTS e agora a recuperação dos 11,88% cobrados a mais dos consumidores de energia em 2015. Até parece sorteio de Nota Paraná e as mais recentes do Banco Original.
Pinhão
Colheita e venda de pinhão a partir de 1º de abril. A gourmetização mais recente do pinhão em meio à carne seca ou sob a forma de sopa volta com toda força.
Erva
A polícia apreendeu em Campo Largo meia tonelada de maconha e prendeu cinco pessoas.
Levante
Logo depois da mobilização do dia 31 (claro que não se trata de celebração da Redentora, ora mais ou menos esquecida, a não ser pelo culto das vítimas, reais ou supostas), funcionários municipais de Curitiba atrasarão em uma hora seus serviços contra o pacote fiscal de Rafael Greca. O prefeito chama os barnabés de mal agradecidos, já que faz todos os esforços para recuperar as finanças sem aumentar tributos. O objetivo da rebelião: unir todas as categorias, afinal vítimas da supressão dos planos de carreira, em que todas se envolveram durante muito tempo e aspiração longamente cultivada em assembleias intermináveis.
Modelo já era
O sistema de mobilidade urbana de Curitiba, apontado com modelar, está em exaustão como se viu no último aumento de tarifa que não garante a renovação da frota e enuncia novas perdas de passageiros, como há anos vem ocorrendo. Uma empresa especializada na área afirma que em Curitiba o passageiro despende em média uma hora e 12 minutos em viagem, ainda assim um dos menores índices nas capitais. A ruptura da integração metropolitana está entre os fatores que ampliam a crise e em episódios isolados como o dos motoristas de táxis, inconformados com a concorrência do Uber e congêneres, estão dispostos à resistência civil não pagando as taxas da Urbs nos próximos meses, campanha em andamento na internet. É a realidade removendo a atmosfera onírica prometida por Greca na campanha eleitoral.
Folclore
A mistura das pautas, muitas delas conflitantes, está entre os fatores que determinaram a baixa adesão às mobilizações da semana passada em todo o país. Um velho integralista (ainda existem, não esquecer que Helder Câmara, Alceu Amoroso Lima, Santiago Dantas e Roland Corbisier, depois deslocados à esquerda, figuravam entre eles) viu tudo aquilo para dizer, como se reencarnasse Plínio Salgado, "é, afinal, a aliança do sim com o não".





