LUIZ GERALDO MAZZA
Gaeco, uma esperança
Quando todos ainda se achavam traumatizados pelo reajuste das tarifas de ônibus e viam as esperanças murchando (a mediação do Tribunal de Contas revertendo o aumento e depois o Judiciário confirmando), eis que entra em campo o Gaeco para restabelecer um mínimo de confiança determinando a condução coercitiva de empresários e busca e apreensão de documentos. É o braço do Ministério Público que vem desmistificando esse ar de dignidade ofendida dos políticos, tanto os daqui como os desvelados pela Lava Jato, aquele ar falsete de sobriedade, uma escora permanente contra o mínimo sinal de denúncia.
Pelo menos três ações desenvolvidas no Paraná recentemente a Publicano, Voldemort e Quadro Negro revelam quão copiosa e ousada é a corrupção entre nós quase mimética ante as acomodações institucionais nos pedidos de vista de magistrados que protelam o julgamento de deputados ou de burocratas em processos intermináveis. O governador Beto Richa tem sido permeável a tudo isso numa frequência de anomalias jamais havidas em gestões anteriores e isso porque confraterniza com gente envolvida e, de forma pública, até mesmo nos seus sagrados momentos de lazer de automobilismo ou de prática de tênis.
Não se pode lhe atribuir a medida da ingenuidade por não perceber que tal convívio o compromete, mesmo num pecado menor como a cobertura concedida ao Ezequias como seu chefe de gabinete quando deputado estadual e autor da façanha de transformar a sogra em funcionária fantasma do Legislativo e ficar com a grana da trama. Parece não perceber que a tolerância demonstrada nesse caso seria um mau indicador ainda mais com a blindagem lhe oferecida do foro privilegiado, que até esse momento o favorece. Não ter um mínimo de visão crítica desses amigos, como os envolvidos na Publicano e Quadro Negro, o projeta como um pragmático radical da mesma forma que parece não captar o estrago produzido pelo quase fantasma, o parente distante, cada vez mais remoto, o Luiz Abbi.
Pelo menos temos ainda a mecânica institucional expressa nesse braço do Ministério Público, um sinal de vida num cenário tão melancólico. Ações nada têm a ver com o reajuste e sim com licitações supostamente dirigidas em várias cidades do interior e com os mesmos empresários.
Alvará
A burocracia empata mais o Carnaval curitibano do que qualquer outro fato: a dificuldade de ajustar alvarás aos rigores municipais já cortou a celebração de um evento na Câmara Municipal e agora abortou o "zombiewalk", tradição de tantos anos. O curitibano não tem alvará de soltura para festejar. Por sinal que a causa das broncas com as casas noturnas também é em cima, em grande parte, de exigência de alvarás.
Vistoria
Uma fiscalização do Ipem em postos de combustíveis nos últimos dias captou que muitos deles se dedicam a fraudes, tanto que 44 bombas foram lacradas e 12 placas eletrônicas interditadas em Curitiba e Região Metropolitana. Nos anos 50, o Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas desenvolveu, por sua Divisão de Combustíveis, um equipamento denominado "fluorógrafo" que detectava níveis de mistura de gasolina, diesel e o flagrante permitia o lacre das instalações.
Segurança
Assalto violento ontem em unidade de saúde do Sítio Cercado por dois ladrões que levaram haveres como celulares dos que se encontravam no local. Mas ontem mesmo houve feito da polícia que prendeu um clonador de cartões de crédito e isso num momento em que o delinquente adquiria dois equipamentos eletrônicos no valor de R$ 7 mil.
CCJ & cerveja
A Comissão de Constituição e Justiça do legislativo estadual aprovou a liberação de bebidas alcoólicas em estádios e ginásio de esportes de autoria do líder do governo, Luis Cláudio Romanelli. Há uma proposta divergente que estende a proibição ao entorno das praças desportivas.
Greve
Professorado municipal descontente por não contar com inspetores de alunos e se ver obrigado a improvisar na função ameaça declarar indicativo de greve. Logo poderão ter motivo mais forte se Rafael Greca se vir obrigado a cancelar o reajuste salarial de março.
Folclore
Passarinho veio do Apucarana para o coxa, aliás num jogo entre o time do interior e o da Capital ele fez três gols no Couto Pereira e o Valmor Giavarina, deputado estadual, posou na Boca Maldita com uma gaiola homenageando o ponta direita artilheiro. Um dia ele deu três dribles desconcertantes no lateral Alcione em Paranaguá e levou uma sarrafada que o deixou rolando no campo do Rio Branco. A torcida ululava saudando o zagueiro que o derrubou até que pela demora na recuperação mexeu com a consciência do torcedor que silenciou. E foi nesse momento que a voz cantada de um parnanguarinha se fez ouvir : ´´assopra o cuzinho dele que ele levanta!´´





