Segundo round perdido
O primeiro round foi do governo com a desocupação da Secretaria de Educação, mas o segundo foi dos professores no cerco aos núcleos regionais em nada menos de 21 deles. Para manter a disputa no campo judicial, o governo recomendou que a direção desses postos, sob o bloqueio dos sindicalistas, providenciasse os boletins de ocorrência na polícia judiciária para o preparo de ações competentes e de pronta dissuasão, o que até agora não se deu.
O governo apelou ontem para a guerra de informação justamente no dia em que pagou as folhas e parte do acumulado em progressões e promoções, adiantando que nos primeiros dias de fevereiro esses núcleos se incumbiriam da partilha de aulas dos professores e que se o cerco persistisse tal poderia afetar o pagamento de fevereiro. Ora se, ao que tudo indica, tivermos greve essa preocupação burocrática perderá o sentido já que o governo assumiu o compromisso de não pagar os dias parados.
A escalada da pressão magisterial se funda na reação a qualquer redução de direitos, sob o fundamento de que não há nada mais a ceder, argumento extremo também utilizado pelo governo em sua vigilância fiscal. Hoje na sessão de instalação da Assembleia Legislativa haverá mais pressão com a ocupação pelos manifestantes das galerias, abrindo a série de protestos que terá sequência na semana entrante com as sessões ordinárias.
Disposição oficial declarada é de não se deixar abater pelo cansaço das pressões e continuar mostrando que qualquer folga no ajuste fiscal nos lançará em situação quase correlata à dos Estados sob calamidade. O cabo de guerra está montado: só o fôlego não garante vitória. Se sair uma medida judicial em favor do governo, a correlação de forças muda e quem tem que pensar em Plano B é a APP-Sindicato, pois afronta judicial não é boa alternativa, ainda mais diante do que está por vir.

Faroeste
Segundo a polícia, o ex-prefeito de Piên é o autor da morte do eleito em atentado. Como chegou a essa conclusão, depois de investigações, prendeu o suposto autor.

Escracho
A polícia municipal divulgou imagens de menores infratores e se viu obrigada a retirá-las das redes sociais por manifesta ilegalidade, já captada pelo Ministério Público da Infância e da Juventude e pelo Conselho Tutelar. Essa ´´cultura´´ do escracho era muito comum na ação da reportagem policial do passado remoto: uma espécie de confiança em punição prévia. Requião, quando no governo, chegou a regulamentar esse ritual impedindo o escracho mesmo de criminosos, o que também não prosperou.
Imaginem no Brasil de hoje o público mórbido, por ver os ricos em maus lençóis, ficar sem as fotos de Sergio Cabral e Eike Batista de cabelo raspado e uniforme colorido? Há, no entanto, puristas do Direito que acham tudo isso sinal de execração, embora um maná bíblico para a massa de ressentidos.

Fazer o quê?
Depois de assegurar que Gustavo Fruet quebrou a prefeitura da capital, a Rafael Greca resta, por absoluta falta de recursos, fazer incursões de menor calibre daquelas de João Dória em cima de grafites e pichações. Ontem, deveria ter lavado o Calçadão, já transferido, mas quem deu um banho na área foi a chuva à tarde. Enquanto despista, põe no disparo o aumento que fuzilará o usuário dos ônibus, porém pretende uma renovação de frotas de 600 unidades que não cabe no orçamento de empresas tão quebradas quanto a prefeitura. Desses 600, 200 seriam da Volvo de alta tecnologia. Até aí na renovação o negócio será duríssimo.
Sabe-se, segundo o ponto de vista do cartel, que a tarifa técnica de março de 2017 a igual período de 2018 será de R$ 4,57. O recheio é o subsídio a ser pago por dois outros também quebrados: governos estadual e municipal. O que menos preocupa é o salário de motoristas e cobradores apesar de representarem 51% da planilha, pois com a bilhetagem eletrônica o cobrador pode ser, aos poucos, suprimido.

Feriados
A Fiep prevê perdas de R$ 3,2 bilhões com feriados neste ano, 4,42% do nosso PIB industrial e sugere para amainar o quadro com transferências da folga. Dá para lembrar aqui do clássico ´´O Direito à Preguiça´´ de Paul Lafarge, cubano-francês, genro de Karl Marx, que tratou de linha pioneira hoje explorada pelo sociólogo Domenico di Mais, o homem do ócio criativo. O feriado deprime uma atividade e fomenta outras. Dar escala industrial, por exemplo, a formas de lazer e turismo como o demonstrou a reportagem de Mie Francine Chiba nesta ´´FOLHA´´ é uma das saídas possíveis.

Folclore
A propósito de ´´escracho´´ lembro de um sensacional: o grande fotógrafo José Kalkbrener foi clicar um vigarista, que dera o golpe das ´´bortoletas´´ em Curitiba, e o advogado Filizola se interpôs entre os dois para impedir a foto e procurou agredir o repórter que sacou todo o lance, nos mínimos detalhes, como um cineminha com o desdobramento cênico das tentativas de agressão. Deu primeira página a sequência, o advogado mais irritado que o vigarista por não acertar nenhum soco e o Kakl com aquela sobriedade de atleta, campeão pan-americano de ciclismo, sorrindo germanicamente.

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