LUIZ GERALDO MAZZA
Centenas no índex
No momento em que for conhecida a extensão da lista de políticos citados nas delações premiadas da Odebrecht, se compreenderá a razão do ataque sorrateiro na Câmara Federal como um ato instintivo e de sobrevivência da fauna, já que teremos mais de 200 envolvidos do Congresso, razão pela qual personificando a resistência, Renan Calheiros, tentou votar a urgência no projeto inteiramente desfigurado. A reação do líder do Governo, senador Aloysio Nunes, contra o atropelo se fundou na sobrevivência da gestão Michel Temer porque a medida desmontava fundamentos éticos para a reação motivada contra o quadro recessivo enunciada no teto dos gastos e em outras providências voltadas ao campo trabalhista e previdenciário. O líder de Temer no Senado captou que ruiriam os eixos de solidariedade, indispensáveis para o esforço de retomada do desenvolvimento.
Essa a razão pela qual o presidente saiu do alvo das massas no domingo, não só porque pode vetar tanto o projeto desfigurado como o outro de abuso de autoridade ou ainda pela clara percepção de que neste momento teríamos o caos pela frente e, nesse quadro, a observação de Fernando Henrique Cardoso de que Temer é a ponte, mesmo que reduzida a pinguela, a única de que dispomos se evidencia naturalmente para transpormos o rio da crise.
De FHC há uma outra observação, não tão recente, de que o PSDB deveria acompanhar o governo, mas se esse mexesse na Lava Jato a ordem era a de pular fora. O governo, aliás, por seus zigue-zagues e contorcionismos, lembra o avião da Lamia que ocultava a falta de combustível para a aterrissagem na tragédia da Chapecoense: queda de seis ministros em meio ano (e há ainda pelo menos dois no disparo) é meio de suavizar o cronograma da sua transformação em farsa como na observação de Marx a Hegel sobre o fim da História.
Quatro anos de pobreza
Segundo projeção do Bradesco, o brasileiro deve empobrecer por quatro anos seguidos se a expectativa da expansão baixa da economia em 2017 se confirmar. Será a maior sequência de queda no per capita em 9,5% desde 2014. O cálculo de que a expansão da economia será de 0,3% no ano que vem é o fundamento dessa previsão.
Embora seja notória a capacidade de rápida recuperação da economia nacional, as indicações atuais levam a esse pessimismo. Se somarmos isso a uma crise política, poderemos ter uma ideia do tamanho do problema.
Obra de arte
Consequência das ocupações e greves na Universidade: a atividade escolar na Federal ira até fevereiro se não tivermos outros incidentes no caminho. Também no governo estadual as consequências de greves e ocupações pesarão fortemente. A colheita responde à semeadura, talvez mais dura do que devesse.
Ainda na UTI
Enquanto o Hospital de Clínicas melhora com mais pessoal e mais leitos, outra unidade relevante no atendimento ao SUS, o Evangélico de Curitiba viveu ontem o agito do seu corpo clínico e funcional em razão do atraso de salários. Fizeram passeata até a Boca Maldita e reclamam do repasse de verbas pela União e prefeitura de Curitiba. O pior de tudo é que a instituição permanece sob intervenção diante de desmandos cometidos.
Estranho
Menos estranho do que o pedido de adiamento por três sessões do projeto que pretende cobrar da prefeitura da capital em roubo de carros ou avarias na área do estacionamento regulamentado, foi o achado de documentos na sala da presidência ligados ao ex-dirigente João Claudio Derosso e ontem mesmo devolvidos à família até porque nada havia de comprometedor. Foi, porém, o suficiente para que a vereadora Professora Josete solicitasse explicações.
Muitos estão vendo no projeto que cobra responsabilidade no estacionamento (isso é óbvio no caso dos particulares) em dificuldades oposicionistas para Rafael Greca. A ideia nada tem de despropositada, mas é visível que não controlando o que fazem os flanelinhas como donos de "ponto", a área municipal não está preparada para essa adversidade inesperada.
Flanelinhas têm um tratamento como o dos lustradores de sapatos organizados em suas associações, todavia, às vezes, cometendo os mesmos erros de moradores de rua que, olhados como sagrados, abusam ao bloquearem o funcionamento de lojas comerciais, dormindo na calçada no horário comercial. Na sede do HSBC, do Juvevê, os moradores de rua, organizados em comunidade, ficaram meses, e durante o dia inteiro, sob a proteção das marquises. Foi longa e dura a negociação com educadores de rua para que deixassem o local.
Folclore
Jaime Lerner e a vice-governadora Emilia Belinati chegam a Londrina e o locutor de uma rádio anuncia que acabam de chegar o governador e a vice primeira-dama, uma simbiose da memória com os tempos de primeira-dama municipal e da vice estadual.





