LUIZ GERALDO MAZZA
Insubstituíveis, eis a questão
Na blogosfera, um informe especulativo: a perspectiva de Mauro Ricardo Costa, tzar financeiro, deixar o Paraná para aceitar o desafio fiscal do Rio de Janeiro. Hipótese levantada pela jornalista Roseli Abrão sugere um debate sobre a natureza do governo Beto Richa, seus recursos humanos e limites de substituição. Nenhum dos antecessores do atual secretário era jejuno, de Luiz Carlos Hauly a Luiz Eduardo Sebastiani, mas nenhum tinha pegada, punch, autoridade, para sobrepor-se politicamente nas pressões internas e ainda com o peso da férrea afetividade com o governador, o mais deficiente dos que tivemos ultimamente em termos de decisão, firmeza e determinação.
Mauro, mesmo como adventício, cuja importação teria sido sugerida por José Serra, tinha um currículo admirável justamente na perspectiva técnica em função de sobrepor-se por essa credencial a pressões de traço político. Argumenta-se quando se fala nos substitutos com o clichê de que o cemitério está povoado deles ou ainda cita-se o caso da Copa de 1962 quando Pelé teve que dar lugar ao "possesso" Amarildo. Mas a fauna a que nos estamos referindo é extremamente limitada, posto que a maior carência é mesmo a do governador que, além de não comandar, não expressar autoridade, dá bandeiras como a de convívio íntimo com gente vinculada a atos de improbidade.
Também não dispomos hoje, como no passado, de quadros fazendários e isso pouco tem a ver com o desfrute dos ligeiros apanhados na operação Publicano do Gaeco. Falta gente de expressão como havia nos tempos de realizações como as da série de governos de Ney Braga em diante e até mesmo ao primeiro de oposição de José Richa. Sempre me refiro aqui ao Ezequiel Honório Vialle, um referencial da carreira nos governos Munhoz da Rocha-Lupion e cujo assessoramento permitiu que num entrevero entre oposição intelectualizada (Acioly Filho, Mario Faraco e Hélio Setti, por exemplo) e um guarda-livros como Eugênio José de Souza, o Genico, esse, um notório simplório, levasse a melhor de forma contundente em convocação no Legislativo.
Se a substituição estiver encaminhada, há a ilusão de que com a última etapa (mais tapa do que etapa) do ajuste fiscal com a supressão do reajuste salarial do funcionalismo estaríamos nas proximidades de um oásis, enfim o mesmo cenário que afundou o Paraná na lua de mel com o poder desde a primeira gestão de Beto Richa, marcada pelo triunfalismo levado ao embotamento que arrastou as arcas do Tesouro.
Monitoramento
De vez em quando o Tribunal de Contas dá sinais de vitalidade como vimos na auditagem sobre empresas de transporte coletivo e agora na questão dos gastos inadequados e transferidos ao público na reforma da Arena da Baixada e na remuneração indevida de concessionárias do pedágio, ora em cima da EcoCataratas. Precisamos mais: nada há que impeça de ele ser no Estado o que o TC da União é no plano federal. Apenas as raízes políticas atrapalham, mas os mais convocados ao exercício aberto da fiscalização são os de carreira que devem ser o fermento das inovações por sua formação mais técnica.
Mais prensa
No encontro com prefeitos em Foz do Iguaçu, Beto Richa se referiu a alguns dos pontos do compromisso firmado com o governo da União em troca da partilha dos recursos advindos do repatriamento da grana enrustida no exterior: adesão ao teto dos gastos abaixo da inflação, corte de 20% nos cargos comissionados e supressão de reajustes a servidores por dois anos. Muito sacrifício por nada (fala-se em R$ 200 milhões e mesmo que haja um segundo turno com o novo prazo) e que agride a cultura tradicional, a de gastar mais do que se arrecada. Um barril de pólvora em troca de uma ficção transformada supostamente em ideia-força e que já leva multidões às ruas em protesto e dispostas à violência e ao terror.





