Conflito aberto
O choque intrapoderes nunca foi tão aberto, no Brasil, como agora. Do cronograma de ontem no STF, havia o julgamento de Renan Calheiros, aquele do atendimento de Mônica Veloso via empreiteira Mendes Júnior que, no passado, o havia levado a renunciar à presidência do Senado, no qual viraria réu. No Senado, com a presença do ministro Gilmar Mendes e de Sérgio Moro havia sessão pública em torno do abuso de autoridade já contemplado no projeto que distorceu a luta contra a corrupção e que Renan Calheiros tentou aprová-lo com urgência, barrado pela maioria.
Reações do Poder Judiciário, especialmente de sua presidente, ministra Carmen Lúcia, do procurador da República e de associações de juízes e promotores (como a havida em Curitiba diante do prédio da Justiça Federal), evidenciam bem o cenário tenso que estamos vivendo. Uma operação de cabo de guerra entre poderes à luz do dia e também por vezes tramada na madrugada, como se deu com as emendas que desfiguraram o projeto de iniciativa popular, modelado pelo Ministério Público, e no qual o ministro Gilmar Mendes captou vezo autoritário que já enunciara antes.
Uma coisa é o debate franco das partes, outras as ações à sorrelfa. E esse debate no Senado é como a face visível do iceberg, sabidamente menor do que a parte que oculta. Trava-se uma luta em torno de raios de autonomia: se uma presidente com mais de 70 milhões de votos é derrubada ainda que cerimoniosamente em rituais tidos como jurídicos e da mesma forma se cassa o presidente da Câmara Federal, no mesmo momento em que a esmagadora maioria da classe política é enquadrada com as delações e provas da Lava Jato e cuja etapa mais forte há de ser seguramente a que virá das intervenções premiadas da Odebrecht, torna-se difícil saber se todos os chamados serão, biblicamente, por esse caminho, escolhidos ao contrário da promessa de redenção que favorece poucos.
É o caos anunciado e a reação primitiva, mas vista como defesa possível da fauna acuada, joga no lixo todos os fundamentos do Direito nas emendas do projeto de iniciativa popular e que atentam contra o que há de essencial nessa moderna "provocatio ad populum" de nossa ainda precária busca da democracia direta entronizada na abertura da Carta de 1988. Impossível prever no momento atual uma hipótese de acomodação, o consenso inviável, o que faz das reivindicações econômicas como a do limite dos gastos uma ingenuidade radical, o país real com sua crise sufocante às voltas para reconstruir o Brasil ideal. A saída é o mistério, o último a sair que apague a luz se é que persistirá acesa.

Cartel
Procedimentos de postos de combustíveis, em torno de alinhamento de preços, são os mesmos em todo o Paraná, mas só em Londrina que tiveram administrativa e também judicialmente a caracterização de cartel. Mais da metade dos postos foi enquadrada.

Transição
Pelo menos o prefeito atual de Curitiba e o futuro trocam ideias: Fruet não vê sentido na proposta de seu sucessor em trocar o metrô (sabidamente inviável para as condições tanto do Brasil como dos governos municipal e estadual) pela conclusão da Linha Verde pela apropriação das verbas contempladas e Greca pede ao seu antecessor que cancele já a oficina de Música programada para janeiro de 2017. Gustavo Fruet resiste pela tradição do evento.
Aliás, a recuperação fiscal em andamento em torno do ISS e IPTU pode melhorar o caixa para quando Rafael Greca assumir. O pepino mais indigesto de Fruet foi a herança recebida de Luciano Ducci e o primeiro orçamento estrangulado, o que se repete agora. Muito difícil ajustar as promessas de campanha, especialmente a do segundo turno, com a aridez de recursos.

Centro de convenções
A maior parte dos centros de convenções do Brasil é deficitária, a despeito do seu porte por vezes ornamental. O governo Beto Richa quer, há muito tempo, livrar-se do existente que é acanhado demais para a função e gerador de prejuízos. A rede hoteleira da capital conta com unidades adaptáveis à função, a maior parte de pequeno porte, e há ainda o improvisado de Pinhais e as instalações da Fiep, cuja ociosidade tem alto custo. Iniciativa privada quebrou a cara na área no Shopping Estação, modulável e bem adaptado à função. Como o turismo de Curitiba é o de negócios e de eventos, o correto seria uma iniciativa público-privada com solução definitiva, claro quando passar a tempestade recessiva.

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