Abalo moral
Além de se ver obrigado à defecção de vários ministros anteriormente, o governo Temer perdeu mais um - e como os demais - envolvido na falta de demarcação do público em relação ao privado. No fundo uma operação corriqueira, das que ocorrem a todo instante na pátria amada em prefeituras, governos estaduais e União em cima da advocacia administrativa, o jeitinho aureolado pelo cupinchismo, a lealdade mafiosa.
Dessa feita o ministro denunciante, Marcelo Calero, ex-ocupante da pasta da Cultura, além de entregar o Geddel Vieira Lima, também colocou mal outros da hierarquia ministerial inclusive o presidente Michel Temer. Como sabia que viriam versões diferenciadas dos acontecimentos, tomou a cautela, como se estivesse a imitar o cacique Juruna, de gravar as admoestações recebidas por hierarcas do poder. Essa história da gravação foi negada pelo denunciante, mas a versão persiste. Como notaram que o diplomata usava uma barbicha, um silogismo o apontava como um resistente e daqueles históricos do PT do tempo em que se repudiava a corrupção como coisa do demônio e da apropriação do espaço público pela burguesia decadente, a elite embotada.
Embora o caráter de praxe desse tipo de mediação, ela se deu num momento sensível da sociedade diante da corrupção, que tem bancada forte no Congresso Nacional e capaz até da façanha de autoproteger-se com a anistia nos delitos convergentes do caixa 2. Pergunta-se: há moral num governo desse estilo para comandar a virada contra a recessão? Pode ter condição mínima para essa missão de impor sacrifícios gerais em nome da austeridade?
O delito no caso não chegou a ser consumado, mas exibiu o poder de fogo da tribo. Aqui no Paraná, em escala menor, em fato consumado, há o episódio do Ezequias até agora protegido "ad nausean" pelo governador que o ampara com o foro privilegiado de uma secretaria, aliás adequadíssima, a do Cerimonial, apesar do abuso de transformar a sogra em funcionária-fantasma e para usufruir-se dos ganhos dos quais nem ela tinha conhecimento. Há um mérito na ação de Beto Richa ao apoiar o companheiro, então chefe do seu gabinete, ainda quando deputado estadual, na devolução da grana maldita ao erário. Seria algo como se Temer encerrasse o caso do prédio na Bahia com apoio expresso ao veto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico à pretensão imobiliária do seu colega de ministério.
Também fica assentado que não é assunto de Estado para o presidente da República envolver-se como fez ao tentar convencer o ministro resistente. Claramente, uma coisa menor para quem tem pela frente demandas tão delicadas e estratégicas.
Em andamento um esforço enorme de recuperação da imagem presidencial presente na mensagem de Geddel e de tantos outros,

Fatura liquidada?
O governo acha que liquidou a fatura da LDO com a decisão de anteontem, em que pese o trauma dos sustos com liminares. Vai ficar sub judice como ainda permanece na questão do capital da ParanaPrevidência. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, valorizada com as intervenções do desembargador Jorge Vargas, será intentada no STF, onde existe, ao menos jurisprudência favorável num julgado do Ceará.
Único fator que favorece o governo é o colapso fiscal de quase todas as unidades federativas e cujo impacto pode influenciar na decisão. O desgaste persiste, porém, dessa feita houve cuidado para que medidas preventivas impedissem o confronto desejado pelos mais radicais.

Na rua de novo
Espera-se que algo com as características do movimento de massas de 2013 volte às ruas para defender a integridade da Lava Jato e de sua força restauradora ameaçada pela mobilização parlamentar governo-situação e até quadros do PT empenhados na anistia do caixa 2. Ocorre que, nesse momento, a maior parte das manifestações é contra o governo Temer e não cogita de questões éticas e morais para eles pudores da pequena burguesia.

Piorou de leve
Depois de dois meses com as contratações superando as demissões, tivemos em outubro um saldo negativo de vagas da ordem de 387 no Paraná, o que configura 0,01% do estoque de assalariados. Acumulado do ano é uma queda de 21,7 mil vagas. Mais argumento para justificar cautelas do Estado como o bloqueio ao reajuste dos servidores estaduais que paga ainda 50% do décimo terceiro até o fim do mês.

Folclore
Quantos arranjos devem ter ocorrido no Paraná, especialmente Curitiba, em relação a normas de proteção ao patrimônio histórico e artístico tal qual o caso da Bahia? Por exemplo: o prédio, hoje pertencente ao Tribunal de Justiça na Rua Mauá, era tombado por estar ali situada a fábrica de pianos Essenfelder, pioneira no país. Da mesma forma, a Mansão das Rosas da família Fontana, à frente do Colégio Estadual do Paraná, referencial do ciclo ervateiro, também hibernada, foi transformada num conjunto de condomínios.

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