LUIZ GERALDO MAZZA
O marco institucional
Vivemos um momento de grandes conflitos nacionais e, como a oposição é numericamente fraca, tende a apostar em rebeliões acopladas a movimentos sociais e sindicais no estímulo a greves e ocupações do espaço público. Isso se dá em nível nacional e local, mas a oposição regional decidiu inovar e optar pela trilha institucional e ir à Justiça contra o ato governamental que suprime o compromisso do reajuste automático. Decisões recentes da primeira instância favorecem o entendimento que pode ao menos, através de liminar, criar um desconforto para o Executivo habituado a deitar e rolar com sua maioria aliada.
Indispensável, porém, demonstrar, de forma cabal, quem quebrou o Paraná para neutralizar essa conversa mole de que somos um exemplo de equilíbrio fiscal (como sempre a analogia é com Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro) e isso cabe na denúncia e também nos embates de plenário. Outra coisa: impedir, por todos os meios, que o governo atenda desigualmente os supostamente iguais como fez anteriormente repassando a inflação cheia ao Judiciário, Legislativo, Procuradoria da Justiça e Tribunal de Contas e negando-a apenas ao Executivo, como se deu, e compensando-o com o parcelamento. Manter a greve e ocupações é um recurso antipático, agressivo e rejeitado pela opinião pública até pelos problemas que gera para a maioria. Além de tudo, já deu estresse e fadiga do material como se viu na penúltima assembleia de professores em que de pouco mais de mil que lá estavam uma diferença de apenas cinco votos foi pela manutenção da parede, ratificada pela segunda aprovada, fácil, por aclamação, pelo fim das hostilidades. Fazê-lo é deixar-se levar pelas razões políticas dos que tentam transformar o teto dos gastos numa batalha de vida ou morte em nome de uma oposição esmagada nas votações do parlamento e também nas eleições recentes.
De novo
Não é influência de Trump, mas o porto de Paranaguá se viu de novo às voltas com dois viajantes clandestinos, desta vez da República da Guiné, apanhados pela vigilância portuária,
Boas de volta
Linguagem de jogo de bolinha de gude: boas de volta de mais de R$ 200 milhões devolvidos à Petrobras por força de acordos de leniência, multas e outras sanções como decorrência de fatos ligados à Lava Jato. E vai ter mais inclusive ajudando a influenciar o pessoal, que tem grana indevida no exterior, interessado no processo de repatriação com o novo prazo. O comunicado foi feito ontem pela Procuradoria da República.
Aperto
Pelo jeito, a Secretaria da Fazenda se impôs como fiadora da austeridade e determinou que a pasta da Educação cancele as atividades de contraturno (de arte e esportes) num esforço máximo para baixar os dispêndios. Ficaria melhor uma penitência, a da proclamação da verdade, a confissão da quebra fiscal que já serviria como argumento em favor do veto ao reajuste automático em janeiro. Se cortar o cafezinho e a água mineral tudo fica mais nítido.
De tornozeleira
Quem está de tornozeleira eletrônica é o engenheiro Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor, a empresa envolvida nos desvios de recursos de obras escolares da operação Quadro Negro, que se encontrava em prisão preventiva. Esse caso, tanto o do roubo nas escolas como o da gangue de fiscais que assaltava o erário, é indispensável a divulgação, da mesma forma que Sérgio Moro mostra o caso de Cabral como exemplo da quebra do Rio: enquanto uns se locupletavam agora a crise atinge a todos, especialmente os mais pobres. Aqui também as apurações do Gaeco tentam, em escala menor, fazer com que vejamos na corrupção um dos fatores da crise que a todos envolve. Afano em construções escolares ou por ação de fiscais da Receita Estadual ajudam a mostrar por que quebramos.
Mau exemplo
Nosso governador é mau exemplo: amigos pessoais e de relativa intimidade, com os quais dá arrancadas automotivas ou partidas de tênis, envolvidos até o pescoço em corrupção nos casos da Publicano e da Quadro Negro. Isso parece não ser captado por ele como se tal fato não gerasse a presunção constrangedora do trânsito livre. Não é pior, mas se junta ao episódio Ezequias, superprotegido com o privilégio de foro na condição de secretário, embora apanhado na trama de enganar a sogra, fazê-la funcionária-fantasma, sem conhecimento do assunto, da Assembleia e apropriar-se da grana drenada para sua conta pessoal.
Folclore
Piada corrente na internet: Sérgio Cabral está lembrando em tudo a decisão do Campeonato Brasileiro de 1985 por ficar entre Curitiba e Bangu.
E, ainda por cima, com os cabelos raspados que não melhoraria de visual colocando guardanapos na cabeça como fez num oba oba na Europa em momento de fastígio, ora explicados e muito bem entendidos.





