Marcação pessoal
Servidores estaduais decidiram, por seu fórum representativo, exercer a marcação pessoal, como se viu ainda ontem quando os primeiros rituais da lei orçamentária foram praticados, sobre os deputados, alvo da mobilização na parte relativa a pessoal. É o "aquecimento" para o momento de combate quando a matéria for levada à votação: ate lá, tudo se fará no sentido de manter a categoria unida nas galerias da Casa e também nas ruas e na perspectiva ainda de retomada possível da greve e das ocupações, adequadíssimas ao clima que toma conta do país em rumo acelerado para a anomia.
O cerco do Legislativo estadual do Rio por causa do arrocho (que já produziu desistências como a de não cobrar os 30% de desconto para a previdência) e mais a invasão da Câmara Federal por uma centena de manifestantes que pedem a intervenção dos militares e agitos próximos, como o da greve de motoristas e cobradores do transporte coletivo no dia 25, dão a ideia de que entramos num ciclo mal direcionado já que cada segmento tem uma razão para esse tipo de ativismo, o que nega um sentido de coordenação, todavia favorece a oposição, hoje desarmada para o combate parlamentar pela desproporção de forças.
A fragilidade do governo é manifesta, como se viu na ocupação das escolas e, mesmo autorizado pela Justiça, não teve peito de fazer o seu cumprimento pela polícia e no Rio de Janeiro houve coisa pior com PMs deixando de conter a massa enfurecida para irem ao cúmulo da solidariedade com os rebelados. Um exemplo desses frutificando é o que basta para solapar a autoridade já afrontada pelos recuos para evitar desgaste político.
O que há de melhor aparência institucional é da Lava Jato, ontem contemplando a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o que deve fortalecer a classe política envolvida e desesperada para que se "estanque a sangria" como acentuou o líder do governo, senador Romero Jucá.

Demissão
Nenhum dos 71 auditores fiscais envolvidos nas roubalheiras da Publicano, afora o enquadramento judicial e o processo administrativo, sofreu qualquer punição, mas o delator do esquema, auditor Luiz Antonio de Souza, foi demitido por ato recente do Executivo. Ora, uma das declarações do delator foi a de que dinheiro achacado por fiscais em cima de contribuintes irrigou a campanha da reeleição de Beto Richa, assunto que está sob inquérito no STJ. O advogado do fiscal demitido, Eduardo Duarte Ferreira, estranha: "Não há sistema jurídico no mundo, administrativo ou penal, em que o acusado pode julgar o acusador".
Luiz Antonio, em razão da Publicano 5, havia perdido os benefícios da delação premiada por ter inclusive voltado a praticar crimes mesmo dentro da prisão.
O incrível é que no momento em que mais se carece da ação fazendária diante da crise, visível na quebra fiscal, há tanta gente da hierarquia envolvida na corrupção tida como liderada pelo parente distante do governador, Luiz Abi Antoun, já condenado na Voldemort.

Agora os profissionais
No momento em que acompanhava seu cliente, o doleiro Youssef, que deixava a prisão, o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, declarou aos jornalistas: "Agora é que a Lava Jato chega nos profissionais!". Como se José Dirceu e também o Eduardo Cunha fossem "dentes de leite" para usar o jargão da bola. Seria o ex-governador Sérgio Cabral o primeiro dos profissionais?

Folclore
Ernesto Luis de Oliveira, mestre de agronomia, fazia preleção a agricultores da Lapa e falou da bosta como adubo. Escandalizado,. Um editorialista do "Diário da Tarde" chamou-lhe a atenção, sugerindo que usasse um eufemismo. Oliveira replicou com o texto "O elogio da bosta" que é um dos momentos de nossa vida acadêmica. Famoso por polêmicas com o criminalista italiano Enrico Ferri e teólogos, seu maior orgulho era ser pai do Luisinho, atacante do escrete brasileiro de 1938 e do São Paulo.

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