LUIZ GERALDO MAZZA
Abafa em andamento
O ministro Luis Roberto Barroso, do STF, mostrou a necessidade de a sociedade e suas instituições permanecerem em estado de alerta contra a operação abafa da Lava Jato: ela vem de formas sutis como as contidas na advertência de FHC pretendendo que se puna infratores, mas que se resguarde as empresas ou acrobacias mais ofensivas como as que ligam a devassa à paralisação da economia nacional e à perda de empregos ou ainda as mais ousadas como as tramadas pela classe política prevendo o estouro da boiada que virá com as delações da Odebrecht até aqui mal conhecidas, todavia dotadas de um poder arrasador para as gangues que se cevam no erário público.
O plano está em andamento e em vários fronts e as consequências inevitáveis chegarão, por certo, à mais alta corte de Justiça até aqui sincronizada nas suas ações pelo ministro Teori Zavascki, relator-chave do processo da Lava Jato, e visível em decisões como a que consagrou a prisão pós julgado de segunda instância e tantas outras que fixaram uma jurisprudência saneadora a um poder que tem sido extremamente tolerante no julgamento de políticos na evidência de que um terço dessas ações no STF prescrevem, alicerçadas e consequentes ao princípio discutível do foro privilegiado. Assim um exame desse fato é suficiente para mostrar que a corte admite essa tolerância nos seus excessivos rituais e praxes formalísticas.
O fato é que da tentativa de "melar", tantas vezes evidenciada, estamos agora com o risco de uma operação que se fundará, hipocritamente, até no salto do país para a recuperação, meta de difícil probabilidade, mas sempre acionável pelos pregoeiros de plantão. Agora vejamos o que vem das delações premiadas que, segundo indicações, saem das dependências da Petrobras para outras e também relevantes áreas estratégicas do país.
Prodigalidade
É estreita a margem de movimentos que o governo federal tem para atender a demandas das unidades federativas e compatibilizá-las com as cautelas fiscais, tanto que estaria autorizando os estados, mesmo os asfixiados pela burla da lei de responsabilidade fiscal, a captar crédito no exterior oferecendo como garantia receitas futuras. Ainda ontem o mais quebrado de todos, o Rio de Janeiro, esteve reunido com o Banco Central para montar sua operação na receita futura de royalties do petróleo, um suprimento que não houve na crise que afundou a unidade federativa que apostara tudo na fantasia dadivosa do pré-sal e em nome do que inúmeras ações foram desenvolvidas, algumas inclusive parte das propinas da Lava Jato já claramente mostradas.
É difícil compatibilizar tais medidas com qualquer mínima noção de austeridade como a busca da discutida Proposta de Emenda Constitucional do teto dos gastos. Aperta-se um setor com rigidez e abre-se outro para situações circunstanciais. Pedagogia conflitante e negativa, algo que lembra a patologia da bipolaridade.
Pendular
Nossa área de segurança é pendular: no mesmo instante em que expõe fragilidades como as detectadas na explosão de quatro das cinco agências bancárias de Terra Rica, anuncia a prisão de gangue, especializada em roubo de joias, que opera desde 2009 em vários estados, e que teria alcançado o inacreditável faturamento de R$ 13 milhões. Entre as vítimas da quadrilha aparecem um ex-ministro do STJ e um ex-secretário paranaense. O modus operandi do grupo mais se ajusta a um filme de James Bond tanto as sofisticações como apartamento de luxo e ações em várias unidades do país. Lamentar o caso de Terra Rica dada a frequência desse tipo de crime e exaltar o feito arrojado é a saída para manter um mínimo de esperança no setor que o mais das vezes expressa uma coisa só: ausência de governo.
Abuso
No feriadão repetiu-se o feito: excesso de velocidade nas estradas com três motoristas a mais de 190 km por hora e um motociclista a mais de 200.
Mais suspeitos
A polícia tem mais dois suspeitos como participantes do crime horrendo do Centro Cívico do esquartejamento de uma mulher.
Novidade
O líder do governo, Luiz Claudio Romanelli, quebrou a inércia com relação ao trâmite das matérias ligadas à Lei 0rçamentária Anual ( LOA), no que diz respeito às negociações entre o governo e os funcionários estaduais sugerindo novidades, nesta semana, quanto às demandas dos atrasados em progressões e promoções e o reajuste automático da categoria em janeiro de 2017. Suspense, nada mais.
Folclore
O prefeito de Terra Rica vem a Curitiba para um contato com a Secretaria de Segurança em função de ataques sequenciais a caixas eletrônicos da região: das cinco agências operantes, a do Banco do Brasil não se reorganizou, quatro foram alvo dos criminosos nesta semana. E não faz tempo que elas sofreram ataques também não solucionados. Se sofrer mais um ataque, para despertar a atenção do governo, a saída é mudar o nome do município para Terra Pobre, o que afinal tem tudo a ver até na mesmo no sentido de impotência que expressa em forma de uma anedota mórbida.





