Escassez de quadros
Costuma-se valorizar demais o tema da falta de quadros políticos no Paraná (a propósito o Valdir Rossoni, que já pretendeu ser senador junto com o Traiano, admite que pode disputar a sucessão de Beto Richa) quando a maior potência do mundo se revelou tão precária, inclusive na vitória de um não engajado. De 1982 para cá, pintaram no pedaço José Richa e o filho, os irmãos Dias, Requião e Lerner e convenhamos que o "mix" não é tão pobre assim numericamente, posto que no exame subjetivo de qualidade a coisa entorte.
Essa falta de renovação se reproduz em todo o país e mostra que não podemos empinar o nariz e olhar o Nordeste como feudal. Houve melhoras: o filho do Renan Calheiros perdeu e o Maranhão ficou livre dos Sarney. Percebe-se que a despeito de termos uma sociedade mais complexa e moderna em nada melhoramos no conceito de representação. Dias passados lembrei da opção de 1950 entre os engenheiros Munhoz da Rocha e Ângelo Lopes para o governo estadual que levou o próprio Getúlio Vargas, candidato presidencial, em hesitar numa opção pela notória competência dos disputantes, o que é raríssimo acontecer.
De lá para cá, afora as disputas entre Ney Braga e Nelson Maculan em 1950 e a de 1965 entre Paulo Pimentel e Munhoz da Rocha, ficamos girando em torno do carrossel já referido. E esse amesquinhamento das alternativas chega agora à sublimidade com as alternativas possíveis para 2018 correspondente ao quadro nacional do qual está riscada a esperança. A pobreza é tamanha que setores do governo estariam interessados em aliar-se a Osmar Dias, o melhor situado até aqui nas pesquisas. A escassez de quadros levou, ainda agora na eleição de Curitiba, o governador Beto Richa a apostar fichas em Rafael Greca. Já no pleito anterior, o PSDB do governador não tinha gente habilitada e apoiou seu vice do PSB, Luciano Ducci.

Cicloativismo
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc), com a instalação da ciclofaixa na Avenida Sete de Setembro houve na área um incremento de 132% em bicicletas. Há quem se queixe dessa solução por preferir ciclovias de verdade, todavia não se pode negar o adensamento dessa modalidade mais esportiva de trânsito.

Trampas em ação
Nos Esteites, o Trump; aqui, o predomínio dos trampas na política, a maior parte da fauna assim classificável como se vê na Lava Jato, inclusive na mobilização do governo em estancar a sangria com o projeto sobre acordos de leniência da liderança chapa branca. Há muito são desfechadas medidas contra a força-tarefa no empenho em melá-la e esse desforço dos acuados era de esperar-se. Não basta a vigilância de delegados, procuradores e juízes, pois indispensável se torna a do conjunto da sociedade, ainda mais nesse momento em que há acusações renovadas contra o presidente Michel Temer em cima do julgamento da chapa da reeleição no TSE. De repente, cria-se a fantasia de que o presidente é o homem providencial para o país sair da crise e busca-se blindá-lo nas ações judiciais. Ficar de atalaia é um ato de resistência e sobrevivência.

Caminhão sinistro
Laudo da tragédia da PR-323 (a omissão também do governo na qualidade das rodovias) indica que o caminhão atravessou a pista para atingir o ônibus. Ontem, uma ação concentrada em estradas federais e estaduais em cima de caminhões com carga perigosa, feita pela Polícia Rodoviária Federal e Defesa Civil, apurou que em 42 caminhões 35 estavam irregulares quanto às normas de segurança. Não bastasse a má condição das estradas, mais isso. Um caminhão tanque de combustível transportava óleo vegetal e foi apreendido.

Otimismo
Associação Comercial do Paraná estima um aumento de 4% nas vendas de Natal. Ano passado esperava alta de 5% e tivemos queda de 15%. O clima é de otimismo tanto que as lojas estão se enfeitando adiantando a promoção. Dá para lembrar a anedota do menino otimista que achou excremento no seu sapatinho natalino e saiu gritando "ganhei um cavalo!".Quem mais ganha cavalo no Paraná é o senador Requião.

Museus
Uma boa iniciativa cultural, marcada para o fim da próxima semana, 19, é a de "uma noite no museu", ideia decalcada do filme, para crianças. Pretende-se fazê-la no Oscar Niemeyer e visa desenvolver o hábito de frequentar museus entre as crianças. Quem foi pioneiro nesse tipo de iniciativa foi a Biblioteca Pública, nos anos 50, com o centro infantojuvenil de artes plásticas aos cuidados de Guido Viaro (que já o fizera no Instituto de Educação) e o de instrução musical, inclusive com bandinha.

Folclore
A transição da máquina de escrever nos jornais para o computador foi mais rápida, mas me lembro que nos anos cinquenta e sessenta ainda havia quem preferisse escrever à caneta ou lápis tinta, o que deveria ser um drama para o cálculo dos espaços na paginação. Um dos polemistas da época, o poeta Barros Cassal, usava lápis tinta e sua boca lembrava a dos monges de Umberto Ecco, tantas vezes que salivava o meio de trabalho.

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