Saga dos revolucionários
Uma aura revolucionária sempre marcou a liderança mais forte do PT, razão pela qual aquele debate histórico entre Collor e Lula soou como se Fidel estivesse em confronto com Fulgêncio Batista decidindo o destino final de Cuba. Com a marcha dos acontecimentos e a chegada ao governo seguida dos incidentes de percurso no mensalão e petrolão, percebeu-se que petistas evitaram saídas como delação premiada sofreram as consequências das condenações, mesmo os abominados como André Vargas ou ainda os seus vários tesoureiros, cada vez mais enrolados.
Mas agora no julgamento da dupla Dilma Rousseff-Michel Temer pelo TSE, a defesa da ex-presidente envolveu o seu sucessor e colega de chapa como beneficiário de possível propina de R$ 1 milhão da Andrade Gutierrez. Entregar "companheiro" de aliança não é o mesmo que fazê-lo com correligionário, afinal companheiro de viagem. Isso para lembrar aquela manifestação de Dilma sobre a deduragem da Lava Jato que a entendeu similar à dos que faziam o mesmo no regime militar, a alcaguetagem sinistra, o que não tem o menor propósito já que colaboração com a lei não é o mesmo do estabelecido com o das masmorras e órgãos de inteligência do regime militar, afinal a antilei.
O curioso é que esse processo, o que impugna a chapa da reeleição, foi movido pelo PSDB com o propósito de apurar indícios de que a campanha tinha sido irrigada com grana desviada da Petrobras como a daqui, provincial, na reeleição de Beto Richa, sofreu a acusação de haver aproveitado dinheiro desviado das roubalheiras de fiscais. Como dizem os defensores do status quo caixa dois ou recursos não contabilizados fazem parte da rotina dos nossos rituais.
Com relação ao debate Collor-Lula, no primeiro o metalúrgico levou a melhor, mas no segundo perdeu-se e foi goleado e, além disso, houve a edição nada respeitável da Globo, um dos maiores escândalos de manipulação de nossa história política. A sequência dos fatos mostrou que não se pode olhar a ocupação do aparelho estatal e mais ainda dos fundos de pensão e das agências reguladoras, supostamente na linha de Gramschi, como revolucionária e sim como um simples ato de pilhagem para benefícios pessoais, já que não consta que o arrecadado tenha sido colocado a favor de projetos igualitários e de ascensão da classe proletária.

Moleza
Não sessão de ontem do Legislativo estadual apenas um item relativo a um veto do governador e o aviso de que a Casa só volta a funcionar na quarta-feira (17), recesso de conveniência. Urge guardar energia porque o novo pacote fiscal, aquele que segura o reajuste salarial, vai ser encarado com as galerias lotadas e motivado ainda pela continuidade das negociações. Por sinal que o Tribunal de Contas não pode e nem deve recuar no seu entendimento de que a operação do saque no capital da ParanaPrevidência, aquele dos 33 mil inativos, que eram pagos pelo Tesouro e passaram à responsabilidade do fundo de pensão, incide em gastos óbvios com pessoal. Caso contrário, teríamos uma segunda pedalada igual àquela que levou o governo ao massacre de 29 de abril. Pedalada tucana sempre é menos grave como se dá em todos os casos de corrupção como o do Azeredo que precede o mensalão e outros tantos como os relativos a trens e metrôs em São Paulo,

Folclore
O mundo amanheceu em pânico, e isso ficou demonstrado nas convulsões das bolsas da Ásia, com a eleição de Donald Trump. A pergunta me foi feita na CBN sobre o que seria agora do mundo e refleti: "Nós, aqui no Paraná, tivemos três vezes o Requião e sobrevivemos. Afinal, expectativas sombrias se criaram em torno de Nixon e Ronald Reagan e tudo passou, o primeiro jogou pingue pongue com a China e o segundo surpreendeu na direção da concórdia" e num dos melhores momentos da economia do país.

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