O desmantelo geral
Os descalabros das instituições de Segurança foram postos novamente em realce com a situação crítica do Instituto Médico Legal de Londrina sem efetivo e equipamentos para perícias ginecológicas fora do horário, até porque não há mais plantões, e relatado em detalhes na reportagem documental desta FOLHA pela jornalista Carolina Avansini. Vítimas de violência doméstica e sexual passam pelos maiores constrangimentos como o de esperar, sem tomar banho, até o dia seguinte para fazer a perícia ginecológica. Até à falta de uma lâmpada os profissionais se valem de iluminação de celular como alternativa.
É o desdobramento cênico, ao vivo, de tudo aquilo que foi relatado na greve do Sinclapol e que o governo, impotente pela incúria fiscal, não sabe como responder por não ter como se ainda agora sua prioridade é convencer o funcionalismo, nas negociações em andamento, de que não tem como pagar o reajuste de janeiro do próximo ano. Seu argumento sempre no caso é de mostrar a situação do Rio de Janeiro (que deve tirar 30% de cada servidor para tentar equilibrar a previdência) ou a menos dramática do Rio Grande do Sul para mostrar que não estamos tão mal assim.
Policiais civis afirmavam, em greve, que suas reivindicações eram institucionais e que atendê-las não traria impacto orçamentário dentre as quais elencava o Estatuto da categoria, há anos arquivado. O caso do IML de Londrina se reproduz em vários fronts dentre os abordados pela greve como o do sucateamento da frota de veículos e a tragédia, que imobiliza a autoridade, das prisões distritais com sua imensa sobrecarga e a espera de construção de novas penitenciárias. Mesmo não carregando no item econômico – o das progressões e promoções atrasadas e do reajuste automático ora negado - a descrição do ambiente de trabalho é dramática e é notório que o governo paranaense não tem recursos para enfrentar essa conjuntura.
Ao lembrar que poucas unidades federativas tem como pagar o décimo terceiro, o que já estaria assegurado, e ao antecipar o pagamento de outubro tenta com isso ganhar um mínimo de empatia nas suas falas com o funcionalismo. Ocorre que a credibilidade do governo é zerada ante suas afirmações contraditórias, ainda há pouco tempo, de que estávamos no nirvana e isso sem considerar que a lei das promoções e progressões em abril completou quatro anos de atraso.

Plenário mais consistente
Agiu bem o governo em transferir para ontem o reinício das negociações com o funcionalismo ante a impossibilidade de pagar ao mesmo tempo os atrasados das progressões e promoções, hoje em marcha para meio bilhão, e o reajuste automático que foi cabulado anteriormente para os servidores do Executivo. E, de sua firmeza em não admitir no diálogo a quem estivesse em greve, conseguiu que algumas universidades estaduais suspendessem a parede em favor da retomada das conversações.
A dificuldade está em os porta-vozes do governo, o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni e o da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, convencerem que a situação é anômala, embora mostrando absurdos como o revelado recentemente que as despesas públicas cresceram em mais de 10% enquanto a arrecadação não chegou a 1,5% de incremento, mesmo com "CPF na nota" e tudo o mais que diz respeito à fiscalização enodoada pelos chunchos da Operação ´´Publicano´´.

Cida, candidata
Impelida provavelmente pela divulgação de pesquisa de intenção de voto para o governo estadual , que coloca os irmãos Dias, Alvaro e Osmar, em destaque mais o Ratinho Júnior, a vice-governadora Cida Borghetti enviou aos meios de comunicação áudio em que se declara candidata antes de assumir provisoriamente o governo em substituição a Beto Richa que se afasta para disputar o Senado. Assim, como na eleição recente em Curitiba, o governo já tem dois candidatos no mínimo dentre os que integram a sua base política.
O teste eleitoral da família foi mal na eleição em Curitiba com Maria Victória figurando em quarto lugar, ainda que à frente de Requião Filho, e pior ainda em Maringá com a derrota em segundo turno do cunhado, Sílvio, que tentava retornar à prefeitura com todo empenho do irmão ministro da Saúde, liderança maior do grupo.

Folclore
Das ocupações recentes a mais criativa foi a do setor de artes da Universidade Federal: eles fizeram 20 horas de danças na rua, ontem, numa referência aos vinte anos do teto dos gastos do governo federal. Insurgem-se contra a PEC a respeito e também à Medida Provisória de reforma do ensino médio. Esperam, obviamente, ainda que muito bem orquestrados, não "dançar" nas causas.

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