Veto acertado
A interrupção das negociações pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, ao constatar que entre os negociadores estivessem professores universitários, que afinal se mantêm em greve e em alguns casos de ocupação, o que contaminava qualquer hipótese de acordo, é serena e revela uma disposição menos condescendente do governo às tramas sindicais. Nem todos acataram o veto, mas o pessoal da APP percebeu que se tratava de algo inapropriado, já que um lado cumprira a sua parte, a de retirar a mensagem do Legislativo que suprimia o reajuste, e o outro não, uma vez que grevistas não poderiam ser acatados como parte legítima da mesma forma que black blocs e mascarados com jeitinho de Ku-Klux-Klan. Se acata grevista, poderia fazê-lo com terroristas encapuzados, mania da moda nesse exercício mórbido de democratismo babaca e irresponsável, aquele mesmo que invadiu ontem ao mesmo tempo a Câmara Municipal em Londrina e o prédio histórico da Universidade Federal, este especialmente na violência, na capital. Segunda-feira será retomada a negociação sem infratores no encontro.
Atitudes de frouxidão alimentam a ousadia da rebelião tolerada e estimulada pela omissão da polícia, certamente para evitar que os efeitos políticos afundem a imagem de Beto Richa já tatuada pelo massacre de 29 de abril à conta do então secretário de Segurança, Fernando Franceschini, que tentou testar nova logística para enfrentar rebeliões e deu no que deu.

Burrice
Uma das burrices monumentais do governo federal, já tão discutido por sua origem e que dificulta a sua consolidação, está na produção, só agora, de institucionais em defesa da reforma do ensino médio quando mais esquenta a reação com as seguidas ocupações, algumas selvagens como a do prédio da Universidade Federal e insólitas como a da Câmara Municipal de Londrina. O clima, sem qualquer exagero, é de resistência civil e atingindo várias unidades do Brasil em nome de dois propósitos: hostilidade à MP do ensino médio e à PEC do teto dos gastos. Por sinal que, em alguns dísticos, manifestantes falam em revolução, mesmo com o sentido de um folguedo dominante na facilidade das ocupações. Quando a batalha está sob ameaça, o governo federal resolve lançar mão de peças de publicidade, como sempre razoavelmente bem feitas, para ganhar o público de forma tardia.

QG na sinagoga
Como uma das áreas mais fortes da violência, ligada ao tráfico de drogas e ao trotoir, no centro de Curitiba, abrangendo do entorno da Catedral Metropolitana a todo o chamado Setor Histórico, reclamava uma unidade permanente da Polícia Militar decidiu-se instalar um batalhão na antiga sinagoga Francisco Frischmann que abrange as ruas Saldanha Marinho e Cruz Machado. Justamente ao lado do antigo templo funciona um cracódromo na praça Santos Dumont bem perto do prédio da Secretaria de Cultura.

Enem
No Brasil, os gastos provocados pelas ocupações na realização do Enem chegam já a R$ 12 milhões (aqui só na área eleitoral com as mudanças de locais de votação foi R$ 3,5 milhões) e em Curitiba de 74 pontos listados eles atingiam ontem 77.

Sem Momo
A Fundação Cultural, de Curitiba avisou os dirigentes de escolas de samba que não há recursos para o Carnaval e que o assunto deve ser tratado com a nova administração. Esse é apenas um dos muitos pepinos que ficarão pendentes para janeiro e, certamente, serão tratados agora nos entendimentos do grupo de transição. O subsídio dos ônibus para o governo subirá para
R$ 13 milhões mensais, segundo especialistas, o que indicará descontrole na gestão fiscal e aquece a cuca de Mauro Ricardo Costa.

MST
A prisão no Oeste de integrantes do MST acusados de roubo de gado e cárcere privado levou a direção dos sem terra a um manifesto em que tudo o que se dá ali é desdobramento do problema da Araupel e que visa criminalizar os lavradores que ocupam áreas na região. Há, inclusive, insinuação de interesse do chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, nas demandas.

Folclore
Um londrinense, que mora em Londres e exerce a profissão de cabeleireiro, Dair dos Santos, é autor de uma ação, acatada pela Justiça, que leva o "brexit" a ser tocado pelo parlamento e não pelo governo como queria a premiê Theresa May. Há ainda um detalhe: a maioria dos parlamentares defende a permanência do Reino Unido na União Europeia. Dair, 37 anos, é um dos que ingressaram com ações na Justiça e se recusa a dar entrevistas. Um feito, enfim, como os do Tubarão na Série B e que podem ter em breve impacto internacional, como se deu agora com a Chapecoense em condições de se habilitar à final da sul-americana, repetindo o feito do Paysandu que chegou a ganhar do Boca Juniors, em Buenos Aires, e que perdeu a final em casa.

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