LUIZ GERALDO MAZZA
Grevilhas em andamento
Nos anos de chumbo para driblar a repressão os bancários, que eram como os professores de agora na hegemonia sindical, inventaram as ´´grevilhas´´, junção das palavras greve com guerrilha porque centrada numa operação de movimentos: num momento fechava uma agência parcial ou totalmente e transferia o mesmo tipo de arregimentação a outras. Essa situação se observa no momento com as ocupações escolares que conta ainda com essa variável em cima dos núcleos regionais de educação como se deu em Curitiba e Ponta Grossa,
Sabe-se, claramente, das vinculações do PCdoB com entidades estudantis e percebe-se que a Justiça não tem um critério uniforme para responder aos pedidos de reintegração ao fixar sanções, em multas, aos recalcitrantes. Se atribuí-las, d'esde que comprovadas, a entidades manjadas e obrigá-las ao ritual do cumprimento, o movimento recuaria como se deu quando da greve dos petroleiros, que ameaçava detonar o Plano Real, que FHC esmagou com multas judiciais que destruiriam a Federação Sindical que comandava o processo de ocupação de todas as refinarias. Multa de R$ 50 mil diários por núcleo ocupado nem mamute suporta e foi o que se deu, mas é preciso lembrar que órgãos encarregados da execução cumpriram o seu papel e que aqui se traduz na ameaça verbal do governador, jamais cumprida, de que a polícia removerá dos seus casulos os amotinados e por isso a situação perdura.
Agora, a Procuradoria Geral do Estado está pleiteando a reintegração, além das 24 concedidas, das quais o Colégio Estadual do Paraná resiste no prazo de dez dias, em mais de 44 unidades. Já se viu também que não basta a autorização, pois quem garante a sanção dos atos judiciais é a polícia e o governador teme outro massacre, tal qual o de 29 de abril, que o obrigaria certamente a rever sua intenção de disputar o Senado, preferindo um espaço de menor risco, o da Câmara Federal. Quem autoriza é a Justiça, e quem cumpre é a polícia no plano institucional. Quem não está cumprindo decisões judiciais é o governo com suas hesitações e tentando transformar bravata em intimidação, coisa já manjada pela rapaziada, daí a sua força, tal qual se dá com os professores que jamais sofreram qualquer punição em termos de cobrança de dias parados.
Governantes querem moleza, como se deu com Alvaro Dias em 1988, jogando a ação disssuasória da PM que impediu a invasão do Palácio Iguaçu como transbordamento que jamais assumiu, merecendo em consequência a justiça poética do seu declínio por algum tempo como uma forma de penitência, o que poderá se dar novamente para comprovar aquela reflexão de Marx de que a história se dá como tragédia e se repete como farsa.
Papo inútil
A troca de afirmações entre Beto Richa e Gustavo Fruet sobre a desintegração do sistema de transporte metropolitano é um confronto de meias verdades que, às vezes, são piores do que a mentira inteira. Os dois erraram e Fruet não soube (porque não teve respaldo intelectual da Urbs que, aliás, nada apitou também sobre o Uber, o que mostra seu despreparo) como responder à pesquisa da Comec sobre origem-destino dos passageiros que era arguida pelo governo estadual contra a prefeitura para baixar o peso do subsídio. Se ele o fizer com Rafael Greca, afinal confirma sua má -fé, a não ser que baixe satisfatoriamente o subsídio. Deixando como estava é empulhação.
Matinhos
Não bastasse a conseqüência da ressaca que atingiu a infraestrutura, já bastante precária do balneário, Matinhos está com outro problema: a delegacia de polícia há muito tempo sem condições, pela demora em reparos da edificação ,está com ordem judicial de transferência de todos os presos. Essa, aliás, uma das demandas dos policiais civis em greve que se recusam ao ofício, fora de suas finalidades, de guarda de prisões, ainda mais superlotadas.
Delações
"Até nas flores se nota"/- diz a quadrinha clássica- " a diferença da sorte,/ umas adornam a vida,/ outras enfeitam a morte/". Como se viu, aliás, anteontem em Finados. Como as flores, também as delações, mesmo que premiadas, dão resultados diversos: Luis Antonio, o principal denunciante da Publicano, conseguiu envolver toda a sua família no rolo; já o Paulo Roberto Costa, uma das chaves da Lava Jato, que entregou meio mundo, foi autorizado a libertar-se da incômoda tornozeleira eletrônica.
Folclore
Muito mistério cercava a história da mulher esquartejada na área do Centro Cívico, anteontem. Como, aliás, se dá com quase tudo por lá: durante décadas a Sanepar ocultava que todos os resíduos dos Três Poderes eram lançados, crus, no Rio Belém num governo que se jactava de ser exemplo ambiental. A morte, segundo o médico legal, ocorrida em meio da tarde do feriado e o corpo submetido a vários cortes, o que indica a possível participação de mais de uma pessoa, é mais um desafio à chamada polícia científica. Afora isso, o que sabemos do centro do poder é menos de 20% do que tem acontecido, mesmo com carros de som e berreiros, apesar da pompa formal do Portal de Transparência.





