Na greve os de sempre
Tirando o reforço dos policiais, a greve prometida do funcionalismo ficou por conta dos de sempre: o professorado, PHD na especialidade, mas jejuno na função educativa como se vê no boletim do Enem. A novidade é a promessa de desconto dos dias parados, jamais testada e causa dessa aparência de poder avassalador decorrente da sequência de paredes bem sucedidas e que nutrem a soberba e a prepotência sindical. Como se não bastasse, há o complicador da ocupação das escolas pelos estudantes, um absurdo pelo fato de não haver conectividade nacional e tratar-se de assunto estranho à competência do governo estadual, prejudicado pela morosidade da Justiça na concessão de liminares de caráter impeditivo. O meio cultural vivido é permeável a essa hesitação pela prevalência do clima reivindicatório dominante olhado com indulgência pelos aplicadores e intérpretes da lei.
Como na guerras como essas, a primeira vítima é a verdade, a APP diz que 50% da escolas estão sob greve e a versão da Secretaria de Educação é a de que apenas 5% estariam sob paralisia em termos totais e 18% parcialmente. Se tais números foram verdadeiros, a greve pipocou e se o governo arrochar no desconto dos dias e horas parados, bastando não cometer nenhuma precipitação que exacerbe o clima tenso e enfrentará pela primeira vez de forma clara e sem contornos o desafio. O modelo a ser aplicado é o de Geraldo Alckmin, governador paulista, que depois de meses seguidos de greve cortou os salários e abafou o movimento.
A APP-Sindicato nunca foi enfrentada com dispositivos disciplinares a não ser quando do exagero nas reações em dois casos de invasão do Parlamento estadual e que se traduziram no massacre de 29 de abril. Permitir a acumulação de forças por parte dos rebelados foi a causa principal do transbordamento fascista.

Irrealidade
Enquanto vivemos esse tipo de realidade concreta, o da greve acoplada às ocupações, nossa Assembleia Legislativa ratifica o poder monolítico da maioria, desprezando o sentido interativo e de representação que sempre houve na montagem dos cargos de direção com presença oposicionista. Se tentaram mostrar força e unidade, apenas traduziram prepotência e a já notória incapacidade para mediar os conflitos sociais que inclusive lhe dizem respeito. Uma expressão da mediocridade política que se pratica atualmente no Paraná, bem à altura dos seus componentes.

Pendurado
O mais endividado dos brasileiros, segundo pesquisa da Federação do Comércio Varejista de São Paulo, é - e isso há quatro meses - o curitibano. Com o bloqueio ao reajuste automático do servidor estadual, o quadro tende a piorar, isso sem falar nas condições gerais da economia em recessão

Escadarias da catedral
Já se viu de tudo nas escadarias da Catedral de Curitiba: movimentos sociais, gente atendida para refeições, mas nunca o ocorrido anteontem com um cidadão esfaqueado por ter intervindo em defesa de uma senhora assaltada. Incompetência da autoridade nesse campo é visível não apenas ali e em seu entorno, mas em toda a abrangência do Setor Histórico, entregue à marginalidade e ao tráfico de drogas.

Multas
Multas, especialmente por excesso de velocidade aparecem em destaque nas nossas estradas com números espantosos como 45 mil incidências. Mais da metade dessa sinistrose se dá, estranhamente, entre janeiro e março.

Na vez
Com a nomeação de Ricardo Barros para ministro da Saúde houve a possibilidade de Osmar Bertoldi, como suplente, assumir a vaga de deputado federal e isso não aconteceu por estar ainda detido, desde fevereiro, no Complexo Médico-Penal de Pinhais por descumprir ordem judicial de não se aproximar da ex-noiva, que o acusou de havê-la espancado, estuprado e tê-la mantido em cárcere privado. O fato de estar preso levou a Câmara a convocar suplentes. No STJ, foi lhe negada liminar e no STF há o pleito para revogar a prisão e permitir-lhe a posse, mas a Procuradoria da República se manifestou contrária.

Folclore
Certa ocasião, lá pelo fim dos anos setenta, um diretor comercial do Canal 12, à época não era da Globo, me ligou para informar que a apresentadora de um noticiário havia pronunciado semafôro para semáforo. Reagi com a expressão "que desáforo!" cujo trocadilho foi captado mais de uma hora depois. Agora com os semáforos de Curitiba desarticulados e o prefeito promete solução de emergência para o enfrentamento da crise, pode-se dizer que estamos sob o signo dos "desáforos" como nunca.

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