LUIZ GERALDO MAZZA
Enfim a anomia
Há palavras cheias de mistério, uma delas é anomia, fenômeno visível quando desaparecem referenciais institucionais, exatamente o que se dá neste momento com os 340 colégios sob ocupação, mais as universidades estaduais e a programada greve de segunda-feira do quadro do funcionalismo estadual. O clima é parecido, longinquamente, ao descrito pelo liberal germânico Ralf Dahrendorf, no livro "A Lei e a Ordem", uma série de conferências, em que descreve o ambiente que viveu em Berlim no dia da derrota do seu país: sumiram os sinais de autoridade, que até então eram tão fortes, substituídos pelos assaltos nos armazéns, o caos nas ruas e as multidões sem rumo. Estamos precisamente em igual cenário: a polícia se prepara abertamente para ingressar, de corpo e alma, na greve; mais discretos, os policiais militares, comparecem às assembleias sem as fardas, mas enunciando uma clara adesão; o governo perdeu totalmente os controles e seu esgarçado discurso de que descontará os dias parados não inibe ninguém e até parece estimular mais a ousadia contra a ordem e a lei. Normalmente, o governo, sujeito da oração, funciona, mesmo que na inércia; agora não, já que perdeu os mínimos créditos e a voz da autoridade parece um regougar de doente terminal. Não apenas o Poder Executivo, mas também o Judiciário mergulha na anomia no ato visível de acatar, como normal, a violência da ocupação das escolas e, provavelmente, inapto para forma juízo de valor sobre a greve e os atos que a sucederão e o mais impotente de todos, como ator no processo, é o Legislativo sem qualquer força moral para representar a população.
Se essas tendências se aprofundarem, mesmo que aparentemente o governo continue existindo já renunciou, ainda que não tenha formalmente desertado. Maior prova da sua abulia é o fato de em pleno conflito o Legislativo romper a tradição interativa na composição da Mesa para consagrar apenas o situacionismo inútil e redundante como sempre, cuja utilidade operacional é duramente testada e revelada ociosa e formal. Mas sempre se dirá que nossa situação em qualquer plano é melhor do que a do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul tanto na carência estatal quanto na violência e também do que na Síria ou na Etiópia e Costa do Marfim, certamente.
Combustíveis
Anunciam que a Petrobras fará baixar o diesel em 2,7% e a gasolina em 3,2%. O impacto dessa alteração nos postos , segundo o Sindicombustíveis, ainda é cedo para ser calculado.
Julgamento
O tempo é mestre e saberemos isso na segunda, 17, quando a Câmara Municipal examinará contas das gestões, hoje tão criticadas pela herança deixada, de Beto Richa e Luciano Ducci no devastado município aberto à decisão do pleito em segundo turno. Uma eleição que sofre os respingos da crise real que atinge o Paraná, pois os atores se movem num mundo idealizado como o de Pasárgada de Bandeira e Maracangalha de Dorival Caimi.
Vestiba
A Universidade Estadual de Ponta Grossa, em função da ocupação de suas instalações e da greve, desmarca o vestibular. Um tipo de notícia como essa lembra a desastrada invenção do chefe da Civil, Valdir Rossoni, sobre o Enen contestada pelo Ministério da Educação.
Meia pista
A Estrada da Ribeira, BR-476, removeu parte do deslizamento sofrido e está operando em meia pista entre Tunas e Adrianópolis. É grande na região a mobilização de maquinário para remover a obstrução da pista.
Sem limites
Sérgio Moro havia calculado como termo da Lava Jato o fim deste ano, mas a previsão está superada. Quando lhe perguntam até onde irá a apuração, matéria de capa da revista regional "Ideias" número 180, responde que ela "já prendeu alguns dos maiores empresários do país e alcançou dezenas de políticos dos mais importantes. O que ainda falta? Não tenho ideia. Nem eu sei aonde a Lava Jato vai chegar". Para se ter uma ideia, entre essa reportagem e os últimos dias, houve o enquadramento de Eduardo Cunha e a condenação por 19 anos do ex-senador Gim Argelo e fora de seus limites, em decisão de juiz do Distrito Federal, Lula se torna réu pela terceira vez e ontem à tarde ainda eram ouvidas testemunhas de acusação contra mais um dos tesoureiros do PT, Pedro Ferreira.
Folclore
Também a Federação Paranaense de Futebol, lá pelos anos cinquenta, se rendeu à ideia de trazer árbitros do exterior para apitar jogos. Dentre eles, veio para cá o simpático Harry Rowley, inglês que por seu aspecto sério correspondia ao arquétipo tradicional. Na noite em que era apresentado, reunião do Conselho Divisional, presidida pelo professor e criminalista, e dirigente da FPF, Ildefonso Marques, chamou-o de senhor mister e percebendo a falha corrigiu-se, pondo a mão na boca, e afirmando: "Acabo de cometer um pleonasmo!".





