Beto Richa na ofensiva?
Parece que o governador, finalmente, resolveu chutar o pau da barraca nessa gincana juvenil da ocupação dos colégios ao acionar a Justiça pleiteando o despejo das instalações para que não haja prejuízo ao calendário escolar. Em qualquer ordem civilizada, a liminar seria concedida por efeitos negativos já acumulados em várias escolas, a maior parte delas na Região Metropolitana de Curitiba.
A rapaziada está sendo utilizada como massa de manobra e escudada, segundo o governo, pela militância da Central Única dos Trabalhadores e pelo PT, sintetizados na sua maior força no Paraná, a Associação dos Professores, a APP Sindicato, que já está em guerra preliminar com o Palácio Iguaçu por causa do corte enunciado em mensagem ao reajuste automático do próximo janeiro, repetindo o que fizera no exercício anterior somente com o pessoal do Executivo, atendidos os demais poderes.
O governo paga por sua docilidade e omissão por essa desmedida prepotência: primeiro por tê-la tolerado, ao longo do tempo, e quando tardiamente, ao reagir, deu margem ao massacre de abril com mais de duzentos feridos e sofreu um processo de improbidade que anda justamente ao seu ritmo, o da lentidão, rumo ao esquecimento. Também no caso referido o governo primeiro foi à Justiça para garantir o funcionamento livre dos poderes, mas errou na dose da repressão e na desproporção acintosa de forças.
Não há clima para diálogo nesse novo modismo, o da ocupação das escolas, que funcionara a todo vapor na crise da merenda e que era tema de São Paulo e se expandiu a outros pontos do país, o que aliás pode ocorrer com essa iniciativa de colegiais paranaenses para grupos políticos de contestação à ordem reinante pós-impeachment e pré-reforma do ensino médio.
Um dos absurdos criados é o de que o sindicalismo fala em nome de toda a comunidade escolar quando sua representatividade se limita ao professorado e funcionários da área da educação. Suprime-se a mediação familiar, dos país, como se ela ratificasse os objetivos integrais dos interessados nas demandas, o que nem sempre é muito claro, já que os transtornos aparecem depois das mobilizações com o drama da recuperação das aulas. Buscar a Justiça é o caminho institucional, o que não exclui o necessário diálogo, inclusive com os pais.

Pressão
O Fórum dos Servidores Públicos esteve ontem na Assembleia, representado pelos vários sindicatos que o integram, para fazer chegar aos deputados a resistência de todas as categorias ao garrote vil do corte dos reajustes e a disposição de greve geral e por tempo indeterminado. Na verdade habilitados a uma greve estão a APP Sindicato e parte do pessoal de Saúde, já com alguma experiência frutuosa em mobilizações, mas o clima é de revolta e capaz de adensar com a adesão de outros segmentos.
O objetivo é também o de expor a classe política aos ônus de um desgaste calculado e que se tornaria mais grave se tivéssemos, como tudo indica que pode ocorrer, com um confronto. O pior é que os argumentos suscitados pelo Executivo, como o da perda de 8% na economia, e a referência genérica às consequência das recessão, inclusive com alusão a casos de falência ou de recuperação judicial das empresas, são recebidas com ceticismo. Indispensável se torna uma efetiva comprovação pericial desse acidente contábil. Em princípio está marcada forte manifestação dos servidores com greve geral para o dia 25.

Inimaginável
A transição HSBC-Bradesco, principalmente nesses dias, tem provocado chios da clientela que se mostra desamparada e sem informações confiáveis. Inimaginável que uma absorção, fato comum na área financeira, não tenha seguido um mínimo de cautelas. O Bradesco afirma que está tudo normal, mas a grita dos correntistas tomou conta dos programas de rádio e houve até provocação do Procon.

Clima
A Fundação Osvaldo Cruz anunciou as mudanças climáticas que se darão no Paraná: aumento de 5 graus na temperatura e ambiente mais seco nos próximos 25 anos. Insisto num tema: a necessidade de atualizar os quadros do levantamento de Reinhard Maack em torno dos acidentes naturais que coletou até os anos sessenta em sua "Geografia Física do Paraná" como geadas, incêndios, avalanches, terremotos, neve, cheias e estiagens.

Explosão
A explosão de um depósito de dinamite em Bocaiúva do Sul provocou perdas parciais ou totais em residências de mais de cem famílias. Além da polícia, o setor especializado do Exército esteve no local fazendo diligências. Nossos cuidados com dinamites nada têm de exemplares, tanto que se trata da matéria-prima permanente nos ataques a caixas eletrônicos e sabe-se que esse material é obtido justamente de unidades que os utilizam ao explorar pedreiras.

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