Perícia já
Só há uma forma clara de intervenção nesse caso das contas públicas do Paraná e da suposta ameaça ao não pagamento do reajuste funcional: uma perícia contábil, como as que se fazem em processos judiciais, porque nem o relato da Fazenda é confiável, muito menos qualquer mediação do Tribunal de Contas, quase sempre chapa-branca, e da mesma forma parecem frágeis os argumentos de oposição, tanto os jurídicos quanto mais os políticos. Menos confiável ainda é a postura do governador que atribui o desequilíbrio nas contas à ex-presidente Dilma Rousseff, como se viu nas explicações do chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, como se não houvesse nisso tudo um pouco da irresponsabilidade fiscal, tanta vezes arguida pela Secretaria do Tesouro Nacional, à qual Beto Richa se referia como perseguição e que o reelegeu, de tão repetida, em cima de empulhação que está desmistificada no relatório de Mauro Ricardo Costa na justificativa do arrocho indispensável. A revelação mais recente – a de que as receitas andam a pé e as despesas de elevador- atesta que a própria ação do secretário da Fazenda não é lá um primor de eficiência no monitorar o processo. Se ele não consegue conter a enxurrada e oba oba, quem o fará? Valer-se da privação dos servidores públicos para manter o circo é impossível, pois não há sinal de que se restabelecerá o equilíbrio das contas.

Loucura sem fim
Estudos técnicos mostram, em termos previdenciários, que para cada coronel da Polícia Militar da ativa há pelo menos 28 na reserva recebendo o salário máximo da corporação. Fica, no exemplo, demonstrado que o governo sabe que o fundo de pensão dos servidores explodiu. Iguais cálculos poderiam ser feitos em outras categorias e mostrariam a marca da fatalidade. Tudo o que se fala sobre o tema é falso, confiando em empurrar com a barriga o problema para outros administradores como Beto Richa e Requião, este por dois períodos, aquele por um mandato, deixaram de repassar a contribuição obrigatória do Executivo, fato aliás que contribuiu para quebrar o antigo Instituto de Previdência do Estado (IPE), que pelo anos dava assistência médica universal aos servidores, hoje inexistente.

Greves
Terminada a dos bancários e a dos servidores da Cavo (ao meio-dia 40% já haviam retornado) nos serviços de remoção do lixo assistia-se à ocupação dos colégios (no início da tarde havia 43 nessa condição) que tendia a generalizar-se com o governo não conseguindo, nem com a promessa de que não adotará a reforma e que a submeterá a debates, conter a escalada. Se disserem que os estudantes amotinados não sabem detalhar que pontos da reforma contestam, se igualam ao governador que também ignora como andam as contas públicas. É empate e, pelo jeito, vai para os pênaltis.

Cachaça
Um festival de cachaças no Mercado Municipal de Curitiba tem um recorde: uma que custa R$ 1,6 mil o litro, mais cara que o uísque Royal Salute. Uma das pingas paranaenses, a Porto, de Morretes, ganhou recentemente premiação nacional em São Paulo e a medalha de bronze ficou com um produto de Jandaia do Sul. A cachaça morreteana pertence ao volante Mozart que jogou no Coxa e no Paraná.

Fatiando
Fatiando para não dar pizza, a Lava Jato foi redistribuída pelo relator Teori Zavascki no caso dos 66 políticos do PT, PMDB (uma voltada para o Senado, outra para Câmara Baixa) e PP. Entre os suspeitos Lula, Renan Calheiros, Waldir Maranhão, Eduardo Cunha e o presidente do PP, Ciro Nogueira. Espera-se para logo a "bomba" na delação premiada de Marcelo Odebrecht que ficará apenas quatro anos preso em regime fechado (dos 19 que havia sido condenado por Sérgio Moro) e que terá ainda a compensação dos um ano e quatro meses já cumpridos.

Tentativa
Um dos riscos da Lava Jato para presos com depressão é o da tentativa de suicídio que teria ocorrido (e sutilmente ocultado à divulgação) com o assessor de Palocci, Branislav Kontic. É indispensável extremo cuidado com presos submetidos às demoras convenientes para a saída com as delações premiadas, muitos dos quais tiveram problemas graves de saúde. Talvez, essa seja uma das causas do fato de a força-tarefa ter entendido que há um quadro de saturação com as delações. Por sinal, que devem levar à exaustão investigados e investigadores.

Folclore
A propósito de granizo, que anteontem assustou Curitiba: um repórter de campo anunciou numa jornada esportiva que chovia "granito" no Estádio Durival de Brito e Silva. Foram logo os colegas à correção (granizo e não granito) que ele contestou mostrando o "galo" enorme no cocoruto: "O tijolo que me abateu tinha no mínimo duzentos gramas!". E só voltou a campo com o capacete de motoqueiro para qualquer eventualidade.

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