No cravo, na ferradura
Instâncias superiores do Judiciário têm visões diferentes do processo brasileiro, ora imantado pelo predomínio de um foco punitivo em função da nossa conjuntura: o STF manteve, agora por 6 votos a 5, a prisão imediata de quem for condenado na segunda instância, placar menor do que o da decisão anterior de 7 a 4. E no STJ, por seis a quatro, houve o entendimento de que para processar o governador Pimentel, de Minas, é indispensável a concordância do seu legislativo, repetindo-se o sentido da decisão que fulminou a Lei da Ficha Limpa ao impedir que o enquadramento ficasse atribuído ao Tribunal de Contas sem passar pelo filtro.
Pendular, portanto, e até contraditório, o sentido das decisões, uma simétrica ao momento vivido com a Lava Jato e outra mais na direção tradicional, aquela que afinal cria embaraços para a punição dos corruptos, na perspectiva do esgotamento recursal. Dá para imaginar algo do gênero no Paraná: se uma das denúncias contra o governador fosse admitida é evidente que nada ocorreria, já que o Legislativo age como um apêndice do Palácio Iguaçu como se nota em tudo e se verá agora na tramitação da mensagem que impede o reajuste salarial. Difícil também que prospere no Judiciário como é da praxe história. Que concessões não fazemos em nome da cordialidade e do bom convívio.

Inflação
Custo da cesta básica (o de Curitiba já foi o maior do país) caiu 1,5, mas o acumulado dos últimos doze meses soma 8,5, bem próximo do nível da inflação.

Falsa neve
No bairro Rebouças, início da tarde de ontem, na capital, o granizo tomou de tal conta nas ruas que parecia neve, tal o alarido provocado pela mudança brusca no cenário. Bonecos de granizo não são agradáveis ao tato como a neve.

Mais empresas
Agora só falta o governo estadual "faturar" mais essa como obra sua: o Paraná criou de janeiro a julho nada menos de 77.284 empresas, classificando-se em quarto lugar e ficando à frente do Rio Grande do Sul que aparece em quinto com 72.890. É claro que na origem dos registros há um órgão estadual em ação, a sua Junta Comercial. A média nacional, em relação ao mesmo período do ano anterior, foi de 1,8% e a do Paraná, mais baixa, com 1,4%. São Paulo com 336.413 liderou, seguindo-se Minas com 132.209 e Rio com 129.397. Isso resulta, em parte, do desemprego que leva à criação de microempresas e ainda alimentando o campo da economia alternativa, o mercado clandestino, da mão de obra.

Paralisia
Tribunal de Contas registra mais de 1,9 mil obras paralisadas no Paraná, o que não tem impedido que muitas delas, como ocorre nas construções escolares, ainda que inconclusas, tenham sido pagas como se depreende das ações do Gaeco na operação Quadro Negro. Aí, como na outra investida do Ministério Público, a dos fisco estadual na Publicano, há amigos íntimos do governador envolvidos, um que jogava tênis e outro que fazia arrancadas de automóvel em íntima e recíproca alegria.
Extremamente grave esse tipo de sinalização para evidenciar que as nossas coordenadorias não funcionam ao menos para dar um alerta.

Reforma
Mais escolas ocupadas ontem por jovens rebelados contra a reforma do ensino médio, a maioria delas na Região Metropolitana de Curitiba. A postura do governo no caso é razoável desde que consumado o diálogo promova no Judiciário a imissão de posse das escolas. Vivemos um descompasso enorme entre os princípios da liberdade e da autoridade com maior abertura aquele em detrimento desse. Vamos reequilibrar o jogo sem abusos, liberando as escolas com medidas judiciais e evitando o repeteco de 29 de abril que pode reprisar-se na hipótese da já anunciada da greve contra o corte dos reajustes de funcionários.

Devassa
Urge uma devassa na contabilidade do governo para que não paire dúvida com relação aos números que comprovam, segundo Mauro Ricardo Costa, que não há como pagar o reajuste automático. Até aí se capta a degradação dos centros de excelência como se dava antes com o modelo de gestão financeira e com a pasta fazendária que tinha servidores estratégicos nos anos cinqüenta como Ézequiel Honório Viale, capazes de uma radiografia imediata e precisa nos números. A imagem do pessoal da área não é boa e isso não apenas por termos importado um secretário adventício, mas também pela péssima imagem da hierarquia fiscal no caso da gangue que a invadiu acoplada a políticos e a parentes cada vez mais remotos.

Folclore
Por falar em devassa, há uma anedota segundo a qual quando se chega à conclusão de procedê-la numa repartição pública é porque ou se trata da marca da cerveja no happy hour ou da contratação de uma jovem de programa para servir no gabinete.

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