Sucata pedagógica
Em síntese o "teaser" ideológico e, por ser imaginário, mentiroso – escola pública de qualidade e gratuita - ficou, outra vez, para segunda época no Enem. Ela não é espaço da resistência, como a soberba sindical professa e, sim, do atraso. Só a recessão é aliada da escola pública, já que os custos da particular são incompatíveis com a renda de maioria que acaba, por essa contingência, mandando os filhos para o horror, ainda que por força do estágio em outro nível de educação, tenham a compensação do melhor desempenho como os dados da recente pesquisa o demonstram.
Maior argumento da reforma do ensino médio está justamente na repetição trágica dessa avaliação, o que, no entanto, não se ajusta ao perfil da Medida Provisória e, obviamente, reclama mais estudos e debates. Já a ocupação das escolas, como está ocorrendo, é demagógico e fará bem o governo se buscar a imissão de posse no Judiciário. A selvageria basista, tanto aí como no caso da merenda, é um modismo como o das greves que se sustentam na frouxidão do governo que não se vale do dispositivo primário de não pagar os dias parados. Quando o faz como o de São Paulo liquida a arregimentação em pouco tempo.
Jamais os resultados do Enem se prestaram para que os sindicalistas fizessem um mínimo de autocrítica, percebendo como são fortes nas reivindicações, mas fragílimos em termos claros de competência e cumprimento da missão essencial. Para Dewey, que considerava a escola pública e de acesso a todos "a melhor invenção do homem para a democracia" essa melancólica e brutal constatação brasileira é a barbárie que nega a civilização.

Quebrou, não trincou
Depois de ser irresponsável como a cigarra da fábula, tenta o governo estadual assumir o papel da formiga que lhe cabe muito mal ao enunciar que não pagará o reajuste dos barnabés já que dará prioridade às progressões e promoções do quadro geral. É claro que com isso abriu caminho para mobilizações e até uma greve, posto que ela só encontre espaço entre a APP, a mais arregimentada, e setores do setor de saúde pública.
Argumenta o Palácio Iguaçu que essa dívida de R$ 2,1 bilhões, bem mais do que uma folha mensal do funcionalismo, se fará só depois de quitadas as promoções e progressões num total de R$ 1,4 bilhão e ainda que se comprove disponibilidade de caixa, torniquete incontornável, como o demonstrou ontem no Legislativo o tzar financeiro Mauro Ricardo Costa. Não dá, é claro, para comparar a situação do Paraná de outras unidades que não dão aumentos e recorrem, como rotina, ao parcelamento ou até nada pagando como no Rio e levando a área interessada ao Judiciário para o cumprimento da obrigação.
O Paraná, como governo, quebrou e se fosse empresa privada estaria sob concordata, buscando recuperação judicial para evitar a falência. Não trincou, quebrou, apesar do ar às vezes irresponsável de seus dirigentes sugerindo que o pior passou. Mais grave é que não se emenda e persiste gastando mais (10,08%) do que arrecada (1,73%). Admite-se que o reajuste só ocorrerá em 2018, pois a perspectiva nesse exercício é mínima. Isso apesar dos cuidados administrativos e o CPF na nota, insuficiente para engordar a arrecadação. Se o STF considerar irregular, a mexida na ParanaPrevidência aí tudo explode.

Eles também
Os candidatos, como o governo, gastam mais do que arrecadam e é o que a prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral está demonstrando. Isso se deu de modo geral com as candidaturas a prefeito.

Volvo em greve
O segmento de caminhões pesados, que é o da Volvo, está numa crise nunca antes registrada e apesar de as vendas estarem quase zeradas, os sindicalistas vão à greve por demandas salariais. Mesmo sem vendas, pede-se participação nos resultados. Realismo fantástico.

Compensação
A política não é generosa com a derrota e por isso que a manifestação do presidente da Associação Comercial do Paraná, Antonio Miguel Espolador Neto, ao prefeito Gustavo Fruet por ter cumprido bem a sua missão e externando tristeza por ter ficado fora do segundo turno é um documento de aguda nobreza. Assim mesmo, ressalva as trombadas como a que trata dos moradores de rua: não poucas lojas comerciais se viram obrigadas a fechar porque eram ocupadas diuturnamente impedindo a entrada de clientes. Educadores de rua deveriam convencer esses moradores com alguns limites mínimos como imposição de convivência.

Folclore
Não foram poucos os casos de ironia, como forma de descompressão no andamento dos inquéritos policiais militares da ditadura de 1964, um deles a cargo do procurador de Justiça e escritor Noel Nascimento, indenizado só depois da anistia: perguntado se conhecia comunistas citou Marx, Engels, Luis Carlos Prestes, João Amazonas e até dissidentes como Trotski e Bakunin, nenhum da terra.

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