LUIZ GERALDO MAZZA
Quem ganhou
Se em São Paulo quem ganhou na corrida presidencial foi o governador Geraldo Alckmin no PSDB com a vitória do "poste" João Dória e isso, rompendo toda tradição no primeiro turno, no Paraná a vitória é de Beto Richa especialmente com os feitos em Curitiba, onde emplacou Rafael Greca e também Ney Leprevost, e mais ainda em Londrina com Marcelo Belinati. Tanto o nosso governador como o de São Paulo não andam nada bem de ibope por deficiências de gestão, ambos falhando severamente na questão fiscal.
Enquanto Geraldo tem um objetivo, o de disputar a Presidência, Beto Richa se conserva com uma postura discreta em cenário nacional, embora há pouco tempo tenha sido apontado como um dos melhores prefeitos de capitais do Brasil e um dos governadores tucanos com os maiores créditos em feitos eleitorais em vitórias sucessivas e em primeiro turno. Ser governo em São Paulo é, como sempre, credencial de primeira como de certa forma ocorre com nomes do Rio de Janeiro, apesar do atoleiro recessivo, e Minas Gerais, tanto que Aécio Neves senador ainda busca a sua candidatura presidencial.
Já, apesar dos créditos eleitorais e outros decorrentes da força econômica do Paraná, Beto Richa se recolhe, ainda mais depois do massacre de 29 de abril, e limita suas ações ao âmbito interno com discreta presença em cenário externo mesmo naqueles obrigatórios como os decorrentes das negociações com a União sobre a dívida estadual ou as protocolares mostras de solidariedade a Michel Temer. Daí um tipo de mediania inaceitável para quem construiu um capital político da maior relevância e que se obrigaria a ter uma presença mais nítida em ações nacionais pela força representativa do Paraná.
É verdade que em termos locais, depois dos insucessos da quebra fiscal e do massacre da PM sobre os professores rebelados, o governo deixou de ser vegetativo no front político por sua inegável participação no evento eleitoral, bem mais intensa e produtiva do que a da eleição anterior em que perdeu Curitiba e Londrina, agora recuperadas.
Eleições que não acabaram
Pode-se dizer das eleições em cinco cidades do Paraná que elas como o ano de 1968, para Zuenir Ventura, não acabaram. Candidatos sub judice são comuns no processo eleitoral, cada vez mais judicializado, posto que o caso de Jaguariaíva se constitua no mais intrincado já que três candidatos estão devidamente impugnados. Isso se repete em Foz do Iguaçu com o veto ao ex-prefeito MacDonald Ghisi que mantendo o seu recurso deixa tudo em suspenso sem que Chico Brasileiro possa celebrar com mais garantias e mais ainda em Primeiro de Maio onde o vencedor, Marinho do PP com 3.124 votos, ganha mas não leva, já que o prefeito Daniel Renzi (2.876) aparece como eleito no site do TSE e tudo fica suspenso até julgamento dos recursos. Em Sertanópolis, como há dois candidatos com registros indeferidos, Tide Balzanelo, PDT, não pode comemorar a vitória (6.274 votos) contra 4.050 do Doutor Luiz do PMDB e bronca equivalente se dá também em Piraí do Sul.
Quem é quem
Em Curitiba uma situação diferenciada: Rafael Greca e Ney Leprevost são muito parecidos na origem classista, da altíssima roda, e até nos estilos comportamentais, ainda que o vencedor tenha um tom mais operístico. Ambos da base aliada e Greca, o vencedor, apoiado abertamente pelo governador inclusive com mobilização de funcionários. Como Ratinho Júnior, escorado no Ratinho pai, mais figuras empresariais como a de Joel Malucelli, se ligam a Leprevost a disputa não parece que venha a ser tranquila e na base do fair play. Ratinho Júnior, maior derrotado no pleito anterior, em quem Beto Richa apostou todas as fichas depois da derrota de Luciano Ducci, é abertamente postulante ao governo e daí a aposta feita em cima de Ney. Mas os complicadores não param aí, já que Cida Borghetti, a vice, com a licença de Richa para disputar o Senado, estará disposta, com apoio do ministro Ricardo Barros, à possível reeleição. Enfim, transfere tudo para depois com faz com as próprias finanças públicas e isso por método no aguardo de que a União baixe o édito de congelamento por dois anos dos salários de servidores nos três níveis de governo. Terá peito para isso?
Começou
A campanha do segundo turno na capital começou ontem, mas os digladiantes, cansados, decidiram repousar e hoje botam as tropas na rua e na sexta feira sai o primeiro debate na TV Bandeirantes. Duro vai ser mostrar o diferencial entre eles. Desafio aos marqueteiros.
Folclore
Com a vitória de Belinati, Osmar Bertoldi, apesar do processo judicial, está na vez e o próximo é Reinhold Stephanes, pai. Se Aliel Machado vencer em Ponta Grossa, quem assume a cadeira de deputado federal é Ângelo Vanhoni que não se elegeu vereador em Curitiba. Já se Chico Brasileiro levar em Foz do Iguaçu quem assume na Assembleia é o delegado Rubens Recalcati.
Dois da lista com processos criminais: um por ter infringido a Lei Maria da Penha e outro por ser apontado pelo Gaeco na condição de executor de vindita contra matador de parente.





