LUIZ GERALDO MAZZA
Uma onda perniciosa
Das ocorrências mais fortes, dentre elas a de Itumbiara, no processo eleitoral, o ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, viu a marca do crime organizado. Por sinal que no Paraná, além das mais de quinhentas denúncias de delitos como venda do voto e distribuição de cestas básicas, anotadas pelo setor próprio da Ordem dos Advogados do Paraná, tivemos casos sérios como o do toque de recolher das 22 horas às 5 da madrugada em Cantagalo decidido por juiz eleitoral em função do assassinato de um coordenador de campanha.
E ontem a Polícia Federal em Almirante Tamandaré prendeu o dono de um posto de combustíveis que utilizava o produto para comprar eleitores em meio a um operação de busca e apreensão; em Mandirituba teria ocorrido um atentado em função de tiro disparado contra a janela do secretário da Câmara Municipal e em Verê alvejaram o carro do prefeito Adão Carlos dos Santos que disputa a reeleição. Considerando os casos, denunciados à OAB e boa parte deles encaminhada ao Ministério Público, mais esses outros referenciais percebe-se o tom criminal, cuja intensidade surpreende ante as eleições anteriores.
Depois da prolongada e ritualística sessão de impeachment da presidente, seguida das também fortes acusações de golpe parlamentar e mobilização de inconformados, assistimos práticas de baixa civilidade numa eleição desprovida de embates ideológicos essa anomalia que pode surpreender ainda mais no pleito de amanhã e na sequência naqueles que tiverem a disputa transferida para o segundo turno.
Ironicamente um dos bloqueios da BR-277 ontem, na altura de São José dos Pinhais, na base de queima de pneus e que segurou durante horas o fluxo na rodovia, provocando filas de seis e sete quilômetros nos dois sentidos, se dava em função do inconformismo da população pela absoluta falta de segurança e freqüência de assaltos, roubos e seqüestros na região. Prova marcante de ausência de governo, pois as carências do setor levam ao desespero, e se tornam mais intensas ainda com o surto de violência eleitoral.
Poder local
Temia-se mormente para o pleito em cidades de grande e médio portes que o interesse pela temática local fosse intensamente perturbado por fatores nacionais a partir do impedimento de Dilma Rousseff e conseqüências outras como a Lava Jato e o forte envolvimento da classe política. Os debates havidos no encerramento da campanha mostraram a visualização desse foco mais imediato da disputa, e, no caso específico de São Paulo, percebeu-se na ascensão do PSDB e do seu candidato João Dória a evidência de que o tucanato quer reocupar posições valendo-se do desgaste petista, cujo postulante eleito não decola, e favorecer a hegemonia de Geraldo Alckmin como presidenciável.
Aqui, no Paraná, com o governo estadual no pior dos astrais, tenta mostrar ativismo eleitoral nos maiores centros, inclusive com mais de um em Curitiba (pode-se considerar que Rafael Greca é o maior beneficiário, mas tanto Ney Leprevost como Maria Victória dele derivam), um protagonismo superior ao da campanha anterior em que foi derrotado fragorosamente tanto em Londrina como na capital. Beto Richa, maior eleitor, a despeito do mau desempenho da gestão, marcada pela maior onda de corrupção de nossa historia, tenta recuperar ao menos parte do capital político exaurido, para reassentar as bases de sua empreitada senatorial facilitada no fato de que haverá duas vagas.
Novamente, haverá questionamento grave sobre institutos de pesquisas como já os tivemos com Maurício Requião, um de propriedade de sua esposa, e agora surgem outros de pessoas vinculadas a determinadas campanhas. Nem o Ibope escapou, em passado recente, dessas restrições no caso clássico em que previa menos de um dígito para Rubens Bueno em pleito curitibano e que registrou mais de vinte pontos. Pesquisa às vezes produz mais efeitos danosos do que um candidato nanico voltado à provocação e se há desconfiança quanto aos de expressão nacional dá para imaginar o ceticismo quanto aos da aldeia.





