Fim das mesuras?
A prensa exercida pelo Ministério Público estadual em cima do assalto de R$ 340 milhões nas tropelias fiscais do governo Beto Richa contra o Fundo para a Infância e Adolescência deu margem a um Termo de Ajustamento de Conduta que obriga a administração paranaense a devolver parcelas de R$ 85 milhões, a primeira das quais vence hoje, e as demais devem ser depositadas até 30 de janeiro de cada ano, a última em 2019.
É a confirmação de que vivemos um novo ciclo de convivência entre poderes de Estado que já não admite a acomodação anterior e que punha as relações de cordialidade acima das imposições legais, tanto que uma demanda do próprio MP contra a Urbs e a prefeitura da capital em torno de radares e exercício do poder de polícia mofou nada menos de 15 anos em gavetas do Tribunal de Justiça, como se tal protelação fosse a coisa mais normal. É notório que um dos braços do Ministério Público, o Gaeco, é uma presença constante em diligências sobre atos de corrupção como os evidenciados em operações como a Publicano e a Quadro Negro, mostra da permeabilidade governamental à ação das gangues e máfias de servidores acoplados a empresários.
Quando do assalto confiscatório do Fundo para a Infância e Adolescência, houve reação da bancada oposicionista sem que a soberba da maioria revelasse qualquer senso de culpa e prosseguisse na faina hegemônica de tudo conseguir na base do tratoraço como sempre faz. Essa, aliás, a razão pela qual não resta à oposição, depois de esgotar seus esforços na luta de plenário, buscar o Judiciário como promete fazê-lo com o mais recente pacotaço. Quando não é a oposição, há a esperança de ação da sociedade organizada como se deu no assalto ao Fundo por parte do fórum que ampara os direitos da infância e adolescência representado por ativistas desses direitos e ONGs ligadas nos acontecimentos.
Relações republicanas, como o ideário exige, não aceitam truques, jeitinhos, como os da praxe e da tradição, e outras formas de acomodação centradas num convívio comprometedor nos rituais de tapinhas nas costas para ocultar ou minimizar ilegalidades e violência como a do confisco de recursos carimbados.
Esclareça-se que até agora, embora o ajuste de conduta, firmado a 22 do mês passado, o governo nada devolveu. E se puder continua, como é da tradição, a empurrar com a barriga, dado o seu grau de insensibilidade que beira ao embotamento. O ideal seria a devolução imediata, como queria o Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná, que defendia o enquadramento do governador na violação aberta ao texto constitucional, tão ou mais grave do que as pedaladas. É, afinal, o possível, ainda que distante do desejável, prova de que no ritual ainda a cordialidade fica acima da lei. As mesuras persistem, posto que mais discretas.

Sigilo
A nova frente da Lava Jato em torno das planilhas da Odebrecht, submetidas a sigilo por decisão do juiz Sérgio Moro, deve trazer novos e surpreendentes detalhes da ação quadrilheira do lulopetismo.

Livres
Habeas corpus foram concedidos, parcialmente e por maioria, aos executivos da Queiroz Galvão, Othon Zanoide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho, no TRF da 4ª Região. Deixam a carceragem, mas deverão usar tornozeleira eletrônica, estão proibidos de deixar o país e obrigados ao comparecimento aos atos processuais e foi mantido o confisco de passaporte.

Expectativa
Quanto mais o governo federal proporciona cenas de cabeçadas entre seus integrantes no anúncio das medidas de austeridade maior é a mobilização da classe trabalhadora como se viu ontem em Curitiba com os metalúrgicos. A arregimentação se dá num momento em que a greve bancária atinge seu ponto de maior durabilidade histórica, que afinal serve de fundo para o posicionamento da classe trabalhadora contra perda de direitos na CLT e também na questão previdenciária.

Drible
O professor Galdino está driblando as intimações dos seus colegas vereadores da comissão processante para ganhar tempo. Está conseguindo espetacularizar o seu caso como sempre.

Brinquedos
Boa a atuação articulada do Ipem e do Imetro na fiscalização dos brinquedos da criançada em função da corrida para os festejos de outubro. Alguns oferecem riscos e por isso acabam fora de circulação.

Folclore
Paula Ney, o último dos boêmios, estudava medicina e nas suas provas era causa de alarido por suas tiradas geniais. No anfiteatro, o lente da cadeira de anatomia no Rio de Janeiro pergunta-lhe sobre quais os ossos da cabeça. Sem aturdir-se e com a maior naturalidade, Paula Ney põe a mão na cabeça apontado-a para afirmar: "Tenho-os todos aqui, sem dúvida, mas no momento não me lembro".

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