O desmanche em voga
Agora é o Tribunal de Contas que apura ineficiência do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) na missão de fiscalizar os contratos nas estradas pedagiadas. Seu relatório é veemente na denúncia da desídia habitual. O DER é outro caso, como tantos já referidos, de colapso de um organismo que teve características de modelo nacional ao tempo, é claro, em que o governo se incumbia de fazer e manter estradas, o que sofreu forte interrupção com Lerner desde a montagem das "anéis de integração" que marcaram o fim do referencial.
Como o governo não tem planejamento e muito menos um programa articulado coerente de obras e objetivos, não é de espantar a condenação à exaustão de mais um setor público que detinha forte ligação com o mundo acadêmico e, por sua eficiência operacional, não era abalado por irregularidades e, ao contrário, projetava suas experiências em escala mundial, como se deu com o pavimento de baixo custo que respondeu por 4 mil kms de estradas na gestão Canet Júnior, cujo modelo virou padrão para o Banco Mundial. O estrago veio aos poucos e se completou com a adoção do pedágio que, ao invés de valer-se da expertise acumulada no rodoviarismo na experiência do pedágio, apenas deu sequência ao desmanche que sepultou vigorosas experiências anteriores.
Não espanta que com o fim dos centros de excelência (o modelo de gestão financeira com a pá de cal que lhe aplicou o governo Beto Richa na obra consumada da corrosão fiscal) tenha ficado mais vulnerável o organismo público às patologias correntes da corrupção visíveis nos casos da "Publicano" e "Quadro Negro", ambas revelando a ausência de monitoramento primário da transformação da Receita Estadual em área de achaques e desvios e as facilidades operacionais de gangues nas edificações escolares, inclusive com o faturamento de obras não acabadas envolvendo mediadores políticos e gente próxima do governador.
As mexidas no DER foram tantas e tão descabidas que parte do seu corpo especializado teria sido deslocado para outras áreas de edificação e sem poder reagir como estamento que é dentro do contexto funcional habituado às decisões da hierarquia vertical

Feriado vetado
O "Dia da Consciência Negra" caiu de vez, agora com decisão de uma turma do Supremo Tribunal Federal. Prevê-se forte arregimentação de afrodescendentes para restabelecer o feriado que nunca deixou de ser comemorado, ainda que não instituído. As manifestações havidas de exposição de artes e culto a referenciais históricos e culturais mostraram que a celebração existiu sem a data formal. E as próximas deverão ter maior intensidade e isso é muito mais relevante em termos sociais.

Vacinação questionada
Primeiro houve reações no mundo acadêmico e até de conselheiro da Organização Mundial de Saúde condenando o modelo de vacinação contra a dengue no Paraná e apontando-o até como de alto risco. Agora, quem se manifesta oficialmente é o próprio Ministério de Saúde através do porta- voz Moacir Pires Ramos, para quem inexiste qualquer garantia de efetivo poder imunizatório da Dengvaxia. A OMS indica a introdução da vacina apenas onde a soroprevalência, ou seja, a quantidade de pessoas que já foram infectadas pelo vírus, tenha alcançado 70% ou mais do público-alvo da campanha. Imunização não é recomendável quando tal percentual estiver abaixo de 50%. No caso paranaense, o número seria de 30%, embora a pasta da saúde tenha chegado a um valor de 80% por estimativa.

Desníveis
Acentuam-se os desníveis intrarregionais justamente com os sinais de aquecimento na economia, como se viu agora nas dispensas e contratações de emprego em agosto. Enquanto a Região Metropolitana da capital teve abertura de 877 postos de trabalho em Curitiba (726 em Araucária e 118 em Campo Largo) Londrina e cidades vizinhas tiveram mais demissões que contratações. Foi, no entanto, o primeiro mês em que o Paraná teve saldo positivo de 533 vagas enquanto no país houve queda, no mês, de -33.953. O número de vagas no ano encolheu -651.288 no Brasil, e no Paraná -21.807. É um respiro discreto na recessão. Há a esperança de melhora geral até o fim do ano e a convicção de que o fundo do poço da crise foi em junho.

Gleisi enquadrada
A Segunda Turma do STF acolheu, por unanimidade, a denúncia do Ministério Público Federal contra a senadora paranaense Geisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. Quem relatou o processo foi o ministro Teori Zavaski. Nunca estivemos tanto na crista da onda como agora com vários paranaenses já condenados ou beneficiados pela delação premiada.

Folclore
O jornalista Celso Nascimento, a propósito da frase de Rafael Greca sobre os pobres, lembrou um saque na eleição de 1950 entre Getúlio Vargas e o mitológico Brigadeiro Eduardo Gomes em que o político paulista Hugo Borghi atribuiu ao herói dos 18 do Forte de Copacabana a frase de que não queria saber do voto dos marmiteiros, como se referia genericamente aos petebistas. Foi o suficiente para que artesãos do marketing da época transformassem a marmita em símbolo, em distintivo e em botton de campanha eleitoral.

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