LUIZ GERALDO MAZZA
O boletim dos mestres
O Ideb é o boletim dos alunos, mas sobretudo dos professores. A meta de 4,2 ficou apenas em 3,6. Isso na rede pública; na privada, menos greves e mais aplicação, a meta era de 6,5 e também não foi alcançada com 5,5. Consequência lógica de uma cultura: neste momento o Estado deve mais de R$ 300 milhões aos professores só de promoções e progressões, que aliás não sabe e não tem como pagar, o que manterá o dispositivo de greve, no qual a turma é pós-doutora, em disparo. O que irrita é a soberba com que os sindicalistas se ligam no cantochão da escola pública de qualidade e gratuita, mais programa ideológico e político do que pedagógico, tal qual as avaliações afinal o comprovam de forma exuberante.
Com 6,3 pontos no ensino básico, mais uma vez Curitiba saiu à frente com quatro dos cinco melhores nos anos finais do fundamental. Pois o professorado municipal, com salários bem mais defasados que os do governo estadual, tem boletim azul, embora menos guerreiros e obviamente menos politizados. Para quem tem horror à meritocracia e cultiva a caricatura coletivista do rebanho, é um prato cheio. Embora a decepção, o Paraná ocupa a quarta posição no país nos anos iniciais, a sexta nos anos finais e também a sexta levando-se em conta as redes pública e particular no ensino médio, como alerta a secretária de Educação, Ana Seres.
Sem prefeito
A cidade de Santa Lúcia ficou sem prefeito (Adaljizo Cândido) por cinco dias: o titular se atribuiu férias e se mandou e tudo ficou à deriva até que um juiz criminal de outra cidade assumiu. O vice já tinha tirado o time. Isso faz lembrar no fim dos anos 50, na guerra entre posseiros e colonizadoras do Oeste-Sudoeste, o fato de a anomia reinante ter levado insurretos a montarem juntas governativas nem sempre com o apoio do juiz da comarca, todavia, na maior parte dos casos com o dos promotores.
Greve
Apesar de sua capilaridade, testada em tantos anos, a greve bancária chegou apenas a 48% das agências de Curitiba e Região Metropolitana. Ainda o receio de perder o emprego lá na frente como represália é o fator de inibição, facilitado pela recessão e corte de vagas. Ontem a categoria nacional rejeitou a contraproposta da Febraban de 7% de aumento mais abono de R$ 3.300. Até o momento nenhuma categoria, ao contrário do que se dava no passado, obteve qualquer reajuste acima da inflação em função da conjuntura.
Londrina, a engajada
Há uma obsessão dos londrinenses pelos números em relação à sua cidade e os seus indicadores de desenvolvimento, o que foi destaque ainda ontem da Folha Eleições 2016: ela está perdendo em termos percentuais no crescimento do PIB e Maringá, sempre a referência, estoura na frente com 60,3% de 2010 a 2013, seguida de Cascavel com 57,2%, Ponta Grossa com 52,9%, Foz do Iguaçu com 51,8%, Campo Mourão com 47,7 % e Londrina com 46,5%.
Evidente que por ter a segunda população do Paraná no per capita vai crescer apenas 38,1% enquanto Maringá lá aparece à frente com 48,4%. A primeira constatação a ser feita é que isso se dá sob um governo estadual, reeleito, de um filho da terra, Beto Richa que, graças à falta de planejamento e coordenação de sua gestão, produz esse absurdo de ter sido um dos municípios que menos cresceu no Paraná. Essa cobrança é o mínimo que se pode fazer de uma liderança tão importante. Isso, certamente, não se dará em desfavor de Maringá se o atual ministro da Saúde, Ricardo Barros, se transformar em governador, afinal o maior beneficiário político paranaense com a mulher prestes a suceder Beto Richa e, provavelmente, se habilitar à reeleição, a filha Maria Victória candidata à prefeitura de Curitiba e o irmão Sílvio à da Cidade-Canção.
O apelo por industrialização e investimentos em inteligência e tecnologia é a constante natural desse estado de coisas de uma cidade que vê nisso tudo mais do que perda de substância econômica, mas desgastes espirituais em autoestima. Virar esse jogo é imperioso e, para isso, contar com todas as forças, inclusive a do time de futebol que tão bem representa a cidade no campeonato nacional da Série B, e fazer disso o tema-chave da campanha eleitoral.
Gripe
Temos até o momento 1.157 casos de influenza comum e 1.059 de H1N1 e com 233 mortos no primeiro caso e 214 no segundo. Boletins vão ser divulgados quinzenalmente. Vencer a batalha da estatística é tão importante quanto à da doença e sua morbidez.
Folclore
O poeta paranaense Emílio de Menezes está num teatro no Rio de Janeiro e uma atriz ao enxergá-lo tenta, de todas as formas, ocupar um lugar ao seu lado. Emílio, aborrecido, olha pra trás e vê vários assentos desocupados e tasca mais um trocadilho genial: "Atriz atroz atrás há três!".





