LUIZ GERALDO MAZZA
Parceria público-privada
Pode-se dizer que sempre houve no País a deturpação extrema da parceria público-privada com ações comuns de empresários, ligados ao setor público, e a classe política enquistada no sistema. Jamais, porém, teriam alcançado a escala de agora sob o lulopetismo, o que se capta nessa nova frente de investigações sobre desvios que quebraram fundos de pensão. A sordidez é tanta que hoje quando se fala em parceria público-privada em termos sérios já se desperta o sentido da ironia, tanta a deturpação ao longo do tempo.
E por que isso se deu? Simplesmente pela facilidade revelada no processo de ocupação não apenas das áreas estatais e que se estendeu às agências reguladoras e aos fundos de pensão dentre eles os milionários da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras, Correios, espaços dedicados à preservação previdenciária dos seus trabalhadores, hoje em situação de descalabro como as matrizes dessas organizações.
Será necessário depois dessa hecatombe refundar o conceito, tanto epistemológico quanto o derivado da linguística e da semântica, para a expressão e suas derivações. E é por isso que a Lava Jato, neste momento da vida brasileira, é mais importante do que as circunstâncias que cercam os destinos de um Michel Temer, de Dilma Rousseff, de Lula, de Renan Calheiros, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Aécio Neves e tantos outros. A ação judicial, por seu porte civilizador, o de atingir áreas superprotegidas da sociedade brasileira, o das elites que se faziam passar por proletários, a serviço do simbolismo calhorda da luta de classes, dando ao governo a falsa aura de unificador, desmontando enfim um cenário de opereta-bufa movido por ladrões e assassinos das nossas esperanças.
Ministério Público
Ontem novamente em ação o Gaeco, agora na Câmara Municipal de Campo Largo, às voltas com deturpações de seus vereadores e dirigentes. Também no mesmo dia se comemorava a retomada da Publicano 1, que havia sido contida por ato do Tribunal de Justiça já saneado. Esse protagonismo relevantíssimo desse braço do Ministério Público, presente em tantas ações contra o banditismo público, suscita uma questão: o que fazem as demais dependências e que são tantas em função dos interesses difusos que expressam fora aquelas mais imediatas como as que tratam do consumidor ou da preservação do meio ambiente? O conhecimento dessas rotinas daria uma visão de conjunto mais integrada dessa instituição, o que aliás seria adequado em publicações da categoria.
Feriadão
Reduziu-se significativamente a circulação de veículos na capital desde a segunda-feira e isso se intensificará, inclusive com a melhora do tempo, na movimentação em direção ao nosso litoral e de Santa Catarina e ao interior estadual. Em Foz do Iguaçu, como é tempo de baixa temporada, uma campanha de estímulo ao turismo desencadeada por agências e hotéis chega a ofertar pacotes com 40% de abatimento.
Previsão para o litoral é de 160 mil veículos, boa parte deles em Guaratuba e outra entre Matinhos e Pontal. A Ecovia vale-se da oportunidade para uma campanha contra o uso do celular por motoristas e outra de respaldo às ações da Universidade Federal relativmente ao comportamento das redes sociais no processo eleitoral.
Japonês de novo
Nas últimas prisões, inclusive a de Léo Pinheiro, mostrou-se em cena, outra vez, o agente Newton Ishi, o celebrado ´´japonês da Federal´´. A República de Curitiba prossegue na ação saneadora em que pese o recuo havido com relação à delação premiada de Léo Pinheiro por determinação do Procurador-Geral da Justiça em função do incidente da revista ´´Veja´´ que citava ministro do STF.
Praxe derrubada
Por iniciativa da Promotoria de Defesa do Consumidor a Sanepar não pode mais fazer a cobrança, que estava acostumada por tradição, de tarifas do morador anterior que deixou de pagá-las passando a responsabilidade ao novo ocupante. Como tenho dito praxe, por mais consolidada que seja, não se confunde com direito adquirido, conquanto o vício prospere especialmente em nossas relações internas.
Pesquisas
Primeiras vítimas das campanhas eleitorais são os candidatos com suas promessas e também as pesquisas de intenção de votos. Da dúvida não escapam nem Ibope e Datafolha, quanto mais os de menor conhecimento como os que de repente aparecem no pedaço.
Folclore
Palavras de ordem, antes da internet, eram pichadas nos muros e às vezes se mexia até no outdoor das campanhas eleitorais como se deu na de 1982 quando o neysmo colocou a frase ´´Saul Raiz ou um salto no escuro´´. A turma da oposição cortou o ´´ou´´ e precedeu de uma vírgula a expressão ´´um salto no escuro´´. Ficou assim ´´Saul Raiz, um salto no escuro´´. Havia uma sofisticação nisso porque um dos institucionais mostrava de repente a falta de energia da Copel numa casa e fazendo imperar a escuridão. Aliás, a Copel coadjuvava as campanhas e elaborava sua linha central, um QG enfim.





