LUIZ GERALDO MAZZA
Maracujá de gaveta
Como dizem os parnanguaras, o Paraná cresce como maracujá de gaveta ou como acentuava aquela piada atribuída a Manoel Ribas sobre a Lapa "cresce como rabo de cavalo para baixo": a notícia desta FOLHA no sentido de que a população estadual encolhe em 38,8% das cidades revela um fator de atrofia e ao mesmo tempo migração quase a reprisar o êxodo que se seguiu ao fim da cafeicultura com o massacre da geada negra.
Estudo do IBGE revela que 155 dos 399 municípios tiveram redução populacional mormente em áreas do Centro e Centro-Oeste, deprimidas, e a mobilidade, tal qual em 1975, visou busca de oportunidades em outros espaços territoriais. Mas tudo significa algo bem claro: ausência de governo que teve a arte de acabar com as áreas de planejamento especializadas em detectar e antecipar-se a tais fenômenos. Da euforia demográfica, chegamos à depressão.
Embora esse governo, via marqueteiros, insista que cuida em especial de municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo - e fez especial alarde da obra da Klabin como resposta a esses indicadores em Ortigueira - percebe-se a deserção do poder público manifesta numa área que sempre foi motivo de exaltação interna e reafirmada na crise fiscal, ainda crônica que se pretende encarar, mais uma vez, com nova ofensiva ao contribuinte.
Protesto, pretexto
O deputado federal João Arruda, da direção do PMDB, reagiu contra o vandalismo praticado por manifestantes anti-Temer em sua sede. Atingidos pelo vandalismo, de edificações públicas ou privadas, devem ir além dos boletins de ocorrência e processar o Estado a quem se concede essa tutela. Precisamos mudar nosso comportamento em relação a isso. O mesmo se deve dizer da Fiep que teve suas instalações atingidas. Processar o Estado por descumprimento que é sua como monopólio legal. Ironicamente, o senador Requião, que anunciou uma guerra civil, acabou vítima da sua previsão apocalíptica: parece ignorar que o seu partido majoritariamente é quem se beneficia do acordão senatorial. Protesto para uns, pretexto para outros.
Lei do farol baixo
Decisão judicial que tinha derrubado a obrigatoriedade do farol baixo durante o dia acabou caindo, o que aliás é bem um sinal da segurança jurídica neste país das chuvas de liminares e de escassa estabilidade nas decisões.
Carne de onça
Vereadores curitibanos, por maioria, erigiram a carne de onça, comida de boteco, como valor cultural da terra. Em passado distante, um jornalista mundano ao ver anunciado num restaurante a carne de onça entendeu que se tratava do felino selvagem e fez um escândalo em sua coluna chamando a atenção das entidades de preservação. Quem atestou e certificou que o prato é nosso foi o Sérgio Medeiros da "Curitiba Honesta". Melhor assim, tão claro, do que ver essa disputa fratricida entre Paranaguá, Morretes e Antonina em torno do já paranaense, de tão conhecido, "barreado". A Lapa, por exemplo, pode brigar pelas comidinhas tropeiras entre elas a quirera com suan de porco. Tal qual Toledo e Campo Mourão com o porco no rolete e carneiro no buraco.
Greve de novo
Como já é integrante do calendário, nova greve dos bancários, uma categoria sob risco em função das tecnologias que geraram, por exemplo, as agências virtuais. Caixas eletrônicos, alvo preferencial das quadrilhas com mínima margem de insucesso, constituem hoje um dos fatores que manietam a rigidez da parede. Na história do socialismo há um momento em que a liderança dos tecelões entende como indispensável destruir o maquinário com mais alto rendimento e capaz de reduzir emprego de mão de obra. Esse movimento passou à história com o nome de ludismo como tivemos na área do jornalismo greve contra inovações que implicavam em desaparecimento de funções. Há um pouco disso nas manifestações da Via Campesina e do MST nas invasões com destruição de mudas de eucaliptos ou ataque a laranjais com a finalidade de destruí-los. É o ódio expresso ao agronegócio.
O fato é que mesmo com fatores adversos, os bancários conseguem pressionar banqueiros, posto que dificilmente, ainda mais nessa conjuntura de salários abaixo da inflação, obtenham o que pretendem. Vale de qualquer forma a luta, a resistência, até porque não há outra saída, ainda que isso tenha certa medida trágica.
Folclore
Uma das questões constantes em campanha eleitoral é discutir títulos dos candidatos, o que se dá agora com Rafael Greca cuja formação em urbanismo é questionada justamente pelo Centro de Arquitetura e Urbanismo, zelador da profissão. Greca é formado em engenharia civil e com estudos superiores em urbanismo. Parece que o que falta é menos urbanismo e um pouco mais de urbanidade, área em que o candidato leva jeito de pós-doutor.





