Por um novo ciclo
Empresários de todo o País já disseram o que esperam do governo, agora definitivo, de Michel Temer e ao entenderem que o pior, a transição dramática, já passou criando expectativas, cada vez mais confirmadas pelos indicadores estatísticos, de descompressão e alívio na economia. Todos os agentes são convocados para o mutirão de reerguer o país na recuperação de sua economia e nível de empregos, hoje o mais perturbador dos fatores: a bancada estadual, embora minoritária (apenas Alvaro Dias votou no impeachment) no Senado, foi amplamente majoritária na Câmara Federal e é de esperar-se que o governador Beto Richa, até porque tem um aliado na composição ministerial com Ricardo Barros, atue de forma bem mais agressiva nessa etapa de recomposição e coloque as nossas questões, notadamente as de dimensão nacional, na pauta das conversações.
Situações anteriores como as anteriormente vividas beneficiaram, especialmente, o Paraná como se deu com o ingresso de Café Filho em lugar de Getúlio, quando recuperamos a nossa participação ministerial, primeiro com Aramis Ataide na Saúde e depois com Munhoz da Rocha na Agricultura, mas tivemos também sob Sarney postos ministeriais dentre os quais o do Transportes em favor de Affonsinho Camargo, elemento-chave da eleição de Tancredo Neves. Pelo acervo conquistado aprendemos também que nem sempre o forte é a tal presença ministerial (e vivemos isso intensamente inclusive no regime militar) por vezes mal compensada na perda de terras férteis para a construção de usinas de interesse nacional como as das bacias do Iguaçu, do Paranapanema e do Paraná especialmente Itaipu, da qual, por tradição, mantemos o seu comando.
Indispensável acionar, portanto, a massa crítica disponível em contatos interministeriais para colocar em foco as nossas perspectivas que tenham medida nacional e é o que se dá mormente nas questões infraestruturais de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos. Estar em sintonia como essas demandas é imperiosa obrigação do nosso governador, das bancadas e também do empresariado.
Há estudos consolidados sobre cada uma das áreas em exame e é indispensável acioná-los para que sejamos ouvidos e, mais do que isso, atendidos.

Pacificação complicada
Depois de uma situação traumática que cassou a presidente eleita, não é fácil imaginar uma atmosfera de pacificação: as cicatrizes são recentes demais para que se possa imaginar um desarmamento de espíritos. De qualquer forma, em que pese a força do conflito, há sinais claros de que houve uma descompressão para melhor enunciada, inclusive, em alguns indicadores macroeconômicos. Evidente que o novo governo fará uso desse material para enunciar tempos novos, mudanças e, sobretudo, a recuperação.
O fato é que as repercussões internacionais, não a dos próximos (Bolívia, Equador, Venezuela) sabidamente conflitantes com a visão estratégica do Brasil, mas aquelas que circulam na comunidade europeia não favorecem o país na suposta quebra institucional do impedimento de Dilma Rousseff, o que mostra a ineficiência da ação ministerial voltada para contê-la. As dimensões continentais do Brasil, sua expressão internacional, exigem que não se menospreze essa contingência. A ida de Michel Temer ao G-20 é nessa perspectiva relevante desde que exerça papel ativo e tenha em José Serra, seu chanceler, um sensível observador da geopolítica e, em seguida, teremos novas instâncias internacionais como a das unidades em desenvolvimento dos Brics, um espaço também relevante para nos situarmos adequadamente em escala mundial.
A opção brasileira, por uma inserção menos regional, impõe que também o discurso na Assembleia das Nações Unidas venha a inserir-se nesse alinhamento e tal desempenho há de ter as melhores respostas no ambiente nacional por força dessa onipresença mais do que necessária para o momento. Urge também deixar nítido que isso não afetará o convívio com a América Latina e o Mercosul.
Um protagonismo, como se fosse planejado, está aí diante do presidente para que transmita ao público externo a segurança em sua missão e o respeito que o Brasil oferece por suas instituições aos que desejarem participar do processo de desenvolvimento, aberto, como é da nossa tradição, a povos de todas as origens que tanto cooperam na construção do padrão civilizatório que erguemos ao longo do tempo com o fundamento essencial da unidade na diversidade.

Folclore
Ney Braga fez uma campanha tão vinculada à de Jânio Quadros ("quem é Ney é Jânio, quem é Jânio é Ney") que quando houve a renúncia diante das "forças ocultas" o primeiro impulso do governador foi de acreditar no retorno, o quanto antes, do presidente ao Palácio Alvorada. Depois foi muito hábil na transição aceitando parte do receituário das reformas janguistas como líder nacional do PDC e atuando junto na pacificação das terras no Oeste-Sudoeste e, finalmente, apoiando o retorno do presidencialismo para Goulart. Facilitou tudo isso o trabalho de aproximação com o PTB e que permitiu o arranque desenvolvimentista do Paraná com a criação do Fundo de Desenvolvimento Econômico e a Codepar-Badep.

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