LUIZ GERALDO MAZZA
Assembleísmo com know how
Ninguém na política brasileira domina o assembleísmo (algo parecido com aquilo que Marx captou em ´´Esquerdismo, doença infantil do comunismo´´) como o PT e o estudantado. Daí a facilidade com que envolvem o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, no impeachment na impossibilidade de conter o alarido das questões de ordem a três por dois e fragilidade como a que transforma testemunhas em informantes. Tem tudo de uma assembleia de diretório estudantil, de um congresso da UNE quando era possível haver oposição e não dominava o pensamento único.
É, no entanto, mesmo que lembrando opereta, um direito desesperado da oposição, forma um tanto caricata, mas válida, do instituto onipresente da obstrução parlamentar ainda que se trate de um julgamento da presidente afastada. O situacionismo quase embarca nessa ao aceitar todo o tipo de provocação e um novo "barraco" obrigou o presidente do STF a suspender a sessão para almoço depois de mencionar o poder de polícia ao senador Lindbergh Farias, o que também fugiu ao mínimo da cordialidade.
Mas ontem vieram mais notícias ruins para o front petista: o enquadramento de Lula e da esposa, Léo Pinheiro da OAS e Paulo Okamoto, do Instituto Lula, nas démarches do sítio e do tríplex de Guarujá. Pegaram descuidos de Lula que disse, na condução coercitiva, não conhecer Paulo Gordilho , executivo da OAS envolvido nas transas do sítio de Atibaia, que aparece em foto com o ex-presidente e declara ter tomado uma garrafa da cachaça Havana e umas 15 cervejas com ele. Por imprecisas que sejam as denúncias, elas montam um background que pode tanto prejudicar como favorecer Dilma na medida em que a pressão favoreça o velho cacoete do vitimalismo tupiniquim .
Foi contundente também, para prejuízo da senadora Gleise Hoffmann, a cobrança de Renan Calheiros de que interveio em seu favor quando da detenção do marido Paulo Bernardo no seu apartamento funcional e que teria demandado a causa junto ao presidente do STF e que ela desconsiderou a mediação institucional ao negar autoridade moral ao Senado. Enfim, show de ressentimentos e impulsos emocionais.
Choro
Cogita-se que a presidente afastada teatralize sua defesa chorando e com isso acentuando o papel de vítima, é claro também do machismo. Mas quem chorou mesmo em audiência ontem em Curitiba foi o ex-senador Gim Argelo, alegando nada ter a ver com os fatos que determinaram o arquivamento de uma CPI da Petrobras e na qual o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, teria embolsado R$ 10 milhões.
Pesquisas
Pesquisa do IBGE informa que 27% dos adolescentes da terra já usaram álcool e a do Mapa da Violência (IBGE e Ministério da Saúde) registra aumento de homicídios no Paraná de 1912 em 2.004 para 2.073 em 2.014, todavia no ranking nacional caiu do 14º para 18º por força da alta nas demais unidades federativas.
Urbs
Mais uma vez a Urbs falha: não regulamentou as normas das multas aos pula-catracas (nada menos de 3.200 ao dia) como não disse ao que veio em qualquer momento da inserção do Uber no mercado, agora já atuando em Londrina também. Essas pequenas falhas podem, é claro, ter efeitos eleitorais.
Argumento
Dentre as cogitações de Dilma Rousseff em sua defesa está a de que o motivo-chave da sua destituição seria a sua resistência a intervir na Lava Jato. De fato não o fez, mas tirou seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pelo mesmo tipo de pressão das bases e ironicamente o demitido é hoje a figura-chave, competente e respeitada, de sua defesa.
Preso assalariado
Não é o único preso a continuar recebendo seus vencimentos mas o vereador de Palmas, que auferia normalmente seus subsídios nos seis meses em que esteve encanado. Uma ação civil pública está a cobrar agora do presidente da Câmara e de outros membros da Executiva por esse desvio. É o clima da repressão operando a todo vapor.
Impugnações
Bom o pronunciamento do senador Alvaro Dias contra as impugnações de testemunhas de lado a lado transformadas em informantes que contaminaria os rituais do impeachment com o risco de o processo perder peças essenciais.
Folclore
Vivemos um auge da transparência, não desejada, mas imposta pelos conflitos: o presidente do Senado cobrando de Gleisi a sua mediação na invasão do seu apartamento e na denúncia dos jornais de que o ministro Lewandowski, apesar da relevância de sua posição no impeachment, estaria fazendo lobby pelo aumento salarial do Judiciário. Brasil da inconfidência só na marra, no pesado "jogo da verdade". Ou vai ou racha.





