Haja parenteralismo
O Sul do Paraná, de um modo geral, mais do que Norte, Oeste e Sudoeste que tiveram processos de ocupação diferenciados, é muito repetitivo nos quadros dirigentes. Dos candidatos a prefeito da capital, pelo menos três deles tiveram pais ou avôs que já dirigiram a cidade. Caso de Gustavo Fruet, cujo pai, Maurício, foi prefeito entre 1983 e 1985; de Requião Filho, cujo pai e avô, Roberto Requião e Walace Tadeu de Mello e Silva, também tocaram a cidade e ainda Ney Leprevost, cujo avô com o mesmo nome, esteve no posto.
Mesmo aqueles de origem pioneira, que vieram especialmente do setentrião, como José Richa seu filho, atual governador Beto Richa, seguem a trilha: a trajetória do primeiro passou pela Prefeitura de Londrina e a do segundo pela de Curitiba por duas vezes; de 1982 para cá tivemos essas famílias mais a dos irmãos Dias, as de Requião (esse três vezes no Palácio Iguaçu, ato não obtido por estadistas como Munhoz da Rocha) e de Jaime Lerner, duas vezes no comando estadual e três na Prefeitura de Curitiba.
Nem todo o processo de colonização, seguido pelo de urbanização, mais transformações estruturais foram suficientes para afastar o Paraná dessa sentença comum ao Brasil do predomínio de oligarquias, um dos exemplos clássicos e à vista o de Ricardo Barros, ministro da Saúde, a esposa Cida Borghetti, vice-governadora e a filha Maria Victória, postulante à prefeitura e exercendo o mandato de deputada estadual e o Silvio Barros, candidato em Maringá. Houve um tempo em que falávamos, com excesso de soberba e arrogância, como se fóssemos diferentes do Maranhão dos Sarney, de Alagoas dos Collor e Calheiros e não reproduzíamos aqui a estrutura feudal do poder clânico.
O país deixou de ser rural – tempo dos choques entre conservadores e liberais - e nem a sua notória industrialização alterou hábitos, haja vista para o envolvimento com a gestão pública de figuras como a do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, mediadores desse abominável capitalismo sem risco do Brasil e ganhadores das desonerações das folhas e das baixas nos tributos e generosidade dos bancos oficiais, especialmente o BNDES.
O voto de Curitiba é mais conservador do que o de Londrina, mas a descompensação do segundo polo urbano do Paraná é o seu contingenciamento pelo populismo que quase sempre se segue a um com maior dose de austeridade.

Tatuagem
No meio da semana passada, o veto a candidatos a concursos públicos tatuados caiu em sessão do STF e, apesar de sua força sentenciosa, foi desconhecido pelos que elaboraram os editais para o da nossa Polícia Militar. Obviamente, a jurisprudência fulmina tal proibição o que obriga obviamente a revisão do texto para ajustá-lo ao rigor constitucional.
Mantê-lo é uma ilegalidade e que apenas obrigaria o Judiciário a manifestar-se, o que gera desperdício de recursos e de energia e isso custa tempo e dinheiro, mais penosos quando em regime de recessão. Uma simples visão do ambiente dos Jogos Olímpicos, pela frequência dos atletas tatuados, deveria ser um fator liberatório, porém os repressivos sempre encontram um argumento para impor os seus vetos.

Ziquizira
Costumamo-nos diante das novas tecnologias, cujos impactos Alvin Tofler captou de forma antecipada em "O choque do futuro" e "A terceira onda", em cultivar o mito da perfeição na engenharia de sistemas que volta e meia falham na agência bancária ou, o que é pior, na Receita Federal como está acontecendo em Curitiba. A instabilidade do sistema impede que registros do CNJ e alvarás sejam concedidos, o que ainda se agrava com a greve de auditores.

Pressão
Diretório Central dos Estudantes (DCE) articulou-se ontem para pleitear a reinstalação do Restaurante Universitário no Jardim Botânico. Mais um pepino azedíssimo para a nossa Universidade Federal numa quadra incontornável de crise e recessão.

Imóveis
Manchete alentadora a de ontem desta "Folha" enunciando que o valor médio do metro quadrado de imóveis usados em Londrina cresceu 0,61% entre junho e julho, enquanto no país tivemos retração de 0,4%. Das cinco cidades do Brasil meridional no levantamento (Londrina, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Joinville), foi a única a detectar leve alta. O melhor é que se percebeu que há agora estabilidade nos preços após retração ascendente de 2015.

Folclore
Se a Lei da Ficha Limpa, conforme o presidente do TSE, Gilmar Mendes, foi tão mal redigida que parece ter sido elaborada por bêbados, acabou comparada a um vomitório em que pese a carga de esperanças que despertou. Ao subordinar decisões de tribunais de contas à ratificação das câmaras municipais, embaralhou os rituais e tornou mais difícil o veto aos fichas sujas. Se generalizarmos o que ocorre na Lava Jato, a sujeira é geral, aí sim vomitório.

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