O pacto e o paco
Paco era o diminutivo do conto do pacote, o varejo mais comum do estelionato em que se afirmava que no embrulho havia dinheiro e que na verdade continha papéis inúteis. Não é de boa analogia comparar o pacotaço do governo a essa forma ignóbil e traiçoeira de negócio, até ontem em trâmite no Legislativo estadual, porque não deixa de ser um sinal de vida de um paciente na UTI que se recusa a expirar. Até por isso merece compaixão, ainda que seja claro que foi um agente importante na demolição do sistema fiscal de governo ancorado nos feitos de seus antecedentes, duas gestões de Requião e parte de Lerner (no qual se tentou vender a Copel e cuja Secretaria da Fazenda era ocupada simultaneamente pelo presidente da estatal, isso sem falar na privatização do Banestado e o lamaçal da CC-5 que projetou o doleiro Youssef até hoje personagem principal da vida brasileira) que contribuíram ainda para aleijar o fundo de pensão estadual.
Pois ontem mesmo na Comissão de Constituição e Justiça foi adiado o exame do pacote que, segundo o líder Luiz Claudio Romanelli, poderá ter um substitutivo geral atendendo parte de ponderações sobre o tema, entre elas a hipótese do fatiamento por envolver ambiguidades bem maiores do que as complexidades nele comportadas, como a de incidência fiscal da União surrupiada pelo Estado no caso específico da taxação sobre águas. Argumenta-se que o contribuinte nada sofrerá, como se vender ações da Copel e Sanepar não atingisse interesses públicos (segundo alguns observadores a pretensão seria arrancar R$ 2 bi dessa festa), quando todos se lembram da resistência havida quando Lerner transferiu ações da empresa de saneamento a um grupo empresarial denominado Dominó com o fim de capitalizá-la.
No momento, especialmente em função do desabamento da Petrobras pela corrupção, o mercado não favorece estatais: se a maior delas perereca, imagine-se as outras de caráter provincial? Ainda recentemente a Copel, no balanço do segundo trimestre, teria prejuízo de R$ 192 milhões e não o lucro de R$ 996,6 milhões declarado em função de reavaliação de ativos de R$ 977,8 milhões e mais R$ 211,4 milhões relativos a uma ação vencida pela estatal. No desespero, como se percebe nas intenções do governo, não há espaço para a reflexão: apenas 37% dos lojistas emitem nota fiscal eletrônica, o que é um paradoxo com tanto oba oba em cima da Nota Paraná e cuja adequação é esperada para o fim do ano; apostar mais em fórmulas de acerto (Refis) com devedores inscritos em Dívida Ativa e aprofundar as medidas de contenção de gastos (redução do número de secretarias e da fauna de aspones); endurecer a fiscalização embora a imagem negativa do setor e governar ou pelo menos tentar fazê-lo. E governar significa um pacto com todos e não pacotes que podem,lembrar pejorativamente o paco, aquele do linguajar policial.

Lixo
O lixo é, antes de tudo, municipal, mas soluções metropolitanas são desejáveis, embora a tentada com o consórcio intermunicipal tenha malogrado pela forma selvagem com que nela intervieram os empresários interessados em retaliação judicial, inviabilizando-a. Falar nisso, perto da eleição, apenas aviva a omissão da autoridade com as tais audiências públicas que levam a lugar algum a não ser a repetição das obviedades como usinagem e compostagem, que apenas revelam a ociosidade nos múltiplos aproveitamentos da matéria-prima, e ainda o caos dos lixões que são a regra e não a exceção no país de um modo geral. Se deram o monopólio (ou ao menos oligopólio) do transporte coletivo por que não experimentá-lo, com escala industrial, no lixo?

Imitação
Há em cogitação na praça curitibana de fazer um Oktoberfest em Curitiba e para não concorrer com a de Blumenau um mês antes, em setembro, provavelmente Septemberfest. As que temos a de Marechal Cândido Rondon e a de Ponta Grossa funcionam? Data mal aproveitada em Curitiba é a da Páscoa que poderia dar margem a uma celebração de turismo religioso com a variedade de ritos aqui existentes e seus artesanatos e alimentos como as peçankas e crachankas da colônia ucraniana. Outra coisa: a dimensão dessas iniciativas têm que ser bem definidas, se locais, estaduais ou nacionais. A da cerveja de Blumenau é nacional porque Santa Catarina trabalha institucionalmente por isso: anuncia, vende. Nós não existimos e, além do Natal que figura em calendário nacional, eventos culturais como os de Curitiba e Londrina e mais a migração para ver as Cataratas do Iguaçu e temos conversado.

Sobriedade
O deputado Ney Leprevost pediu licença sem vencimentos por 120 dias. Sobriedade é também um estilo no caso merecedor de imitação.

Folclore
O treinador da seleção masculina de vôlei, o Bernardinho, é perfeccionista demais e exigente nas suas reações diante dos erros da equipe: impulsos como o de morder o dedo ou as mãos e tentar fazê-lo com a própria bola podem até ser uma descompressão pessoal necessária, mas que por seu traço nervoso pode distanciar o ato de morder a medalha de ouro que perdeu em Londres e poderia conseguir agora.

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