Resposta à chantagem
Num momento em que empresários do transporte coletivo em ações sobre cidades do Paraná e do Brasil são alvo de investigação do Ministério Público, não espanta a ousadia do sindicato patronal alegar, no fim da semana passada, que as tarifas não cobrem seus custos e por isso ameaçam não pagar o 13º, sinal claro para motoristas e cobradores iniciarem outra greve como é da tradição da praça em que a parede sindical se confunde com locaute na capital.
Desde a acidentada e mal explicada licitação do sistema pela dupla Beto Richa-Luciano Ducci que manteve tudo nos mesmos parâmetros tradicionais, ora com um pouquinho mais de contestação pela auditagem do Tribunal de Contas e a insólita (para os nossos hábitos) CPI municipal, isso sem falar nos questionamentos em ações judiciais e consulta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) se há ou não cartel empresarial, a novidade é a ação do Gaeco em cima dos grupos Gulin e Constantino (aquele mesmo da Gol) com prisões e a hipótese de delação premiada em operações em Brasília, Guarapuava, Maringá e em outras unidades federativas reveladas no mesmo "modus operandi" em burla nas licitações.
O Tribunal de Contas deixou de ser tolerante com o cartel e também com a Urbs e isso está patente na sanção recente por ter a empresa municipal feito operações de
R$ 9 milhões sem licitação a que estaria obrigada pelo Código de Contabilidade Pública.
Ainda que o cartel tenha razão nos alegados prejuízos, o informe é um sinal de greve, o que em cima de uma campanha eleitoral, é chantagem que exigiria uma resposta, já que seria recomendável que o terrorismo fosse precedido de gestões protocolares com a Urbs. E a esperança é que a resposta venha da Justiça, via Gaeco, único sinal de vida na perspectiva regional em tempo de Lava Jato até pelo seu desempenho em operações com a "Publicano" e "Quadro Negro", na qual até o governador interino Ademar Traiano é citado junto com outros íntimos do titular que viajou como o seu ex-chefe da Casa Civil, hoje conselheiro Durval Amaral e que responde pela Corregedoria do TC.

O pacote
Não é uma bomba atômica, à maneira como alguns o imaginavam, mas também não se pode dizer que o pacote do governo para mais um ajuste seja um traque baiano ou espanta coió. Quer taxar a água, o que é de competência exclusiva da União, e também recursos minerais, ajustar a legislação estadual à federal no caso do ITCMD (heranças e doações), fixar R$ 35 mil dos atuais R$ 15 mil para a cobrança mínima de Dívida Ativa (que é mais de meio orçamento) e em meio a tudo uma concessão mínima, o perdão de devedores do IPVA até 2011, o que faz dos que pagaram um papel de idiotas.
Falta bússola e sem ela não há rumo, a nau desgovernada se desmantelou com a desistência da União de congelar salários de barnabés dos três níveis, a sonhada esperança da equipe para encarar a tormenta fiscal contra a qual não sabe mais o que fazer.

Copel
Sem a reavaliação de ativos (R$ 977,8 milhões) e a incorporação de ação vencida pela empresa (R$ 211 milhões), a Copel teria prejuízos (R$ 192 milhões) no segundo trimestre e não o lucro declarado de R$ 996,6 milhões. A hora que o governo pagar R$ 1 bi que deve à empresa, todavia seria uma boa orientação não botar a mão mais nesses recursos e nos fundos de pensão.

Só em 2017
O procurador Deltan Dallagnol acha que a Lava Jato não chega ao fim neste ano como Sérgio Moro esperava. Seus gráficos nada têm de sistemáticos e para a frente, tanto que casos de fases anteriores entram em cena novamente e acabam em delações premiadas. Um caso típico é o de Paulo Ferreira novamente chamado às falas.

OAB de olho
Começa hoje a campanha e agora, além da autorregulação (pega entre partidos e candidatos) e do acompanhamento de órgãos da sociedade, teremos um especial verdadeiro plantão de denúncias comandado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção estadual. Ocorre que com a precipitada proibição de recursos empresariais por um impulso de moralismo tropical abriu-se um espaço para abusos como o presidente do TSE, Gilmar Mendes, admite. Esses apoios tentarão suprir as deficiências legais.

Engajamento
Um setor da Fundação Getúlio Vargas está admitindo, por seu monitoramento do PIB, que a situação melhorou em função do afastamento de Dilma Rousseff. Ao indicar que a economia brasileira encolheu 0,2% no segundo trimestre em relação ao anterior, há aí o melhor desempenho desde o quarto trimestre de 2014 quando avançou 0,26% também na margem. Um risco de engajamento de entidades como essa ou o IBGE como já houve em passado recente com o Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea), com a saída em protesto de quadros científicos é evidência de risco. Tais órgãos não podem ser tutelados porque daí perdem o sentido essencial de sua existência. O mesmo se aplica ao nosso Ipardes.

Folclore
O governo precisa aumentar a arrecadação, mas grande parte do estamento fiscal se envolveu nas trutas denunciadas na Publicano e ainda manchou a imagem dos que não se comprometeram. De outro lado, os sonegadores continuarão em ação, pulsão não contida. E ainda há gente querendo assumir o governo, sabe lá com que intenção.

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