Política Atualizado em 15/08/2016, 18:29
LUIZ GERALDO MAZZA
"Há muito mistério quanto a extensão do pacote de maldades que virão justamente aumentar a receita em escala compatível com a decolagem das despesas"
Justamente na véspera de encaminhar mais um "pacote" de durezas ao legislativo estadual, o que é prometido para os próximos dias ou talvez semanas para a indispensável maturação, o governador Beto Richa se licenciou para viagem e junto com ele também se afastou a vice-governadora, Cida Borghetti, que poderia, se assumisse, inviabilizar a postulação da filha, Maria Victória, à Prefeitura de Curitiba.
Como o governo está visivelmente à deriva, a permanência ou não em nada resulta porque à exceção dos cuidados com a situação fiscal pelo menos entregues a um profissional, Mauro Ricardo Costa, e certamente causa dos maus humores da classe política e dos gastadores, no mais o que impera é um sentido dramático de inércia. Um dos trunfos do governador, que melhoraria consideravelmente as contas públicas, na decisão de "congelar" salários de funcionários públicos por um prazo mínimo de dois exercícios que impediria a implosão fiscal, não foi aprovado por força das concessões populistas, o que encheu ainda mais de razões aquele grupo de executivos nacionais das grandes corporações que fez a grita no Alvorada contra esses recuos que botam sob risco qualquer projeto de austeridade, indispensável, em certa medida, para o momento.
O ponto nodal da situação fiscal é, no momento, a impossibilidade de pagar atrasados de promoções e progressões, à essa altura uma fatura de R$ 300 milhões que marcha para R$ 500 milhões no fim do ano, em favor de funcionários, a maioria de quadros alentados de professores e policiais ou de fazê-lo concomitantemente com reajuste salarial automático em janeiro de 2017 com a incorporação da taxa de inflação acumulada. Impor, como tenta Beto Richa, e aí com o respaldo do tzar fiscal, uma opção entre um e outro desconsidera que a massa funcional não tem acesso aos atrasados e que não poderia, claramente, abrir mão desse reajuste indispensável à sobrevivência familiar.
Há muito mistério quanto a extensão do pacote de maldades que virão justamente aumentar a receita em escala compatível com a decolagem das despesas que persistem hipertrofiadas. Já não dá mais para meter a mão nos fundos previdenciários como fizeram Beto Richa e Gustavo Fruet, o primeiro em mais de um bilhão e outro em pelo menos um quarto disso, uma vez que a Nota Paraná não é suficiente para fomentar a arrecadação, o jeito é tascar o garrote vil no contribuinte, o que em ano eleitoral aparenta heresia, isso sem levar em conta que mobilizará empresários de todos os níveis contra a brutalidade. Pegaria mal para associações e federações não protestarem depois de haverem engulido abusos anteriores. Aliás elas têm sido elegantíssimas em não lembrarem a circunstância de que a corrupção do setor fiscal, envolvendo uma legião de auditores, dentre eles alguns amigos do governador, tira do setor fazendário moral para tocar o arrocho pretendido. É verdade que a suspensão provisória da "Publicano", cujo processo se encontrava na reta final, por ato do Tribunal de Justiça, descomprime a situação dos acusados, conquanto não melhore em nada a imagem do estamento que segundo as denúncias promotoriais era comandado pelo parente distante, o quase lendário Luiz Abi Antoum.
Para quem já apelidou o governo de taxativo de tanto que se vale de taxas e de impostos para cobrir a sua prodigalidade há entre as medidas cogitadas taxação sobre recursos hídricos e outra investidas na área do Detran (IPVA já saturou) e ainda uma autorização para que as estatais Copel e Sanepar possam vender seu patrimônio sem passar pelo crivo legislativo. Enfim o nosso governo está mais perdido que bebum em salum de faroeste.
Como se estava no aguardo das decisões sobre a renegociação das dívidas estaduais com a União e a questão do teto de gastos públicos até aqui limitados genericamente à observação de que devem ser inferiores à taxa de inflação já se pode em nível regional retomar o debate sobre a LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias que sai, portanto, do pit stop. A batalha nacional do governo Beto Richa perdeu e terá dificuldades em emplacar um novo pacote com tantos adversários, embora como sempre com a cumplicidade servil dos seus deputados, aqueles mesmos que juraram fidelidade ao Senhor no interior de um camburão policial como se fosse um confessionário em que buscavam a catarse religiosa da salvação, enquanto o povo sofria nas mãos de uma polícia ensandecida com mais de 200 vítimas.
Presos da delegacia policial de Rolândia, apanhados fazendo uso da internet para suas mensagens, o que torna o celular retrô, parece que profetizaram o que ocorreria com o peso pesado da cidade na luta olímpica, ontem à tarde, pelo bronze ganha por Baby, o Rafael Silva, também medalhista de Londres. Afinal os presos também são filhos de Deus e com direito a aparecer pelo menos enquanto não fogem dessas masmorras que parecem ter surgido de um romance de Dostoiewski.





