Ninguém é de ferro
Amanhã, Beto Richa viaja de novo, enquanto o Paraná afunda de um lado pela crise, evidenciada na Polícia Civil em greve e sem esperança, e de outro pela corrupção que ora atinge o setor de criminalística ante as suspeitas levantadas contra seu dirigente. Embora a regra seja a de que o comandante deva ser o último a sair, aceita-se no plano humano a crise que atinge o governador, há tanto tempo, e diante da qual se mostra impotente para o seu enfrentamento.
O governo inexiste, a não ser na área fazendária, e quem deveria estar sobrecarregado, até por enfrentar diariamente as demandas dos políticos e buscar contê-las, seria o Mauro Ricardo Costa que sabe que cuidar dos pródigos exige ciência e arte, pois na sua persuasão revelam o talento dos encantadores de serpentes e com as promessas da negociação das dívidas dos Estados se animam, como sempre, para novas investidas e gastanças.
A anomia, a ausência de referenciais institucionais, permeia todo o cenário e embora essa greve de policiais civis lembre uma anedota non sense, ela expressa a ausência de um mínimo de perspectiva na categoria pelo grau de distância olímpica nas suas reivindicações básicas e ainda pela falta de condições motivacionais no emperramento de seus direitos a progressões e a promoções, represados pela conjuntura fiscal. Reconheça-se que para encarar a situação atual seria necessária a resistência de um habilitado nas artes da contemplação yoga: cada hora um alarme como o das delações premiadas, ora da ´´Publicano´´, ora da ´´Quadro Negro´´ com a notícia de que o dono da construtora Valor, que está longe de ser um Odebrecht, mas cujas revelações podem envolver capilarmente o governo paranaense.
Um governo sem estratégia, sem programa, nutrido ainda por um marketing triunfalista , tem que viajar e cuidar apenas de não deixar rastros como os da viagem anterior com aquela estada desastrosa na França. Outra coisa: convém ter uma justificativa, quem sabe algo com sentido missionário capaz de fazer bombar o Paraná Competitivo com algo como um tsunami de investimentos.

Greve
A parede policial de ontem segue hoje e daí tudo volta ao drama de antes no quartel de Abrantes: registros só em flagrante delito, apenas uma lupa oposta à rotina de todo dia. A devolução dos quinhentos coletes à prova de bala, que segundo os operadores são bem deficientes e vulneráveis, é um símbolo da crise material visível nos mais de 60% da frota postos fora de combate.
Ora esse tipo de atitude, por seu impacto psicossocial, aliás previsto da Lei de Segurança Nacional, expõe o sistema à ousadia das gangues que aliás agem com uma desenvoltura de quem estaria liberado como na frequência dos assaltos e dos ataques a caixas eletrônicos. É uma espécie de suicídio, a la Jim Jones, por maiores que sejam as razões elencadas pelos grevistas que pelo menos por dois dias não irão sobrecarregar cadeias. Entregar coletes é como, simbolicamente, fossem as próprias armas.

Seletividade
Tucanos aprontam no sistema de trens e metrôs ao longo do tempo lá em São Paulo e nada lhes acontece, e valem-se de variadas blindagens para não serem enquadrados como se dá agora, e isso mais recente, no caso da merenda escolar. O envolvimento suposto de José Serra em propinas entrou e saiu do noticiário como se fosse um voo de borboleta, tal qual se fez, lá atrás em Minas, com o primeiro mensaleiro, que precede o de Zé Dirceu, Eduardo Azeredo, só agora, décadas depois, julgado na primeira instância.
Há ainda o enquadramento possível de toda hierarquia do PMDB, o mais fisiológico dos partidos que diz fazê-lo em favor da governabilidade, dentre eles o presidente interino Michel Temer e o do Senado, Renan Calheiros, isso sem falar no maior gênio, o Eduardo Cunha, que se transfere o hnow how para Dilma o impeachment não teria sequer começado.

Inadimplência
É ainda elevado o endividamento das famílias no Brasil e, consequentemente, há de crescer a inadimplência, mas no primeiro semestre houve o registro de queda em 1,7%. Recentemente, tem havido informes do gênero, inclusive do Banco Central, com discretos sinais de melhoras que passam a emoldurar, e isso em favor do presidente interino, uma atmosfera sabidamente artificial indicando uma transição mais otimista, pós impeachment, já antecipado na sessão de pronúncia de ontem no Senado por esmagadora maioria.

Vandalismo
Enquanto o mundo se extasiava com o espetáculo de abertura da Olimpíada com o discurso da sustentabilidade, negado é claro pela cloaca em que transformaram a baía da Guanabara, tínhamos aqui no Paraná um registro dantesco: supressão de 514 hectares de mata no trimestre nos quais foram abatidas 1.373 araucárias.

Folclore
Tanto o governador como sua substituta constitucional, Cida Borghetti, a vice se afastam do País: nunca se faz isso sem a notícia de algum grande objetivo sobre o qual negam aprovação a requerimentos curiosos da oposição e quem assume é o sempre leal, Ademar Traiano, que na Assembleia dificulta clareamentos sobre tais missões.

mockup