LUIZ GERALDO MAZZA
Adeus, Edésio Passos
Um dos maiores advogados trabalhistas do Brasil, Edésio Franco Passos, faleceu ontem em Florianópolis. Originário de Tomazina e com passagem em Londrina, foi um dos fundadores do PT nacional e do paranaense como membro de primeira linha. Combativo, desde a Universidade Federal em que se formou em Direito e sempre destacado em sua atividade acadêmica e de proselitismo político, também se projetou na militância sindical como elemento chave e secretário do órgão diretivo dos jornalistas.
Estivemos em várias ações juntos como na greve geral de jornais em 1963, quem a propôs em assembleia unitária de jornalistas e gráficos fui eu na sede do sindicato dos bancários, e de 64 em diante respondemos processo na Auditoria de Guerra com os companheiros do "Última Hora". Tanto na rotina sindical quanto no envolvimento da greve, lembro do momento em que fomos ao jornal ´´Diário do Paraná´´, que furara a parede, para demover os resistentes, do seu choque com a Polícia Militar e aos quais apelava por sua origem social, a do trabalho, para não reprimirem e isso em postura de confronto, conquanto tentando a persuasão.
Foi candidato na fase mais experimental do petismo a prefeito de Curitiba e senador e figurava na diretoria da Itaipu, na qual participara também como conselheiro. Na minha trajetória sindical tive dois paradigmas como secretário faz-tudo do sindicato, ele e o também falecido Arnaldo Alves Cruz: batiam escanteio e faziam gol de cabeça de atas de reuniões a mobilizações em congressos e assembleias. A generosidade colocada a serviço da causa, algo que não se perde no tempo para aqueles que o viveram.
Contra marcha
Divulgou-se ontem que o ministro Gilmar Mendes teria anulado liminar que beneficiava Fábio Camargo, retomando a orientação do TJ, mas que não teria efeito porque havia entendimento do ministro Celso de Mello já assumido em sentido contrário. Várias marchas e contramarchas marcaram o histórico da eleição e nomeação de Fábio Camargo à época filho do presidente do TJ, Clayton Camargo, que tramitaram inclusive no Conselho Nacional de Justiça. Clayton foi afastado da condição de desembargador e a retomou também por decisão judicial . Há, além disso procedimento no CNJ contra o desembargador Clayton.
Enfim uma evidência do contorcionismo jurídico oposto à linearidade observada na Lava Jato que ontem em sua 31ª fase enquadrava pelo Ministério Público Federal quinze pessoas por chunchos praticados na construção do Centro de Pesquisas da Petrobras, superfaturado como sempre em respeito à praxe.
A propósito de vaga no Tribunal de Contas: a Justiça considerou correta a designação de Maurício Requião enquanto o irmão governava e a entendeu em sentido contrário quando Beto Richa estava no governo e tinha indicado para o posto o conselheiro Ivan Bonilha. Por sinal que Maurício tem o seu pleito no cipoal das indecisões judiciárias. Como falar seriamente em segurança jurídica!
Assembleísmo
Percebeu-se na sessão do Senado, que formaliza a pronúncia da presidente afastada, que boa parte dos pais da pátria mostrou o know how de assembleias de diretórios centrais juvenis e congressos da UNE na técnica obstrutiva parlamentar. Não adianta para esse pessoal recomendar a leitura do texto marxista "Esquerdismo, a doença infantil do comunismo". O presidente da sessão, ministro Ricardo Lewandowski, mostrava dificuldades no comando pela notória intenção de ganhar moratória por parte da oposição minoritária.
Folclore
Entre Dilma e Temer há uma falsa opção rejeitada nas pesquisas pelo povo que por 60% pede a derrubada dos dois. A vaia de Dilma na Copa foi maior do que a de Temer, mas nem o excesso de proteção do presidente interino evitou a da Olimpíada. Dilma foi mais altiva, Temer acuado como se fosse o Juízo Final, um vexame.





