LUIZ GERALDO MAZZA
A traição das palavras
Uma expressão comum diante de eventuais abusos dos movimentos sociais, como o dos sem- terra e sem-teto ou ainda de a Via Campesina, destruindo pomares de laranjas ou ainda centros produtores de mudas de eucaliptos contra o "deserto verde´´ ou simplesmente invadindo propriedades urbanas ou rurais, especialmente quando condenados ou acusados se postam em defesa de que se estaria ´´criminalizando´´ tais manifestações. Isso é tão absurdo como amanhã se sugerir que a Lava Jato estaria ´´criminalizando´´ a atividade política ao enquadrar a Camorra da área, que, para desgraça nossa, constitui a maioria dos seus integrantes, cujo oxigênio é a propina.
Uma invasão de área produtiva, por exemplo, pode ser tudo menos ato de justiça social, ainda que por vezes haja atos predatórios que vão da venda e morte do rebanho ou do vandalismo contra instalações, como se deu historicamente no Paraná com a fazenda Can Can, objeto da primeira intervenção federal aqui decretada pelo nosso ministro Milton Luis Pereira do STJ na primeira gestão de Roberto Requião.
Agora o mesmo se dá com a tal da onda ´´escola sem partido´´ onde os dois lados, tanto o que busca a contenção unilateral na sala de aula, como o outro que fala em nome da pluralidade e diversidade se valem de eufemismos para defender posturas à direita e à esquerda. O debate é válido, mais aí também se distorce o sentido das expressões como se a imposição magisterial não fosse a do equilíbrio entre as tendências. Em nome da liberdade de cátedra é intolerável o facciosismo de um professor, mesmo que jogue com as tendências da maioria dos alunos, afinal um ´´cult´´ como qualquer outro, o que é mais imoral e antipedagógico.
Bom é o debate permanente suscitado pela questão, mesmo que provocada por uma reação à instrumentação visível da cátedra e diante de uma das manias da moda, o mestre anedoteiro para se mostrar coloquial e bajulador dos alunos posto em oposição ao que exige rigor nas aulas e provas e olhado como ´´careta´´. O Paraná é um exemplo de distorções com mestres arregimentados para a luta sindical, com sua pós-graduação em greves, e que se mostram com uma distância olímpica do péssimo resultado de sua atuação na sala de aula visível, nos vários processos de avaliação adotados como o do Enem.
O pior de tudo é que acabam não tendo, também nas respostas sindicais, a nota azul, haja vista para o drible que vão levar do governo na questão do seu direito à percepção de atrasados em promoções e progressões como tantas outras categorias. Não vale o mínimo de sacrifício como o massacre de 29 de abril. Dá impressão que o governo estadual, além de bater, debocha.
Vingança
Uma das retaliações de alunos contra professores era justamente levar o orador das turmas na universidade, independentemente do curso, fazer discursos veementes contra a linha geral das escolas. Esse repique ainda que desagradasse os formais, era a alegria da maioria. Cheguei como paraninfo a testemunhar a rebelião de praticamente uma turma inteira contra a figura do orientador, um exagero não apenas por se dar em uma cerimônia mas por constranger e oprimir o suposto acusado.
Outra coisa: aquele que pintava como guerrilheiro em assembleias e congressos, depois de formado, aderia ao conservadorismo original da família. Um desses ´´esquerdistas´´ eu o encontrei em Campo Grande (MS) como dirigente da UDR, ultradireitona.
Tefelonia
Um trocadilhista de tanto irritar-se com as infrações das telefônicas disse que elas na prática eram empresas de tefelonia, pois praticavam muito mais a felonia. Num levantamento dentre 55 mil queixas de consumidores pelo Procon verificou-se, outra vez, que a esmagadora maioria delas em todo o Paraná se referia às teles dadas à felonia.
Palmômetro
A decisão do impeachment está bem distante de um programa de auditório de TV em que a maioria decide quem está certo, mas é mais ou menos isso como os engajados, de um lado e de outro, enxergam o processo como se viu, ontem, com a visita de artistas a Sérgio Moro e, de outro lado, o ´´Circo da Democracia´´ que defende Dilma. É melhor que o silêncio, a torre de marfim e a paz dos cemitérios.
Aos amargurados um pouco de Sartre: a vida é uma paixão inútil e enlouquecida.
Folclore
A propósito dessa cintilação semântica das palavras, conforme quem as pronuncia, temos tido de tudo e agora só falta uma organização como o Partido do Comando da Capital (PCC) ou o Comando Vermelho, alegarem, usando o linguajar da moda, que sofrem de ação seletiva e que há muito tempo tentam ´´criminalizar´´ o movimento dos companheiros que estão dentro ou fora dos presídios.





