LUIZ GERALDO MAZZA
Esperança de virada
Depois da derrota, por 14 a cinco, na Comissão do Impeachment, com sinais de apatia da parte do próprio PT, resta aos defensores da presidente afastada apostar nas manifestações de rua como a que se dará em Curitiba na segunda-feira no "Circo da Democracia" e em ação de porte semelhante em outros pontos do país para mobilizar ao máximo a resistência. É uma espécie de ato final, pois há todas as condições para que a votação final, sob a presidência do ministro Ricardo Levandowski, tenha proporção ainda maior do que a registrada em relação relatório final, pela admissão do impedimento, do senador Antonio Anastasia.
Entre os atos elencados está o do Instituto dos Advogados do Rio de Janeiro que acentua o caráter golpista, segundo os signatários, do afastamento de Dilma Rousseff. Documentos de linha equivalente, nacionais e internacionais, serão avocados ao mesmo tempo em que se darão manifestações no andamento da votação em todo o país.
A Olimpíada será um fator de dispersão junto com a campanha municipal, mas a frente de centrais sindicais e do movimento social buscará manter o máximo de espírito guerreiro a partir da semana entrante até o julgamento final. Não é o arranque do cachorro atropelado de que falava Nelson Rodrigues, todavia o possível em termos de arregimentação.
Terror
Uma cidade de 15 mil habitantes como Terra Rica enxerga como ação terrorista o ataque a quatro dos seis caixas eletrônicos disponíveis: ação sincronizada de uma gangue de pelo menos vinte bandidos, prova de inexistência do Estado no setor de segurança. Notícia correlata é o registro de 156 mortes em confrontos com PMs e guardas municipais e o Gaeco põe em questão se o Estado mata ou não gente demais, e isso se acentua em função de outras vulnerabilidades como a de contar com apenas 17% do pessoal exigível na polícia científica.
Para complicar a possível tentativa de explosão de bomba na Criminalística de Londrina, ora sob investigação, desde a manhã de ontem pelo Gaeco. Conclusão: o Estado custa demais e sua eficiência é mínima e além disso, como no caso dos confrontos, é posto em dúvida quanto aos critérios adotados na matança. Essa opção pela violência foi duramente questionada, em termos acadêmicos, no meio militar antes do massacre, todavia anunciando-o .
Ausência
Fernando Francischini poderia surpreender na campanha defendendo o massacre do Centro Cívico e que certamente teria o apoio dos que acham abusiva a ação dos professores com suas greves sistemáticas. Seria o Bolsonaro dos curitibanos, bem à direita, em espectro bem definido só que acarretando mais prejuízos do que os produzidos no 29 de abril contra Beto Richa, o que azedaria a base aliada. Tirou o time para apoiar Maria Victória que deve ter como vice o ex- deputado federal Luciano Pizzato.
Denúncia
Ministério Público está em plena safra denunciadora: ontem foi a vez do prefeito Reni Pereira de Foz do Iguaçu. De outro lado, a Justiça anda naturalmente acatando esses pleitos como se deu com o ex-ministro Paulo Bernardo e mais 12 investigados na Custo Brasil por ordem da 6ª Vara Criminal de São Paulo. O político paranaense é acusado de ser o patrono de esquema que desviava recursos de créditos consignados.
Inflação
Já não somos "ouro" em inflação, mas disputamos medalhas. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de junho, um acréscimo de 0,28% centrados no leite e no feijão.
Multas
Vamos bem na olimpíada das multas, especialmente com essa mais recente dos faróis acesos nas estradas e no trânsito urbano a alta foi de 31% na capital e de 17% no Paraná em geral. Anomalias mais anotadas foram excesso de velocidade e estacionamento irregular.
Nos autos
Entre as críticas que Sérgio Moro recebeu de deputados na Câmara Federal há uma aguda e já posta mesmo por gente que apoia a Lava Jato: juiz deve, preferencialmente, falar nos autos e evitar a espetacularização e o protagonismo. Essa falha é comum a muitos ministros do STF: a de expender juízo de valor sobre matéria que está para ser julgada. A personificação de Moro tem sempre uma justificativa: a de que tudo será inútil se não houver apoio da população principalmente de um país habituado à cultura da acomodação diante do crescimento da corrupção, afinal endêmica e, por vezes, institucional como no propinoduto da Petrobras.
Folclore
Estamos num congresso nacional de jornalistas e viajamos num ônibus superlotado rumo a Nova Friburgo. E de repente lá da parte de trás um apelo diferente em tom evangélico. Bem irônico: "Como ensinava o velho mestre: sentai-vos uns aos outros!". Nada mais nada menos do que Aparício Torelly, o Barão do Itararé, do jornal "A Manha". Eu, o Silvio Back e o João Feder fomos até a figura, aqueles dias preocupadíssimo com física quântica.





