A vida continua
O temor que havia em torno da Lava Jato com seu fatiamento há muito foi dissipado: além das decisões de tribunais confirmando a linha dos seus atos, isso sem falar nos foros regionais, tivemos numerosos juízes de Brasília, de São Paulo e outras unidades decidindo no mesmo sentido da profilaxia que envolve o País. Evidência maior na decisão que tornou Lula e o ex-senador Delcídio do Amaral e outras pessoas na obstrução da Lava Jato.
E ela prossegue serena e firmemente com sua rotina liberando ontem o casal Mônica-João Santana, que fez delação premiada inclusive com a notícia do Caixa 2 no exterior da campanha de Dilma Rousseff que, como Lula, tudo ignorava. Pagaram R$ 28 milhões de indenização, ficam livres, não podem deixar o país e cumprir todos os atos judiciais.
Certamente, teremos entre os Jogos Olímpicos e os atos processuais do impeachment no Senado novas prisões e outras revelações que já não surpreendem quando se trata de rever a dimensão do lamaçal em que o país chafurda. Mas não há ainda esperança de que o país mude radicalmente em função desses acontecimentos que serviriam de matriz de uma nova arqueologia política.
E é parte desse ceticismo a razão pela qual as manifestações de rua do último domingo, a favor do interino e da afastada, se mostraram menos vivas do que as anteriores, prova do estresse, da fadiga do material a que a temática está submetida. O público, em maioria, está numa postura do ´´antes pelo contrário´´ em relação à falsa opção por já ter indicado que nenhum nem outro corresponde às suas expectativas e isso porque está informado, e muito bem, e entende que essa pasteurização de Michel Temer em força capaz de unir o país para a necessária virada não convence até por sua incapacidade de tomar decisões e, ao mesmo tempo, atender a composição esdrúxula das forças que sustentam a aliança e ainda por cima garantir a derrubada definitiva de Dilma Rousseff, objetivo mais imediato.

Ainda na UTI
Segundo a Federação do Comércio, a expectativa em torno das compras no Dia dos Pais melhorou em relação ao ano passado: 68% darão presentes, melhora de sete pontos percentuais sobre 2015. Um pessimista diria: baixou a febre, persiste a meningite. Já os oportunistas veriam nisso, como tantos outros sinais, prova de que o quadro melhora com Temer e possivelmente agrava com Dilma.

Polícia mobilizada
Uma coincidência bem adequada à mobilização da classe policial: a fuga de presos em massa em Arapongas, pois a bronca principal é justamente a de fazer da classe uma carcereira e isso se reflete em dados sérios: 82,3% dos boletins de ocorrência dos últimos cinco anos não foram investigados por falta de pessoal e de tempo. O bloqueio ontem aos serviços de carteira de identidade e boletim de ocorrência acentuou a gravidade da situação.
Além disso, não recebem progressões e promoções e quando ganham judicialmente o governo recorre. Assim também nos que entraram em cinco anos contra a alta do desconto previdenciário ganharam na Justiça, mas no caso a ParanaPrevidência recorre. Há entre os dois fatos referenciados cerca de trezentas ações.
Esperar que a polícia, civil ou militar, esteja motivada é ingenuidade excessiva porque além das deficiências materiais há essas de traço pessoal agravadas pela recessão.

Convenções
Rafael Greca está resolvendo com mais rapidez seus problemas: o PSB de Luciano Ducci informou que os postulantes a vice, José Andrigueto e Paulo Bracarense, desistiram para acertar a composição. Já a chapa de Requião Filho (contestada na Justiça por Doático Santos, um exército brancaleone de si mesmo) terá como vice o vereador Bernardi, da Rede, único e entusiasmado cultor da Coreia do Norte, o que não deixa de ser uma tonalidade ideológica bastante diferenciada num momento em que o PCdoB decide apoiar o Ney Leprevost. .
Ontem, no fim da tarde, falava-se que os evangélicos mudariam de apoio, agora a Gustavo Fruet, por haver apoiado as demandas religiosas.
Há gente que acredita que as tais convenções no meio da semana possam até obscurecer o brilho inaugural dos Jogos Olímpicos. Merecemos isso? Mas, como nós, eles também têm as suas ilusões e a de um candidato e seus acólitos lembra a de uma criança no Natal: pirolitos mil para essa gente!

Folclore
A peça clássica que ornava a rotatória do Centro Cívico, a escultura da onça de João Turim, será recolocada hoje em seu pedestal. Consta, entre as lendas que cercavam a trajetória do escultor a de que ele a teria apelidado de onça mijona porque cada vez que dela se cercava para captar o seu perfil nos desenhos numa jaula do Passeio Público teria sido ´´batizado´´ em suas calças mais de uma vez por sua modelo. E quem merecia ser batizado pelo animal foi o vândalo que lhe cortou a cauda.

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