Recurso à OEA e ONU
O pleito de Lula para que a ONU intervenha no Brasil por força das ações do juiz Sérgio Moro, que podem levá-lo à prisão, indica uma espécie de esgotamento recursal e de uma esperança aventuresca semelhante à cavalaria ianque nos filmes de faroeste, infalível nos choques entre índios e colonizadores. É como se não houvesse mais esperança processual nos tribunais da terra como se estivéssemos num cenário como o da Turquia, já que a tese do golpe contra Dilma Rousseff é subjacente ao que se propõe, conquanto limitada às prerrogativas do parlamento nacional.
O apelo à ONU (ou à área dos direitos humanos da OEA, o que já ocorreu aqui no Paraná em dois episódios de mortes de sem-terra e com a condenação da autoridade nacional nos eventos representadas por Roberto Requião e Jaime Lerner) para deter as ações de um juiz que, pela vez primeira, devassa o maior esquema de corrupção da história brasileira é, de certa forma, convergente ao dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá que buscam no espaço nacional formas legais de conter a autonomia do Judiciário.
Prossegue, portanto, a ação dirigida para conter a devassa do Judiciário, o que à medida que o tempo passa e maiores revelações são feitas, deixa boa parte da classe política exposta e à beira do desespero ante o risco próximo das prisões ou dos indiciamentos já que tanto Lula como os dois senadores são alvo de investigações. A tentativa de desmoralizar o Brasil por suas instituições em escala internacional se dá no momento apropriado que é o da etapa final dos procedimentos formais relativos ao impeachment da presidente afastada e também em meio ao cronograma de manifestações de rua contra e a favor do processo. Não há, portanto, mera coincidência nisso tudo.

Desperdício
Levantamento recente mostrou que, em cada quatro anos, o Brasil perde o equivalente a um ano de energia por deficiências do sistema e, agora, a nossa Copel tem apurado nada mais nada menos de 47 "gatos" diários nas chamadas ligações clandestinas e fraude de consumidores.

Descompressão
Houve redução ontem de cadáveres, pelo menos 21, no Instituto Médico-Legal, providenciada em função da enorme repercussão das notícias com centenas de mortos na repartição. Os sepultamentos foram feitos em cemitério da zona sul de Curitiba. É simples expressão da crise recessiva e da permanência do estrangulamento fiscal. Só dará emoção e crise política quando chegar na folha de pagamentos porque na das promoções e das progressões já se dá há mais de um ano, o que servirá de base para novas pressões da APP-Sindicato.

Fermentação
Amanhã, Curitiba vira palco de manifestações pró-Dilma e contra Temer (Praça 19 de Dezembro) e outra na Santos Andrade a favor da Lava Jato. A perspectiva não é muito animadora em nenhuma delas e as condições do clima não parecem estimulantes.

Provisoriedade
O Judiciário concordou com o pedido de tempo em favor do governo para que acerte a nomeação de músicos e bailarinos do Teatro Guaíra. Em tempo de crise se torna normal a provisoriedade nas decisões e as razões da Procuradoria Geral do Estado foram acolhidas.

Manietado
Governo estadual manietado na questão do pedágio, em função de decisões judiciais, e também enrolado o governo Requião por causa de contratos do DER, tido como anômalos em convênio com órgãos técnicos e de pesquisas em função de não haver licitação. Enquanto persistir o impasse, a prorrogação desejada pelo governo e pelas concessionárias não anda. Quem se anima com tudo isso é a Frente Parlamentar que resiste à prorrogação e que conseguiu pelo menos a garantia de que qualquer inovação passe pelo crivo legislativo.

Eleições
Não apenas a crise brasileira, mas também a realização dos Jogos Olímpicos estreitarão ainda mais o já limitado espaço da campanha eleitoral municipal. Os últimos atos em Curitiba se darão até o meio da semana com a definição das alianças, uma das mais complicadas a de Gustavo Fruet enquanto a do seu principal opositor, Rafael Greca, decola e tende até aos exageros de um triunfalismo na base do "já ganhou". Também se desenrolam os derradeiros arranjos para fortalecer candidatos como Requião Filho, Ney Leprevost e Maria Victória. No PT o esforço final para reverter o impeachment sobrepuja a articulação pró-Tadeu Veneri.

Folclore
Uma ironia de ontem: no momento em que se discutia o recurso de Lula à ONU um juiz de Brasília, e não o Sérgio Moro, o enquadrou, juntamente com o ex-senador Delcídio do Amaral, por tentativa de obstrução da Lava Jato.

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