LUIZ GERALDO MAZZA
Debate democrático
O protesto de magistrados e promotores ontem contra iniciativas legislativas com o intento de impedir o exercício de suas ações sob o suposto abuso do poder no indiciar e julgar põe a nu o "non sense" da situação vivida pelo Brasil, numa das melhores performances de sua história na luta contra a corrupção. O mais chocante é que personagens já envolvidos em denúncias pesadíssimas como o presidente do Senado, Renan Calheiros, que em passado não remoto se viu obrigado a renunciar o mesmo posto por ter sido apanhado em grave irregularidade, e do recentemente derrubado do Ministério, Romero Jucá, ambos citados mais de uma vez nos procedimentos da Lava Jato, é que assumem o patrocínio das iniciativas.
E, de apontados por atos ligados ao propinoduto da Petrobras, se transformam em julgadores dos que possivelmente irão enquadrá-los, punindo-os previamente por suposta sentença. O Brasil é uma anedota, mas a reação dos magistrados e Ministério Público é um sinal de reação não apenas corporativa e pela construção orgânica da democracia, essa que se constrói no dia a dia.
Cadáver: estadual ou municipal?
O quadro mórbido se repete: há cadáveres de sobra no Instituto Médico-Legal e que por múltiplas razões burocráticas (inclusive a identitária) não podem ser sepultados. Em função disso restabelece-se a polêmica já havida com o mosquito, não essa da dengue, mas aquele da febre amarela, o anofelino: se é municipal, estadual ou federal. Estado acusa prefeitura de Curitiba de ter responsabilidade na questão.
O fato é que sempre há um estoque de mais de uma centena de cadáveres insepultos e que, segundo sindicalistas, ameaçam as condições de salubridade da instituição ao que o chapa-branca, diretor, responde que não há nada disso e que tudo opera nos trinques. É, afinal, o Paraná mundo-cão da atualidade: 21 distritos policiais proibidos, por causa da superlotação, de receber novos presos, IML lotado de cadáveres sem destino definido, violência solta, policiais e delegados sem receber promoções e progressões, viva-se nesse caos.
Só falta, para que o pau da barraca seja chutado, o que não é impossível, o atraso das folhas de pagamento do funcionalismo. Aí, é que veremos o que é bom para tosse.
15 meses
Há 15 meses o mercado de trabalho agoniza, embora tenha caído recentemente o ritmo das demissões (de repente o Temer festeja como um feito seu como o da previsão de menor queda do PIB). No semestre houve perda de 16 mil vagas no Paraná e uma previsão da Fecomércio indica que 42% dos empresários faturaram menos do que em 2005. Pelo jeito, o fundo do poço tem tal força que aparenta reduzir as notícias negativas até porque, dentro em pouco, não há quem compre e nem quem empregue.
Desvio em calamidade
No Ministério Público Federal a constatação de que maus gestores se valem até da calamidade para desviar recursos e isso se daria em Tomazina, e em atos de busca e apreensão em Curitiba, Rio Branco do Sul e Itaperuçu. Por sinal que, nos deslizamentos no litoral, ainda na primeira gestão Richa, a recuperação de pontes, estradas, moradias levou tempo demais. No que se copia o governo federal que naquelas inundações da serra fluminense ficou devendo tudo, inclusive as moradias prometidas.
Isso lembra o ocorrido, sob Ney Braga nos incêndios florestais, anos 60, com a denúncia de que até auxílios internacionais para o flagelo com o leite em pó da Aliança para o Progresso utilizado em campanha eleitoral. Lembro Leon Naves Barcelos, da oposição, com um pacote do laticínio à mão, fazendo a denúncia da tribuna legislativa na qual, depois, foi cassado.
Exemplo
Empresa de ônibus Araucária foi sentenciada a indenizar em R$ 7 mil um cobrador que havia sido punido por colocar reforço no seu uniforme contra o frio. Na capital, a Urbs enfrentou problema semelhante pressionada pelos operadores das estações-tubo ora contra o frio, ora contra o calor. Aliás, havia aí uma das maiores violências trabalhistas, que remetia aos tempos da escravidão, com a imposição de que o operador, em caso de assalto e roubo dos recursos das tarifas, sofresse descontos equivalentes no seu salário. E o fato, por incrível que pareça, nunca foi denunciado, sequer pelo sindicato obreiro, à Organização Internacional do Trabalho, tal a acomodação pactual da área visível em locautes travestidos de greve.
Chio
Animados pelas "leis" que pretendem inibir juízes, promotores e delegados de polícia, há em curso nova tentativa de advogados para criminalizar a Lava Jato que a despeito de tudo retorna a etapas anteriores das suas fases atuais para novas incursões como a havida ontem com a Andrade Gutierrez. Fato novo, delação, em etapa anterior da operação.
Folclore
"Sabãozinho, sabãozinho,// de burguês gordinho,// toda vil reação//vai virar sabão!". Canto da esquerda estudantil, anos 50, em congressos da UNE e UPE, que lembra um pouco do tal preparo terrorista recentemente captado e punido. Opera no psicossocial como intenção e jamais como fato consumado, hipótese remota, mas prevista na Lei de Segurança Nacional, fábrica de paranoias.





