Normal porque institucional
Uma resposta-clichê nos flagrados em propinodutos é a de que pautaram suas atuações no plano rigorosamente institucional. Ocorre, porém, que em muitos casos a propina de 1% para o PT estaria assentada contratualmente, como se viu na delação de Ricardo Pessoa, dono da UTC, que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, orientou-o a procurar o tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva, para fazer doações.
Também o caso nebuloso do Paraná, captado em delação premiada se refere a uma suposta drenagem de achaques a contribuintes feitos nas operações da gangue fiscal para a campanha de reeleição de Beto Richa. Esse fato, não muito preciso, provocou a investigação em curso no STJ sobre o caso. Como sempre, o PSDB afirma que sua prestação de contas foi aprovada tanto pelo TRE quanto pelo TSE. Ocorre, porém, que desvendada a origem maliciosa, delituosa, da operação não captada no exame das contas, confirma-se o seu traço criminal.
Recursos provenientes de contratos superfaturados e traduzidos em percentuais uniformes se delatados exigem a investigação. Mas é visível que o PSDB, ao contrário de outros, tem maior habilidade em procrastinar investigações como se viu historicamente na questão do primeiro mensalão, o mineiro, de Eduardo Azeredo, que precedeu aquele que botou tanta gente na cadeia e em eventos bem anteriores como o dos trens e metrôs em São Paulo, ora retomados pelo Ministério Público, no perdão da dívida de R$ 116 milhões em multa à Alston e ainda agora no escândalo da merenda escolar em que o tucanato deita e rola com a hegemonia alerta da maioria parlamentar, tal qual se dá aqui em que uma barragem impede uma CPI que investigue casos da Voldemort, da Publicano e da Quadro Negro tocados pelo Gaeco. Ora, se houvesse convicção de que o governo agiu corretamente não haveria sentido em negar a CPI solicitada, mas a ordem de blindagem total, aqui e em São Paulo, é a regra. E aparentemente funciona, ao menos até aqui.

O caos
Além dos 18 assassinatos da semana passada, registra-se agora em estudos estatísticos que há um roubo em Curitiba a cada 15 minutos e 94 em 24 horas. É uma forma de terrorismo sem implicações fanáticas e que mostra a óbvia supremacia da violência sobre a ordem, como se já não bastasse o pódio olímpico nacional que detemos em ataques a caixas eletrônicos. Para se ter uma ideia da gravidade do cenário, basta lembrar que policiais, como os professores, há mais de um ano, não recebem suas promoções e progressões e que se acumulam num tsunami fiscal de mais de R$ 500 milhões até o fim de 2016.
Outra evidência do estrangulamento da segurança está na interdição de 21 distritos e unidades prisionais que recebam mais presos em função da acintosa superlotação. Junte-se a isso o registro de que mais de 60% da frota de veículos está fora de combate e ter-se-á a noção de que esse tipo de situação não se enfrenta com apelos motivacionais e tática sinistra e suicida de empurrar os acontecimentos com a barriga como se costuma fazer.

Moratória
Caminhando em areia movediça, o governo não sabe como enfrentar as crises que ele próprio gera como a dos atores, corpo de baile e orquestra do Teatro Guaíra. Com a decisão de enquadrar judicialmente o setor, resta à Procuradoria Geral do Estado o empenho em negociar o adiamento das medidas que provocaram a maior crise da área cultural. Mônica Rischbieter, diretora do Guairão, buscou esse caminho à falta de outra alternativa.

Repique
Informes ontem indicavam que o PSDB, ao contrário do que aparentava, fecharia apoio a Rafael Greca, enxergando na solução uma forma de melhor postar-se na capital numa campanha mais turbulenta e centra no anti-Fruet, posto que houvesse um segmento pela aproximação com o prefeito pela circunstância de até outro dia ter integrado os quadros partidários. Se isso se consumar, estreitam-se consideravelmente os espaços do PDT ora limitado à aliança com o Partido Verde, o que lhe reduz em muito o horário eleitoral.
Quem tirou Luciano Ducci da parada na última eleição foi a agressividade de Rafael Greca com aquela cena do asfalto se desmanchando e agora capta seu apoio e o possível do PSDB. Se com tudo isso não ficar para o segundo turno, repetirá o drama do candidato de Beto Richa. É um acúmulo de retaliações e convergências paradoxais.

Flagra
No Youtube o ritual de algumas ruas de Curitiba, obtidas em câmeras ocultas, em que o assédio a homens é uma constante por parte dos iguais. E não se trata daquelas vias já assentadas como pontos de trottoir malicioso como a Cruz Machado, alvo da frase clássica do Fernandinho Batuqueiro: "Todos têm a sua cruz, a minha é a Cruz Machado!´´.

Folclore
Jânio Quadros, entrevistado por uma repórter, que o trata por você, ouve o insulto fulminante naquele português um tanto quanto gongórico " intimidade gera desrespeito ou filhos´´, afinal situações constrangedoras. Por falar em bloquear intimidade, clássica é a do Enéas no programa do Ratinho, no SBT, chamando-o respeitosamente de ´´Senhor Rato´´.

mockup